Capa do romance Uma Paixão proibida

Uma Paixão proibida

8.9 / 10.0
No último ano em um colégio interno de regras rígidas, Lorena é conhecida por desafiar limites. Após uma trajetória marcada por instabilidades e decepções interpessoais, ela carrega um histórico de fracassos amorosos e relacionamentos vazios. Sem nunca ter vivido um amor real, sua rotina é abalada pela chegada de novos alunos. Entre encontros e incertezas, resta saber se algum desses rapazes conseguirá finalmente conquistar seu coração.

Uma Paixão proibida Capítulo 1

A vida sempre me pregou peças, apesar de ser filha de pais ricos, porém separados, eu nunca tive um exemplo do que é o amor, alias, como eu teria sendo filha de um homem que tudo que importa para ele é sua reputação, talvez seja por isso que eu venho quebrando a cara, meu primeiro relacionamento já de cara me fez enxergar que homem nenhum presta, que suas promessas não passam de palavras vazias, eu queria morrer! o primeiro homem que eu amei me destruiu da pior forma possível, eu o odeio com todas as minhas forças e desejo não vê-lo nunca mais, eu queria poder dizer que ele ainda não mexia comigo, mas eu não sei se estaria sendo hipócrita, que tipo de pessoa ama alguém que destruiu sua vida? E eu sei que me envolver com o filho do amigo do meu pai, e vereador da cidade iria dar merda, não somente porque eu tinha 16 anos na época e ele 22, mas também porque ele foi o primeiro homem da minha vida, e o responsável por tirar parte dela. 

E esse é o motivo por qual eu odeio todos os garotos, inclusive, eu nunca mais voltarei a entregar meu coração para alguém novamente, essa foi a promessa que fiz a mim mesmo, e pretendo cumpri-la a todo custo. 

__Vamos sua preguiçosa! tira logo esse quadril magro da cama! - escutei as vozes das meninas me chamando meio distante.

Eu ainda estava analisando se eu acordei, e se recomendava ou preferia estar dormindo.

___Cara! será que eu tomei alguma bebida ontem? estou tendo alucinações, estou vendo duplicatas? - Esfreguei os olhos sorrindo. E imediatamente dois travesseiros foram lançados contra mim.

___Aii! isso doeu, duas contra uma não vale! - bufei sentando na cama.

___Azar é o seu, quem manda ter amigas em dose dupla. - falou Yasmin fazendo bico.

Vocês devem estar se perguntando, como eu não confundo as duas? simples,  Yasmin tem cabelo curto até os ombros, e Ingrid longo até nas costas, e a personalidade de ambas são distintas, Yasmin é fofinha, delicada, romântica e Ingrid vida louca como eu.

___Vocês têm razão, fazer o que se tiraram a sorte grande, imaginem se fosse ao contrário, e terem que aturar duas Lorenas ? - encarei ambas.

___Deus me livre! falou Ingrid revirando os olhos. __ Se uma nasceu insuportável, imagina duas?

__-Eu também te amo. - a olhei mostrando os dentes.

__ E outra? vocês falam de mim, mas no fundo sei que adoram meu jeito de ser, afinal de contas? o que seria desse colégio sem mim, talvez um convento de freiras? - pisquei e fui no guarda-roupa achar algo para me vestir, comecei a jogar as peças no chão, organização não era muito meu forte. __ Será que não tem nada aqui que eu já não tenha usado?

___ Será? deixa eu ver. - Yasmin chegou atrás de mim de surpresa e sem querer acerto meu sutiã na cara dela.

___Putz, não te vi aí loira. - A olhei sorrindo.

___Percebi, Lore me escuta, não é melhor você colocar o uniforme? você sabe que o diretor odeia ver a gente sem uniforme, ainda mais agora que é a semana de matricula, sempre chegam alunos novos. - me abraçou por trás carinhosa descansando o queixo no meu ombro.

___Por isso mesmo que não vou usar! Deveriam mandar uniformes novos também, do que adianta pessoas novas, e esses trapos velhos que chegam a desmanchar como papel quando molhamos? Esse é meu último ano aqui, e vou fazer tudo o que não fiz nos anteriores.

___Concordo plenamente contigo Lorena! Ingrid se sentou na cama. __ Minha camisa rasgou, e tive que costurar, olha só isso? nossos pais não pagam uma fortuna, para andarmos por ai sem roupa e como mendigas.

___Ingrid, eu te amo garota! - corri na sua direção e dei um abraço apertado.

__Que sorriso maléfico é esse Lorena? Te conheço perfeitamente, o que vai aprontar? - me fitou desconfiada.

___Que bom que você me conhece. - Inclinei o pescoço olhando para ela. Caminho em direção ao guarda roupa, peguei uma tesoura e me viro para elas sorrindo.

___Não! você não vai fazer isso? - me olha incrédula.

Estendi a camisa branca, e fiz um pequeno corte horizontal do lado e rasguei o restante com as mãos, ambas me olharam espantadas, vesti a camisa rasgada que ficou um lado mais curto que o outro, quase mostrando meu top por baixo.

__Agora sim! - falei me olhando no espelho.

__ O diretor vai surtar, ele é totalmente rígido com as roupas. - Yasmin comenta tampando o rosto.

___A culpa não é nossa meninas, o uniforme está velho é natural que se rasgue, e como ele faz questão de nos exigir de uniformes, somente estou cumprindo as regras. - dei de ombros fazendo cara de inocente e riram balançando a cabeça.

__Você é totalmente maluca . - Ingrid me olha sorrindo.

__Agora me fale algo que eu não sei? - pisquei, tirei a camisa e coloquei a blusa que eu estava, peguei a saia azul rodada que era parte do uniforme, a toalha e meus cremes e fui tomar banho, quero ver se ele vai comprar novos uniformes ou não?

Cheguei no banheiro e já haviam garotas lá, detalhe, o banheiro aqui era em conjunto, porém, divididos entre masculinos e femininos obviamente. Cumprimentei as garotas, eu me dou bem com a maior parte das meninas, exceto pela girafa de peruca e suas fieis amiguinhas, é dessa forma que chamo a Helen, porque além dela ser uma girafa, usa um aplique horrível, que mais parece uma peruca dos filmes de terror.

Alias, nosso desentendimento começou quando a peguei com meu ex namorado Thales, eu agarrei naquele aplique dela, como uma criança que agarra seu brinquedo favorito e não solta por nada desse mundo, e joguei na cara dele, ele quase morreu engasgado com tanto bolo de cabelo entalado na garganta, é uma pena que sobreviveu.

Tomei meu banho, tenho a sensação que hoje o dia promete, vesti minha obra prima, e quando sai do banheiro para passar meu batom vermelho, um clássico, as meninas me encararam como se eu fosse um extraterrestre, algumas me perguntavam se era outra moda que eu havia lançado, e olha só, minha língua coçou para dizer que sim, só para ver a cara hilária do diretor por vê-las todas vestidas iguais a mim, se é que posso falar vestida, mas desta vez me contive, não sou tão ruim assim, as vezes eu coloco a mão na consciência.

Peguei minhas roupas e fui em direção ao quarto.

Cheguei e as loiras já estavam prontíssimas me esperando. Sentei na penteadeira me maquiando e penteando meus cabelos loiros.

__Vamos meninas? - falei girando o pescoço na direção delas.

__Você tem certeza que vai ir desse jeito?

__ Até parece que não me conhecem, é obvio. - sorri reluzente e passei por elas ignorando-as.

Ao chegar no pátio, os olhares foram direcionados para mim, me fazendo ser o centro das atenções, os garotos começaram a assoviar e falar gracinhas que me deram vontade de vomitar.

Ao passar por um deles, senti alguém deslizar a mão na minha barriga propositalmente. Brequei no caminho e retornei capturando o sujeito.

___Gostou de me tocar, não é? - levantei a sobrancelha. - Assentiu sorrindo.

__Você é como uma obra de arte Lorena.

__Sou? exatamente por isso não deveria ter me tocado, obras de artes, servem para ser vistas e admiradas, não para ser tocadas, ao menos que queira compra-las, mas te garanto que essa aqui meu bem, não está a venda, principalmente para colecionadores meia boca. - segurei sua mão e entortei seu pulso, ele soltou um gemido de dor, tentou puxar meu cabelo, e me esquivei dando um chute no meio das suas pernas.

__Isso é para você aprender, a não tocar onde não te pertence. - sorri friamente e o soltei enquanto despejava palavrões se lamentando de dor.

Entrei na sala de aula, e todos imediatamente me encararam, não escapei do olhar estreito de Thales, e ácido da girafa, mas eu fiz exatamente o que sei fazer de melhor que é ignorar, coloquei meus fones de ouvidos e comecei a escutar uma música.

__Lorenaa! - escutei me chamarem e virei meu corpo olhando para trás e era a Ingrid.

__ O que foi? - sussurrei

__É melhor se esconder, a senhora irene chegou. - ela sorrio nervosa e dei um sorriso travesso.

Dona Irene era uma mulher de 60 anos, ela odiava qualquer tipo de pouca vergonha, assim que ela se refere, ela foi freira por 30 anos, mas depois desistiu porque se apaixonou e fugiu com o jardineiro, depois a errada sou eu, ela se arrependeu amargamente de ter se deixado levar pelas paixões carnais, por isso, passa sua vida dando conselhos para as meninas, como se vestir e se comportar discretamente. Se ela me ver vestida dessa maneira vai surtar, porque para ela, eu estou nua.

__Boa tarde crianças! Vamos continuar com a leitura?! por favor Lorena pode vir aqui na frente ler? - me chamou com sua voz rouca e calma. - eu juro que tentei ficar na minha.

__Não posso ler aqui mesmo? - mostrei o livro sorrindo sem graça.

___Lorena, aqui na frente por favor.

___Está bem, mas lembre-se foi a senhora que pediu. - Advirto e me levantei indo na sua direção, quando cheguei a uma distância próxima dela me ver, seu rosto ficou pálido como um papel e me olhou espantada.

__Mas, o que significa isso? - apontou trêmula.

__ O que tem minha roupa? se estiver muito feia então eu tiro, desabotoei os botões e arranquei rodando no alto fazendo uma dancinha, ficando somente com o top preto que nem era tão curto, a sala foi a loucura! Emocionados! não podem ver uma barriga de fora - até que escutei um barulho de estrondo caindo ao meu lado. Esbugalhei os olhos, acho que matei a idosa do coração! coloquei a mão na boca fingindo espanto.

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