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Capa do romance VERDADE & PRECONCEITO

VERDADE & PRECONCEITO

Uma cidade calma é abalada por um crime brutal que transforma uma viagem de amigas em pesadelo. Para salvar suas liberdades, universitários enfrentam preconceitos cegos e buscam provar a inocência. Anna e Leniel correm contra o tempo, questionando lealdades e revelando segredos obscuros. Em meio ao mistério e relacionamentos incertos, a luta por justiça exige que a verdade apareça, mostrando que até na escuridão o amor pode surgir como uma forma de redenção.
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Capítulo 3

“Vamos gente!” chamava Anna impaciente aguardando sentada no último degrau da escada da republica. “Estamos perdendo a festa!” Olha para Leniel e Thomas jogando vídeo game na sala de estar e pergunta “vocês não vão mesmo?”

“Vamos jogar RPG hoje, todo sábado jogamos” responde Thomas sem tirar os olhos da tv. “vamos talvez amanhã”

“Mas hoje é dia de festa! A festa mais famosa da região... “ Anna é interrompida com os passos de Bruna e Mabel descendo as escadas. “Finalmente!” diz ela.

As garotas estavam muito bem arrumadas, maquiadas e perfumadas. Usavam roupas leves de verão, saias e blusas coloridas. Caminham apressadas, aos poucos vão vendo cada vez mais pessoas e escutando a música cada vez mais alta a medida que vão se aproximando da praça principal. Elas podem ver o palco bem longe, as barracas que vendiam diversos tipos de alimentos e bebidas ao redor da praça, e quanto mais se aproximavam da praça, a multidão aumentava, elas começaram a segurar nos braços umas das outras no intuito de não se perderem entre as pessoas. A primeira banda já tinha começado a tocar e elas queriam se aproximar do palco o máximo possível.

Ali podia se perceber vários tipos de pessoas, de todas as classes sociais, bebendo, comendo, cantando, dançando. O som estava muito alto, sendo impossível a comunicação verbal. As garotas chegaram a um ponto da multidão que não conseguiam mais passar e perceberam que era o mais próximo que conseguiriam chegar do palco. Mabel grita alto para as amigas:

“O que vocês querem beber?”

“O que?!” dizem ambas ao mesmo tempo.

“BEBER???” grita mais alta.

“Cerveja” grita Anna.

“Duas” completa Bruna.

Demorou bastante para Mabel voltar com as bebidas. Cerca de meia hora quase. Ela volta com 3 cervejas. As garotas brindam. Antes de beber, Mabel pega um pequeno saquinho transparente de sua bolsa, onde podia se ver pequeninos comprimidos brancos. Anna e Bruna arregalam os olhos, surpresas. Mabel abre o saquinho, pega dois comprimidos, os expõe para as garotas com a ponta dos dedos, sorrindo os coloca na boca e bebe sua cerveja em um longo gole.

“O que é isso?” pergunta Bruna curiosa.

Mabel aponta para seu ouvido e faz um gesto com o dedo indicador de “não”, dando a entender que não a escutava. Pega um comprimido e com um gesto oferece as amigas. Anna e Bruna a princípio nada respondem, ambas ficam tentadas a aceitar, tinham uma suspeita do que seria aquilo, mas não tinham certeza. Depois ambas gesticulam com a cabeça que não.

A noite prossegue animada, muitas pessoas bebendo, de vez em quando as garotas sentiam cheiro de maconha, algumas pessoas mais alcoolizadas aqui e ali, algumas brigas esporádicas, mas nada sério. Eventualmente aparecia um garoto tentando conversar com alguma delas, porem nenhum que despertasse interesse. As garotas dançavam, se abraçavam, curtiam.

Após hora de festa, Bruna se sente cansada, aperta suavemente o braço de Anna e faz um gesto com a cabeça, indicando que queria sair, depois junta as palmas das mãos e as coloca no lado direito da face indicando que queria descansar ou dormir. Anna acena positivamente com a cabeça concordando, ambas olham para trás, procuram por Mabel, nada. Vazio. Elas olham ao redor, nada. Se entreolham, achando estranho, todas as vezes que Mabel precisou sair, seja para comprar bebida, comida, banheiro, ela indicava. As garotas procuraram por algum tempo, depois, desistiram. Devagar, cansadas e com sono, caminhavam até a república. Quando já estavam distantes do barulho:

“Ela deve estar na república, só acho sacanagem não avisar” fala Bruna já demonstrando insatisfação com a amiga.

Ao chegar na república, as amigas vão até a cozinha comer algo, já lutando contra o sono. Ao chegarem, veem Leniel de costas, ao perceber a presença de alguém, o rapaz se vira abruptamente em direção a elas assustado, ele estava com uma faca na mão. Anna levanta as mãos para a cima e fala em tom de brincadeira:

“Somos nós, pode abaixar a faca”

Leniel ao perceber que eram as garotas se sente um pouco envergonhado pelo susto que teve.

“Oi, como foi na festa?” fala ele, mudando de assunto.

Ambas percebem manchas vermelhas, como se fossem pequenos respingos na blusa do rapaz, como a blusa era clara, os respingos estavam bastante evidentes.

“Foi ótimo, vocês perderam... Você abriu a porta para a Mabel entrar?” pergunta Bruna já bocejando.

“Ahn? Não... ela não está com vocês?” pergunta ele meio perdido.

‘Não. Nossa que estranho. Ela sumiu outra vez” diz Bruna pensativa. “Ela tem uma chave daqui?”

‘A única cópia que temos para hospedes dei para vocês...” responde Leniel.

As meninas comem sanduiche na cozinha e conversam com Leniel. Depois os três vão para seus quartos. Já na cama, antes de dormir Anna diz para Bruna:

“Quando a gente acordar, ela vai estar deitada nesse colchão e vamos descobrir o que houve”

Garrafas, embalagens, latas, pratinhos plásticos espalhados por toda a calcada. “As pessoas não respeitam mais nem os cemitérios” pensa Matilda, ao chegar na calçada à frente do cemitério, devagar, usando a bengala ora como apoio, ora usando a para jogar para longe dela o lixo deixado pelos participantes da festa da noite anterior. Ela detestava o carnaval. Detestava as músicas altas e vulgares, sujeira, bebidas, promiscuidade... No fundo, ela detestava a liberdade que a juventude atual tinha, sentia inveja por não ter tido o mesmo em seu tempo de moça, porém nunca admitiria isso, não em voz alta.

Há 5 anos visitava o túmulo de seu falecido marido, sempre aos domingos. Sempre chegava muito cedo devido à insônia, por volta das 7 horas da manhã, logo após o nascer do sol. O portão do cemitério estava sempre destrancado. Ela entra e caminha com flores compradas na tarde anterior nas mãos.

Ao longe, vê algo estranho sobre um dos túmulos, algo que parecia a princípio um manequim. Curiosa, ela se aproxima devagar, porém, devido a miopia e a idade, teve que se aproximar bastante para entender que não se tratava de uma boneca, mas sim de um corpo feminino humano nu, deitada com a barriga para cima, pernas cruzadas, braços abertos, lembrando uma crucificação. No corpo é possível ver várias marcas de perfurações, a moça estava de olhos fechados, extremamente pálida, sangue em vários locais do corpo e ao redor dele. Do lado do corpo, tinham uma vela vermelha grossa ainda acessa e roupas cuidadosamente dobradas. Demorou alguns segundos para Matilda entender que aquilo era real mesmo e soltar um grito de horror mais alto que conseguiu. Se virou e tentou correr em direção contrária o mais rápido que pôde deixando as flores cair, até que tropeçou em uma lápide e caiu, machucando o joelho e a testa no chão. Desmaia.

¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬

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O despertador do celular. As garotas queriam aproveitar bem o dia, não sabiam o que fariam para aproveitar, mas estarem acordadas era um começo. Anna desliga e volta a dormir. E Mabel não estava lá. O colchão permanecia o mesmo, evidenciando que a garota nem mesmo tinha passado por ali aquela noite. Elas se entreolham.

“Será que ela conheceu alguém ontem?” pergunta Bruna tentando suavizar o momento.

Anna dá de ombros. Elas trocam de roupas, fazem a higiene bucal, Anna vai abrir a porta do quarto para irem tomar café da manhã, que devido ao horário, já seria quase almoço, quando Bruna fala:

“Espera, quero te contar uma coisa”

Anna tira a mão do trinco da porta e olha para ela. Bruna respira fundo, vai começar a falar quando escutam batidinhas na porta, Anna abre e vê Leniel com uma expressão um tanto estranha.

“Tem 2 policiais lá em baixo procurando por vocês” diz ele.

Anna franze o cenho e fala:

“Porque? “aquela pergunta sai quase que automática.

“Só falaram que precisam conversar com vocês” responde ele.

Com um pressentimento ruim, as garotas ao descer as escadas e veem 2 policiais de meia idade, com expressão cansada, trajando uniforme, podia se perceber que ambos estavam armados.

“Bom dia” diz um deles. As garotas respondem a saudação.

“Vocês são Anna e Bruna?”

Elas confirmam com um gesto de cabeça.

“Vocês poderiam nos acompanhar até a delegacia?” continua.

“Sim... mas porquê? ” responde Bruna.

“É um assunto delicado, gostaríamos de conversar com vocês na delegacia.”

Elas se entreolham.

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