Capa do romance Uma Relação Proibida

Uma Relação Proibida

8.3 / 10.0
Thiago Bellucci, o implacável herdeiro da máfia italiana, vive apenas para o sangue e conquistas passageiras. Sua rotina de assassino cruel muda drasticamente ao encontrar Juliana Kouris, uma jovem humilde de uma ilha de pescadores. Vítima de um erro do pai, ela acaba sequestrada e inserida em um mercado sombrio de mulheres. Durante uma missão de extermínio, Thiago a encontra e decide usá-la em seus planos, dando início a um perigoso e intenso caos pessoal.

Uma Relação Proibida Capítulo 1

Desci do avião e tirei os óculos de sol do bolso, colocando-o no rosto. Roma costumava ser quente, mas eu tinha a sensação de que a Sicília era ainda mais. Talvez o clima só estivesse me irritando porque queria saber logo o assunto que o meu primo queria tratar comigo.

Ainda que eu tivesse sido batizado com o nome do pai dele, irmão da minha mãe, a nossa relação familiar costumava ser complicada. Considerando todas as mortes e tramas por vingança que envolveram a nossa família não era simples dizer que havíamos encontrado paz eterna, por mais que a nossa relação fosse boa.

De modo geral, nos dávamos bem, mas aquele convite ficou evidente que não era para um encontro familiar. Para ter me chamado ali, havia uma missão para mim e eu estava ansioso para saber qual.

Um soldado abriu a porta de um utilitário e eu me acomodei nele, enquanto seguíamos para mansão à beira-mar onde o meu primo vivia com a esposa.

Eu não costumava andar com muitos soldados, apenas alguns e quando era extremamente necessário. Por mais que parecesse perigoso, eles chamavam muita atenção e podiam facilmente estragar meus objetivos. Era mais fácil entrar, matar e sair sem chamar atenção estando sozinho.

O carro estacionou na garagem da mansão dos Mancini e eu saí sem esperar que abrissem a porta para mim. Por causa da minha mãe eu conhecia bem aquele lugar, pois ela trazia a mim e aos meus irmãos com frequência quando éramos crianças.

Assim que adentrei a sala eu vi o Luca sentado em um sofá ao lado da Perla e na mesa de centro estavam as crianças. Felipo parecia distraído com um conjunto de blocos de montar enquanto a irmã se sujava de tinta. Ela ainda era muito pequena, mas provavelmente herdaria os talentos da mãe.

— Thiago! — Ela se levantou e veio até mim, cumprimentando-me com um abraço apertado e eu dei um beijo na sua testa.

— Como está, prima?

— Muito bem e você?

— Igualmente.

— Perla, pode nos dar um momento? — Luca se virou para ela que assentiu com um movimento de cabeça.

Ele subiu escada acima e eu o acompanhei sem dizer nada. Entramos em seu escritório e fechei a porta atrás de nós. Luca foi até um pequeno balcão e serviu uma pequena taça de licor para mim e outra para ele.

— Obrigado por ter vindo o mais rápido possível. — Entregou-a na minha mão.

— Tudo pela família. — Tomei um gole.

Ele foi para trás da mesa e se acomodou na cadeira de couro antes de se virar para mim.

— Há um tempo venho recebendo notificações dos meus homens sobre o desaparecimento de garotas nas ilhas. A maioria vem de família pobre, muitas sem qualquer recurso. Você sabe que quando a polícia não faz nada o povo recorre a nós. Tem sido assim há séculos, eles respeitam as nossas regras e nós mantemos o lugar seguro. Não sei quem possa estar por trás disso, mas um ataque ao nosso povo é um ataque a nós.

— Quer que eu encontre o desgraçado e o mate.

— Pode ser só um assassino em série caçando no lugar errado, ou pode haver algo muito maior do que isso, já que nenhuma foi encontrada, viva ou morta.

— Darei um jeito nisso.

— Estou contando com você. A atenção de federais ou mesmo da polícia pode prejudicar muito os nossos negócios.

Imaginava que Luca pudesse ter me chamado ali para lidar com alguém que estivesse causando problemas, mas não esperava algo assim. Seja lá quem fosse o responsável era muito louco ou ingênuo ao pensar que sairia ileso por atacar a população comum na nossa Itália.

Protegíamos as pessoas e em troca elas nos davam sua lealdade e participação nos negócios lícitos. Não era bom para nós que alguém ousasse desafiar essa cadeia, ainda que fossem garotas pobres e desguarnecidas.

— Fez certo ao me informar. Darei um jeito nisso.

— Ótimo! Mais licor?

Balancei a cabeça, fazendo que não. Minha mente já estava fervilhando com os possíveis responsáveis. Ou havia alguém pegando aquelas garotas para se divertir com elas ou tinha uma rede de tráfico de pessoas se aventurando em terras italianas, o que poderia me dar muito mais trabalho. Fosse quem fosse ou quais suas motivações. Iria mostrar para eles que não deveriam cruzar o território dos Bellucci sem lidar com as consequências.

Capítulo dois

Peguei a bacia com os peixes que havia limpado no mar e voltei para o interior da nossa casa. O pouco que tínhamos estava acabando e se meu pai não voltasse com mais logo, teríamos que sobreviver com as batatas e cenouras da horta. Ao menos eu e a minha mãe nos dedicávamos a manter o lugar mesmo com o terreno arenoso da ilha. Caso contrário, poderíamos enfrentar uma situação muito mais complicada.

— Juliana?!

— Aqui estão os peixes, mãe. Vamos salgar um pouco e guardar em latões para que possam durar por mais tempo.

Nossa geladeira havia estragado e com a dificuldade de manter a energia elétrica funcionando na ilha, não era uma das nossas prioridades. Não tínhamos dinheiro para mandar consertar e eu e minha mãe não fazíamos ideia de como começar a tentar.

— Algum sinal do seu pai? — Ela veio com um pote de sal para perto de mim.

Balancei a cabeça fazendo que não.

Já deveria ter me acostumado. Era assim desde que eu me recordava, meu pai saía com outros pescadores, passava dias no mar e às vezes voltava com um pouco de esperança, mas em outras só compartilhava da miséria conosco.

No fundo, uma parte de mim nem tinha expectativas de que aquela situação fosse mudar um dia. Estávamos presas naquele lugar e não restava muito a se fazer a não ser esperar que um milagre acontecesse, o que era improvável.

Eu já tinha vinte anos e alguns dos caras da ilha me rondavam, flertavam e cortejavam, esperando que eu escolhesse um deles para me casar, mas eu não queria deixar a minha mãe sozinha, ao mesmo tempo que não desejava ter uma vida como a dela. Presa na terra enquanto esperava um homem voltar do mar, se é que ele iria voltar.

— Mãe?

Ela levantou as sobrancelhas e parou de mexer com os peixes para olhar para mim.

— O que foi?

— Sabe onde está aquele velho facão?

— Por Deus, para que quer isso?

— Só estava pensando em pegar alguns cocos na praia e trazer para cá. Nossa água potável está acabando e pode ajudar até subirmos na montanha para coletar da nascente.

— Vai acabar se machucando.

— Eu consigo, mãe.

— Por que não pede ajuda ao...

— Mãe. — Interrompi-a.

Ela realmente esperava que eu me aproximasse de um dos homens e o escolhesse como marido, mas eu não estava disposta.

— Tem mais mulheres do que homens na ilha...

— É claro, eles morrem no mar — resmunguei e engoli em seco logo em seguida, pensando que o mesmo poderia ter acontecido com o meu pai.

— As outras moças vão ficar com os melhores e você...

— Estou bem, mãe. — Bufei.

— Você e a Rhea colocaram isso na cabeça?

Só fiz que não. Minha melhor amiga só tinha o pai e queria cuidar dele, não estava preocupada em encontrar um homem dentre os disponíveis na ilha. Ainda tinha o homem da praia, que por mais que ela houvesse parado de falar, eu sabia que ainda mantinha uma paixonite. Um cara que o pai dela havia salvado, um bilionário que provavelmente nunca mais apareceria naquele fim de mundo.

Ao menos teríamos uma à outra e isso era bom.

— Saulo! — Minha mãe deu um grito e eu olhei para a porta vendo o meu pai aparecer quase como se fosse uma miragem.

Ele estava mais bronzeado do que eu me recordava, mas a expressão era cansada e abatida, quase como se houvesse se arrastado até ali.

Minha mãe foi em sua direção e o abraçou.

— Como foi a pesca?

— Eu trouxe dinheiro e comida. Vocês poderão comprar roupas novas e até mesmo carne vermelha...

— Já conseguiu vender todos os peixes, pai? — perguntei com um ar surpreso. Costumava levar um tempo para que ele conseguisse fazer isso e a falta de empolgação nos seus olhos também me deixava desconfiada.

Eu nunca tinha saído daquela pequena ilha de pescadores, possuía apenas educação básica, mas a minha mãe dizia que eu era inteligente e conseguia pegar as coisas no ar. Se havia algo que os meus instintos estavam me indicando era que tinha alguma coisa muito errada com o meu pai.

— Não fui pescar.

— Então como conseguiu o dinheiro? — Foi a vez da minha mãe ficar desconfiada.

— Eu... — Ele engoliu em seco. — Consegui um trabalho transportando um material para uma empresa. Vão me pagar um valor fixo e teremos uma vida bem melhor, eu prometo.

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