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Capa do romance Uma vilã também ama

Uma vilã também ama

Helena, filha de um marquês, viveu à sombra de abusos cometidos por sua madrasta e meia-irmã. Após enfrentar traições, torturas e uma execução pública, ela renasce milagrosamente com as memórias de sua trágica morte. Determinada a sobreviver, Helena abandona a passividade para abraçar a crueldade necessária contra seus opressores. Em busca de vingança, ela mergulha em um caminho sombrio, questionando se o ódio em seu coração a transformará em uma verdadeira vilã.
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Capítulo 1

— Meu nome Helena significa resplandecente, e em grego é originalmente 'raio de sol'. Então, por que em toda minha vida fui a sombra de outras pessoas e deixei aqueles que me machucaram ditar as regras...? — sussurrei para mim mesma com as mãos trêmulas entre a camisola fina e branca que estava em meu corpo esculpido.

Meus joelhos estavam juntos e firmemente colados ao chão de mármore, eu não ousaria vacilar mais uma vez diante daquela multidão que esperava pacientemente a execução da nobre sem escrúpulos que supostamente teve relações com o príncipe de um império inimigo e que tentou matar a própria irmã por inveja.

Tudo aquilo era mentira! Como eu, descendente da família Laviolette, poderia ter ciúmes de uma filha nascida fora do casamento?

Olhei para cima e entre a multidão que estavam a poucos metros de distância, encontrei aqueles olhos sem expressão que um dia me fitaram profundamente e disseram que não me amava.

Eu não podia culpar o Duque Laurent por estar comprometido com minha irmã.

Desde o início, nos casamos por conveniência, ele me tratou bem, mas deixou bem claro que não me amava. Eu era boba e me apaixonei quando me mudei para a mansão dele e o encontrei muitas vezes enquanto ajudava administrando a residência.

Não demorou muito para ele se tornar frio e parar de me visitar, arrumou uma amante e não passava mais as noites em casa.

Alguns meses depois o divórcio foi formalmente solicitado, eu finalmente descobri que a "amante" que tanto invejava por receber a atenção total do duque era, na verdade, minha linda irmã.

Aproveitando a falta de minha ausência nos eventos sociais como recém-esposa do duque, Alice utilizou essa oportunidade como meio de sedução para fazê-lo se apaixonar por sua aparência delicada e seu jeito fofo de agir.

Levantei minha cabeça, me recusando a deixar as lágrimas caírem enquanto o observava. No fundo, eu podia ver que ele estava triste por onde tudo tinha acabado, mas neste momento, nem mesmo o duque com grande poder no império poderia me salvar dessa armadilha meticulosa.

Aquele homem que nunca teve interesse romântico por mim era o único que estava realmente triste, não o culpava por não me amar, também não me arrependia de tê-lo amado.

O sol estava se pondo, os sinos tocaram uma terceira vez. Uma figura de preto se aproximou de mim, agarrou a corda que amarrava meu braço e me ergueu.

Eu lutei para ficar de pé enquanto mordia meu lábio inferior.

Aquela dor contínua era resultado das várias torturas que sofri na prisão imperial, não havia marcas mas me lembro como se fosse hoje... As agulhas que enfiaram em meus dedos das mãos e dos pés, deixando-as ali por horas até que meu corpo não conseguisse aguentar mais e ficasse inconsciente.

Para minha surpresa, o príncipe Lewis, herdeiro do trono de Eldorado, simpatizou com minha situação, embora só tenhamos nos encontrado algumas vezes quando éramos crianças.

Por debaixo dos panos, ele interrompeu a sessão de tortura que a nova noiva do duque havia preparado para mim. Minha irmã diabólica certificou-se de que não chegasse aos ouvidos de Laurent, caso contrário, aquele personagem gentil e bondoso que ela havia criado seria desmascarado.

Uma rajada de vento soprou na minha bochecha, meu longo cabelo loiro voando pelo ar enquanto a luz natural marcava minhas feições.

O carrasco estava logo atrás de mim, ele me acompanhou até a forca e colocou a corda em volta do meu pescoço.

Encarei o duque mais uma vez, agora minha irmã estava ao lado dele. Aquela pele branca como a neve, lábios rosados e cabelo loiro platinado sedoso. Não queria admitir, mas no fundo eu estava com inveja de Alice, ela mal conseguia esconder o sorriso presunçoso que se formará em seu rosto assim que me viu naquela situação deplorável.

Mesmo nos meus últimos momentos, me peguei imaginando como o Duque, uma pessoa gentil e de status tão elevado, caiu na manipulação de uma garota com uma atuação ridiculamente ruim.

— Parece que com beleza você consegue tudo — confirmei para mim mesma com frieza. — Sim, deve ser isso.

Olhei para o céu com os olhos lacrimejantes, se a justiça divina realmente existia, por que eu estava prestes a morrer daquela maneira? Fui difamada, traída e humilhada, acusada de coisas que nunca fiz, deixei quem me colocou nessa situação ditar as regras e finalmente me passar para trás como uma peça de jogo.

— Se houvesse outra chance, eu faria com que todos provassem seu próprio veneno. — naquele momento, as emoções finalmente tomaram conta de mim e as lágrimas escorreram pelo meu rosto — Todos que me fizeram entrar em tal situação, devem pagar essa dívida de sangue!

Minha hora havia chegado, o carrasco me empurrou um pouco para frente e alguns segundos depois a lei da física coexistindo em nosso universo agiu, quebrando meu pescoço e deixando a multidão eufórica com a cena que acabará de ver.

Os sinos tocaram uma última vez, como um aviso de que a execução havia sido um sucesso.

Em vez da lua aparecer, o céu escureceu e as nuvens negras se juntaram deixando o tempo completamente nublado.

O frio invadiu o local e as pequenas gotas de água cristalina começaram a cair subitamente, e aos poucos, engrossando como uma tempestade raivosa.

A plateia se dissipou e o corpo ficou no mesmo lugar, deixado lá para apodrecer e ser atração pública.

O vento era forte e trovoadas repentinas podiam ser ouvidas. Talvez essa fosse a raiva do céu pela morte injusta da jovem senhorita que só procurava o melhor em todos ao seu redor.

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