
Uma Segunda Chance para o Coração da Luna Quebrada
Capítulo 2
Ponto de Vista de Xenois:
Fiquei observando Riley finalmente pegar no sono, com a luz noturna projetando sombras em seu rosto enquanto ele dormia.
Seu pesadelo finalmente havia acabado, e sua respiração estava estável agora.
Sophia estava sentada na beirada da cama comigo, acariciando suavemente o cabelo dele, num gesto de conforto maternal.
"Obrigada por ter vindo", ela disse, olhando para mim com seus grandes olhos castanhos que haviam me cativado tempos atrás. "Ele só se acalmou quando você chegou."
Me remexi desconfortavelmente, sabendo muito bem que tinha faltado ao jantar com Luna e Ollie. De novo.
"Não tem problema. Ele está tendo esses pesadelos com frequência?"
"Cada vez mais. Ele diz que há um homem das sombras que o visita." Ela se levantou da cama, ajeitando o vestido. "O médico diz que são só medos infantis, mas..."
"Mas você não acredita nisso", completei a frase dela.
Ela balançou a cabeça em negação enquanto me conduzia do quarto de Riley para a cozinha.
O apartamento que eu havia providenciado para eles era modesto para os meus padrões, mas confortável.
Eu queria ter feito mais por eles, mas Luna já estava uma fera por eu estar os ajudando, então tive que ceder.
A culpa bateu forte quando Sophia serviu duas taças de vinho e, mesmo sabendo que não deveria ficar, acabei aceitando.
"Riley perguntou sobre o pai novamente hoje", ela disse suavemente.
Já havíamos conversado sobre isso antes.
Fiquei tenso na hora. "Sophia... "
"Eu sei, eu sei. Falei que o pai dele é uma pessoa especial que não pode estar com a gente agora."
Após tomar um gole de vinho, ela percorreu a borda da taça com o dedo e continuou: "Mas ele vê como você é com ele. Criança não é boba."
"Não sou o pai dele", eu disse firme, embora as palavras parecessem vazias.
Nos últimos meses, eu estava mais presente para Riley do que para meu próprio filho, e cair na real sobre isso me deixou mal.
Meu celular vibrou. Pedi licença a Sophia e peguei o aparelho.
Era uma mensagem de Luna sobre o aniversário de Ollie, que eu tinha esquecido completamente que já estava se aproximando.
Sentindo-me ainda mais culpado, digitei uma promessa rápida de que estaria lá.
"Tudo certo?", perguntou Sophia, se aproximando de mim.
"Tudo bem. Só trabalho", menti na cara dura.
"Você trabalha demais. Prefeito, CEO, Alfa... quando você arranja tempo para você?" Ela me tocou suavemente, e eu não me afastei como deveria.
A verdade era que estar com Sophia e Riley era a única maneira de escapar de tudo — era minha fuga das pressões que vinham com a liderança, da frieza do meu casamento e também das expectativas que todos tinham do grande Xenois Blackwood.
Lá, eu era apenas Xenois, o homem que um dia amou Sophia antes de o dever me afastar.
Mas eu tinha um filho em casa, uma companheira verdadeira e responsabilidades também.
"Tenho que ir", falei, largando a taça quase cheia na mesa.
A expressão de Sophia fechou um pouco antes de ela disfarçar.
"Claro. Riley ficará desapontado por não ter te visto direito. Você vem no aniversário dele na próxima semana?"
Fiquei paralisado, tenso. "Aniversário dele?"
"No próximo sábado. Ele vai fazer seis anos." Seus olhos encontraram os meus enquanto ela continuava falando: "Ele perguntou se você viria e eu disse que ia perguntar."
Sábado que viria... O mesmo dia do aniversário de Ollie, justo quando eu tinha acabado de prometer para Luna que estaria lá.
"Eu... vou tentar passar aqui uma hora", eu disse, mesmo sabendo que era uma promessa que eu não poderia cumprir, pelo menos não totalmente.
Enquanto dirigia para casa pela cidade adormecida, tentei justificar minhas escolhas.
Sophia e Riley precisavam de mim.
Riley não tinha uma figura paterna, e Ollie tinha Luna.
No entanto, as desculpas soavam vazias na minha mente, pois o vínculo entre mim e Luna estava carregado de tristeza e solidão, coisa que eu vinha bloqueando há meses ao focar nessa atração estranha por Riley.
Essa obsessão pelo filho de outra mulher não era normal e, às vezes, eu me perguntava se havia algo de errado comigo.
Estacionei na nossa garagem, olhando para as janelas escuras da nossa casa, imaginando que Luna devia estar dormindo, ou fingindo, assim como Ollie.
Minha família esperando por um marido e pai que quase nunca estava lá.
"Amanhã", prometi a mim mesmo.
"Amanhã vou passar um tempo com Ollie, perguntar sobre a doença dele que Luna vive falando e eu nunca presto atenção. Amanhã vou ser melhor."
Você pode gostar





