
Rainha velada dos leilões: disputando o coração da ex-esposa
Capítulo 2
Cinco anos depois, em Klicta, o grande salão da casa de leilões mais prestigiada do país estava lotado de elites sociais e figuras públicas.
No palco, estava uma mulher de branco, a leiloeira, com o cabelo impecavelmente arrumado e um véu fino cobrindo seu rosto. Embora suas feições estivessem escondidas, sua elegância era inconfundível e cada movimento seu chamava a atenção de todos no local.
Com calma e compostura, ela apresentou o lote num klictan (idioma de Klicta) fluente. Assim que ela terminou, os licitantes iniciaram uma disputa acirrada.
Com o martelo na mão, ela conduziu todo o leilão com uma autoridade natural, seus olhos claros e radiantes percorrendo o salão.
Enquanto isso, Daniel observava tudo em silêncio da varanda no segundo andar. Inclinando a cabeça um pouco, ele olhou para a leiloeira novamente. "Então essa é a pessoa que o vovô insistiu em conhecer?"
Archie Chapman, seu assistente, lhe entregou uma pasta. "Sim. O nome dela é Amelia Morgan. Ela começou a trabalhar nesta casa de leilões há cinco anos, e no seu primeiro leilão, vendeu uma pintura antiga avaliada em 1 milhão de dólares por 60 milhões, o que representou sessenta vezes o preço inicial, a tornando famosa."
Daniel estreitou os olhos ligeiramente. "Ela sempre usa esse véu?"
Archie parou por um momento para refletir sobre a pergunta. "Sim. Certa vez, ouvi dizer que alguém ofereceu 10 milhões só para ela tirá-lo, mas ela recusou. As pessoas dizem que ela deve ser muito feia, já que está tão determinada a esconder o rosto."
Daniel apagou o cigarro no cinzeiro e continuou a observá-la em silêncio. "Ela tem olhos lindos."
Ele tinha certeza de que alguém com olhos assim não poderia ser feia.
Além disso, aqueles olhos o lembravam de Emilia, a mulher que, há cinco anos, havia deixado os papéis do divórcio, abortado secretamente e desaparecido sem deixar o menor vestígio.
"Traga ela para mim", disse Daniel enquanto se levantava.
Após dar alguns passos, ele parou e se virou para Archie. "Já se passaram cinco anos e você ainda não encontrou nada sobre Emilia?"
A expressão de Archie se enrijeceu em apreensão.
As pessoas costumavam dizer que ninguém poderia desaparecer sem deixar algum rastro, mas Emilia fez exatamente isso e, nesses cinco anos, nenhuma pista sobre ela surgiu.
Frustrado, Daniel suspirou. "Continue procurando."
Para ele, Emilia havia sido impiedosa ao se divorciar dele, abortar e cortar todos os caminhos que ele poderia usar para encontrá-la.
Ninguém sabia que Daniel, o CEO do Grupo Wright, havia sido quem recebeu o acordo de divórcio, nem sabia que, nos últimos cinco anos, ele havia procurado desesperadamente pela mulher que o havia deixado.
Ele pretendia encontrá-la, pois queria perguntar qual foi o erro imperdoável que ele cometeu para merecer tanta crueldade.
Quando Daniel se afastou, Archie permaneceu parado ali, tenso enquanto o suor frio escorria pelas suas costas. Ele havia procurado Emilia em todos os lugares, mas não encontrou nada.
Tentar localizar alguém que estava desaparecido há cinco anos era como procurar uma agulha no palheiro.
Oprimido pela frustração, Archie murmurou para si: "Onde diabos você está?"
Por fim, o leilão foi concluído. Amelia fez uma reverência graciosa antes de descer do pódio.
Cinco anos atrás, Emilia chegou em Klicta e começou a trabalhar numa casa de leilões sob o nome de Amelia Morgan. Para evitar problemas desnecessários, ela sempre mantinha o rosto escondido sob um véu quando trabalhava.
Após descer do pódio, ela caminhou de volta para seu escritório.
Nesse momento, uma garotinha alegre correu na sua direção com os braços abertos e se agarrou à sua perna. "Mamãe!", ela chamou animadamente.
Emilia ergueu o véu, revelando um rosto delicado de beleza impressionante. Abaixando-se, ela pegou sua filha, Olivia Moore, e lhe deu um beijo carinhoso na bochecha. "Está esperando aqui há muito tempo, querida? Onde estão seus irmãos?"
Olivia cerrou seus punhos pequenos e ergueu o queixo com irritação. "Eles foram brincar lá fora!"
"Eles não te levaram juntos?", Emilia perguntou.
"Eles disseram que estão brincando de coisas de meninos e que não posso participar", respondeu Olivia.
Emilia soltou um suspiro discreto, entendendo perfeitamente que seus dois filhos só queriam brincar sozinhos, sem que Olivia os acompanhasse.
Naquela época, arrasada pela decepção amorosa, Emilia havia planejado interromper a gravidez. No entanto, quando ela finalmente estava do lado de fora da sala de cirurgia, percebeu que não conseguiria fazer isso. No fim, decidiu ficar com os bebês.
Dois meses após se instalar em Klicta, ela deu à luz três filhos: dois meninos e uma menina. Eles eram Leo Moore, o mais velho, Asher Moore, o segundo filho, e Olivia, a mais nova.
Leo era calmo e confiável, Asher era enérgico e travesso, e Olivia era a mais gentil e doce dos três.
Segurando a adorável garotinha nos braços, Emilia se sentiu profundamente grata pela escolha que havia feito anos atrás.
"Mamãe, adivinhe quem nós três vimos hoje?", Olivia perguntou de repente.
"E quem viram?", Emilia perguntou suavemente.
"Meu pai terrível", respondeu Olivia.
A menina falou alto, mas Emilia não ouviu as palavras com clareza.
"O que você disse que viu, Olivia?", ela perguntou.
"Vimos nosso pai, o cara da TV! O nome dele é... hum... Daniel. Ele é um homem mau. Um homem muito, muito assustador", disse Olivia enquanto balançava as mãos.
Quando Emilia ouviu essas palavras, uma dor aguda surgiu no seu peito.
Nos últimos anos, o nome de Daniel era raramente mencionado perto dela.
Por um tempo, ela quase se esqueceu de que ele sequer existia.
Ouvir Olivia falar esse nome agora despertou velhas lembranças, deixando um gosto amargo no seu coração.
Daniel estava em Klicta?
No entanto, como seus filhos só sabiam que o nome do pai era Daniel Wright e o viram na televisão algumas vezes, ela presumiu que eles deviam ter confundido outra pessoa.
"Você deve ter confundido alguém com ele, querida. Ele não viria aqui", disse Emilia.
"Mas...", Olivia começou.
Nesse momento, duas batidas na porta a interromperam.
"Quem é?", Emilia perguntou.
"Amelia, está ocupada aí? O gerente quer que você vá ao escritório dele agora mesmo. Ele disse que você deve se apressar. Uma cliente muito importante pediu para te ver", respondeu uma voz do lado de fora.
Emilia se perguntou quem poderia ser essa suposta cliente importante.
Embora a casa de leilões recebesse clientes ricos regularmente, era raro o gerente demonstrar tanta urgência e deferência a alguém.
Esse pensamento a deixou um pouco curiosa sobre o quão importante a visitante realmente era.
"Estou livre agora. Vou para lá imediatamente", ela respondeu.
"Mas eu realmente vi o pai", murmurou Olivia, suas pequenas sobrancelhas se franzindo.
Emilia se virou para a garotinha, que piscou seus olhos grandes e lacrimejantes antes de perguntar com uma voz levemente desapontada: "Vai voltar a trabalhar de novo, mamãe?"
Conduzindo Olivia gentilmente até o sofá, Emilia falou com um tom de desculpas: "Fique aqui um pouco, querida. Voltarei em breve, está bem?"
Olivia queria que sua mãe ficasse com ela, mas sabia que não poderia impedi-la de voltar ao trabalho. Ela sempre era uma menina muito obediente.
"Tudo bem, mamãe. Vou esperar por você aqui."
Emilia se inclinou para beijar a bochecha dela novamente, colocou um pedaço de pão nas suas mãos e disse: "Coma isso por enquanto. Depois, levarei você e seus irmãos para um jantar delicioso, está bem?"
"Está bem", respondeu Olivia obedientemente.
Com um sorriso suave, Emilia abaixou o véu sobre o rosto mais uma vez e saiu da sala.
Segurando o pão com força nas duas mãos, Olivia correu até a porta e espiou silenciosamente para fora.
Sozinha, se sentia extremamente entediada.
Deixando o pão de lado, ela tocou no seu relógio inteligente e enviou uma mensagem de voz para Leo e Asher com seu tom gentil: "Onde vocês estão? Estou indo encontrá-los."
Logo depois, um pino de localização apareceu junto com a resposta de voz deles: "Estacionamento subterrâneo."
No estacionamento subterrâneo, Leo e Asher estavam ao lado de um Maybach preto.
Leo cruzou os braços e lançou um olhar pensativo para Asher. "Tem certeza de que esse carro pertence àquele homem horrível?"
Asher estava ocupado desenhando no carro com canetinhas coloridas.
Quando terminou, ele deu um passo para trás e observou seu trabalho com evidente satisfação. "Tenho certeza. Eu mesmo o vi sair deste carro."
Vendo as palavras tortas rabiscadas no veículo, Leo murmurou baixinho: "Esse homem sem caração abandenou sua esposa e filhos."
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