
Uma grande Paixão na Páscoa
Capítulo 2
— Creio que quando o conhecer melhor, verá que Alex está sendo ele mesmo.
O jovem parecia um pouco confuso pela resposta vaga.
— Acho que não entendeu. Ele mal pode ficar de pé e está... — o rapaz loiro fez uma pausa e olhou por sobre o ombro — ... chorando.
Para Christos ficou claro que aos olhos do jovem inglês aquelas lágrimas masculinas eram o detalhe mais embaraçoso da situação.
— E porque eu deveria me preocupar...?
A expressão do outro homem era um misto de cho¬que e revolta.
— Então, não vai ajudar?
— Não.
— Quando Alex me disse que você era um sujeito frio e mau-caráter, eu duvidei!
Christos sorriu, revelando uma fileira de dentes brancos e pouca cordialidade.
— Problema seu — observou num tom suave. — Se me permite dar um conselho, eu mergulharia a ca¬beça dele em um balde de água gelada e encheria uma xícara com café forte e empurraria pela goela dele abaixo. Não se preocupe tanto. Ele dispõe de um bom plano hospitalar. Agora, se me dá licença, estou espe¬rando alguém. — Com uma leve inclinação de cabe¬ça, dispensou o jovem.
— Tio Carl tem razão. A família Carides pensa que está acima de todos. Mas na verdade, você não passa de um pirata maldito, sem moral, sem escrúpu¬los e sem modos.
O rapaz percebeu que Christos, em vez de ficar ofendido pelo desabafo insultante, sorriu.
Peter não era um jovem muito forte, mas o escár¬nio que vislumbrou nos olhos escuros do grego des¬pertou-lhe um desejo sem precedentes de recorrer à violência física. Mas não o fez, é claro. Estava furio¬so, não insano! E tampouco falava com um homem de negócios sedentário. Christos Carides mal tinha entrado na casa dos trinta e parecia gozar de pleno vi¬gor físico.
O padrinho se deu conta de que os convidados fita¬vam-no curiosos e procurou se acalmar. E, muito mais incomodado com esse fato do que o seu adver¬sário, rangeu os dentes e partiu com tanta dignidade quanto pôde reunir.
Por certo, se sentiria melhor se soubesse que havia alguém por perto que teria aplaudido suas observa¬ções sobre o caráter dos Carides e ainda acrescentaria outras tantas!
Becca Summer, misturada aos convidados, chega¬va próximo ao cordão de segurança. Naquele mo¬mento, sua garganta estava tão seca que por certo não poderia formar mais que duas palavras e não seria capaz de ouvir o que disse, devido às batidas aceleradas de seu coração.
Seis semanas atrás estava atipicamente falante!
— Pessoas como os Carides me deixam enojada! — declarou furiosa, rosnando o nome com desdém.
— Pensam que só porque têm dinheiro e poder po¬dem fazer tudo que bem entendem. — Olhou para a irmã, Erica, e engoliu em seco. — A despeito de quem possam prejudicar.
— Becca, não adianta ficar zangada — retrucou Erica num tom de derrota.
— Quer dizer não se zangue, se vingue? — isto nunca fizera tanto sentido como naquele momento.
— Vingança? — exclamou Erica com um sorriso.
— Isso é sério? Estamos falando dos Carides.
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