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Uma Relação Proibida

Thiago Bellucci, o implacável herdeiro da máfia italiana, vive apenas para o sangue e conquistas passageiras. Sua rotina de assassino cruel muda drasticamente ao encontrar Juliana Kouris, uma jovem humilde de uma ilha de pescadores. Vítima de um erro do pai, ela acaba sequestrada e inserida em um mercado sombrio de mulheres. Durante uma missão de extermínio, Thiago a encontra e decide usá-la em seus planos, dando início a um perigoso e intenso caos pessoal.
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Capítulo 3

— Por nada — gabou-se através da escuta.

— Veja se tem mais alguém.

— Um cara no barco.

— Okay.

Entreguei a garota para um dos meus soldados e fui para o barco. Afundei com os pés na água até a altura dos joelhos antes de conseguir me aproximar da embarcação. Subi na parte de trás e mantive a arma em punho até dar a volta. A única luz e barulho vinham da cabine.

Fui até lá e abri a porta com um pontapé fazendo com que o homem no interior arregalasse os olhos com o susto e desse um salto.

— Tem mais alguém com você? — perguntei com uma voz grossa e impositiva.

— Só os dois que saíram. Quem é você... — gaguejou ficando ainda mais pálido.

Duvidava que aquele velho amedrontado fosse o responsável por toda aquela organização.

— Quem é o seu chefe?

— Eu... é...

— Fala!

— Fui abordado por um homem no mercado de peixe há duas semanas. Ele me disse que se eu ajudasse a transportar uma mercadoria ele me pagaria uma boa grana.

— Que mercadoria?

— Ele disse que era melhor eu não fazer perguntas. — Engoliu em seco. — Mas imagino que seja droga. Essa é só a segunda vez que venho.

— Esse homem é um dos que estavam com você agora?

— Não. Parece que são caras diferentes toda vez.

— Você não está me ajudando...

— Por favor.

— O que sabe sobre as garotas? — Atirei na perna dele e o homem urrou de dor, caindo de joelhos.

— Nada.

Rosnei e o sujeito se encolheu.

— Disseram que são prostitutas.

— Para onde as leva?

— Um lugar chamado ilha vermelha.

— São só garotas inocentes. — Olhei bem nos olhos dele antes de atirar.

Cada um de nós tinha a sua parcela de crimes, eu particularmente já carregava uma bem extensa apesar de ter apenas um quarto de século. Entretanto, se havia algo a me consolar, era o fato de que assassinava aqueles que tinham uma ficha suja o bastante para merecerem o seu espaço no inferno.

— Ettore, ilha vermelha.

— Já estou procurando...

Capítulo seis

Havia me acostumado com os longos períodos em que o meu pai ficava longe de casa, mas daquela vez havia uma sensação ainda mais estranha. Eu não compartilhava com minha mãe a minha desconfiança, porque ela diria que eu só estava atraindo coisas ruins.

Deveria acreditar um pouco mais no meu pai, afinal o que ele estava fazendo realmente melhorou a vida que tínhamos.

Ouvi uma batida na porta que chamou a minha atenção e fez com que eu saísse dos meus pensamentos. Eu só deveria estar procurando coisa onde não tinha. Precisava torcer um pouco mais pelo sucesso do meu pai, pois eu e a minha mãe dependíamos disso.

— Rhea! — Abri a porta e um largo sorriso se formou no meu rosto quando vi a minha melhor amiga. Ninguém melhor do que ela para me fazer esquecer aquelas teorias que estavam me corroendo.

Apesar de ter crescido naquela ilha como eu e ter enfrentado ainda mais dificuldades, como perder a mãe enquanto ainda era muito nova. Ela tinha seu próprio jeito de animar tudo e todos.

— Ei!

— Que bom ver você. Não sabia que viria hoje.

— Meu pai está para chegar e eu queria saber se você pode me dar uma batata e uma cenoura da sua horta. Queria fazer uma sopa.

— Ah, claro! — Dei um passo para trás. — Entra que eu vou lá buscar.

— Obrigada.

— Seu pai está no mar?

— Sim — respondeu num tom breve.

— O meu saiu tem uma semana. Minha mãe está preocupada, mas eu sei que ele vai voltar, ele sempre volta. — Sorri amarelo.

Ele tinha dito que com esse novo emprego voltaria mais rápido para casa, mas não voltou. Talvez houvesse mudado de ideia e só estivesse pescando junto com o pai da Rhea e os outros homens da ilha.

No fundo, apesar da desconfiança, queria acreditar que ele ficaria bem, assim como eu e a minha mãe.

— Às vezes foi para mais longe. Eles fazem isso, em busca de peixes melhores.

Só balancei a cabeça em afirmativa. Talvez fosse bom compartilhar com ela as minhas desconfianças, mas não consegui.

— Vamos até a horta, minha mãe está na cozinha. — Segurei no braço da Rhea e a puxei comigo, mas antes que saíssemos da sala fomos surpreendidas com um estrondo.

O susto me deixou um pouco desorientada e levou um tempo para que eu notasse que alguém havia invadido a casa.

— Onde está o Saulo?!

O cara era amedrontador e a cada passo que ele dava eu sentia como se fosse capaz de destruir a minha casa toda só com o impacto dos seus pés. O pior era que havia outros com ele, pelo menos três homens. Cada pelo do meu corpo se arrepiou e a visão foi ainda mais assustadora do que qualquer filme de terror.

— Meu pai está no mar. — Estufei o peito e tentei não demonstrar o quanto estava apavorada.

— Mentira! Ele desapareceu com o nosso carregamento.

— Que carregamento? — questionei, mas logo todos os meus instintos gritaram um sonoro eu sabia!

Para conseguir todo aquele dinheiro o meu pai havia se metido em algo muito errado e agora aqueles caras estavam ali para cobrar o preço.

— Onde está a droga, garota? — O primeiro me agarrou pelos ombros e sacudiu-me no ar.

— Droga? Que droga?

— Que o seu pai estava transportando para nós.

— Meu pai não mexe com essas coisas não — gaguejei sem acreditar nas minhas próprias palavras.

— Parece que ela não sabe de nada. — Riu um que estava junto.

— Eu não quero nem saber. Só preciso do meu produto.

— Devem ter se enganado — Rhea disse tentando defender o meu pai.

— Se eu fosse você ficava na sua — rosnou para ela e fez com que recuasse alguns passos, completamente assustada. — Procurem pela casa — ordenou aos outros que começaram a vasculhar tudo.

— Cuidado! — gritei quando empurraram a minha televisão e a jogaram no chão. Era um dos bens mais preciosos daquela casa, a minha única passagem para outros lugares e vê-la quebrada partiu o meu coração.

Comecei a chorar sem conseguir me deter e tomei um tapa no rosto que deixou a minha bochecha ardendo e me surpreendeu ainda mais.

— Fica calada, garota!

— Achamos mais essa. — Um dos homens voltou da cozinha e jogou a minha mãe no chão ao nosso lado.

Trocamos olhares e o meu medo do que poderia acontecer conosco aumentou a minha vontade de chorar, mas eu me contive o máximo que consegui para que não apanhasse novamente ou sofresse algo pior.

— E a droga? — O que pareceu ser o líder, insistiu, porém, não conseguiu a resposta que esperava.

— Não achamos.

— Porra, e agora? O que vamos fazer? Quando o chefe chegar vai nos matar.

Havia alguém acima deles que poderia ser ainda mais perigoso do que aqueles caras e a possibilidade me assustou mais.

— Vamos levar as mais novas — sugeriu um deles, alternando os olhares entre mim e a Rhea.

— Levar? — Minha mãe arregalou os olhos. — Por favor, deixe-as em

paz.

— Cala a boca, sua velha! — gritaram com ela.

— Não sei o que o meu marido fez, mas elas são apenas crianças... —

Parou de falar quando bateram nela.

— Mãe... — murmurei baixinho tentando ser inaudível.

Não queria que eles machucassem nenhuma de nós, ao mesmo tempo em que não sabia como poderia agir para nos proteger.

— O que faremos com elas?

— São bonitas, podem servir para acalmar o chefe ou fazer com que o Saulo apareça com a nossa droga.

Um deles caminhou na direção da Rhea, que se afastou ainda mais.

Quando ele a tocou, minha melhor amiga rosnou.

— Não se encoste em mim. — Empurrei a mão do homem.

— Cala a boca, sua vadia! – Agarrou o cabelo dela com tanta força que me fez engolir alguns soluços de pavor.

Na minha mente se passavam as piores coisas que poderiam tentar fazer conosco.

Rhea tentou empurrá-lo, mas não conseguiu, então outro deles me agarrou e percebi que também não tinha escapatória.

— Me solta! — Debatia-me inutilmente, tentando usar toda força que havia em mim para me livrar daquele terrível agarre.

— Larga ela! — Minha mãe tentou me ajudar, mas praticamente foi arremessada contra o chão com a força com que a empurraram.

Eu me debati, eu gritei, chorei e tentei de tudo para não ser levada. Sabia que o meu pai poderia estar envolvido com algo ruim, mas não tinha a

menor ideia das consequências que isso traria para a minha vida.

Tinha levado uma vida humilde, sem muitos recursos, mas éramos felizes ao nosso modo.

Sabia que a culpa daquilo que estava acontecendo conosco era das escolhas erradas do meu pai, no fundo, desde o primeiro dia sentia que algo terrível poderia acontecer. Porém, a minha melhor amiga não tinha nada a ver com isso e estava sendo arrastada para o mesmo caos.

Queria poder ajudá-la, mas não conseguiria salvar nem a mim mesma.

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