
Uma grande Paixão na Páscoa
Capítulo 3
— Então, você pensa que pessoas como os Carides acham que podem fazer tudo que querem? — esbra¬vejou Becca.
— Eu sei que podem, mana.
A réplica desanimada marejou-lhe os olhos de lá¬grimas, que ela lutou para conter e declarou num tom ameaçador:
— Um dia vou ensiná-los que não podem passar por cima das pessoas e escapar ilesos! Você vai ver.
Aquilo fora dito no calor do momento e por certo Becca não acreditara que tal oportunidade pudesse surgir, mas ali estava ela, prestes a fazer um pequeno ajuste na balança da justiça.
E já lamentava o fato de ter sido bem-sucedida!
Naquele instante, pegou um dos transeuntes olhando para sua cabeça e depressa retirou o chapéu de tricô, era o tipo de adorno que as pessoas não cos¬tumavam usar para ir a casamentos elegantes. Passando a mão sobre os cachos pré-rafaelitas, jogou-os para trás, deixando-os cair como uma cascata sobre o tecido escuro do seu casaco.
Não desista da tarefa do dia, Becca. Trabalhar sob disfarce definitivamente não é para você, disse a si mesma, reprimindo um sorriso preocupado.
Parte do problema era que não estava apenas apreensiva, mas também exausta. Não era de admi¬rar, considerando que no dia anterior entrara em seu velho fusca e dirigira a noite toda até chegar ali.
Durante o trajeto descobriu que a adrenalina, a afronta e o artigo de jornal noticiando o casamento do ano podiam fazer uma irmã mais velha protetora ir muito longe.
Por outro lado, carros precisavam de gasolina, o que a fez caminhar quase cinco quilômetros ao longo de uma estrada deserta até o posto mais próximo, às três da manhã.
Depois que tudo aquilo terminasse seria um alívio voltar ao seu estado normal, sensata, consciente e cautelosa. Não costumava agir daquela forma. Não era de sua natureza lançar a precaução ao vento. Na realidade, a inabilidade para ser espontânea fora uma das razões às quais Roger atribuíra o fracasso do re¬lacionamento deles.
A família e os amigos a incentivaram e apoiaram, quando o anúncio do compromisso de Roger com uma loira deslumbrante aparecera no jornal local, na semana seguinte ao rompimento deles. Becca, saben¬do que na condição de noiva abandonada deveria es¬tar se sentindo mais traumatizada, recebera as condo¬lências com um certo grau de culpa.
Depois de algumas semanas o papel de vítima pa¬tética começou a incomodá-la.
Quando contara o ocorrido à irmã, Erica lhe dis¬sera:
— Não se preocupe. Daqui a algumas semanas eles terão um novo escândalo para se deliciarem.
Na ocasião, nenhuma das duas podia suspeitar que seria Erica a protagonista do novo escândalo!
A irmã contara à família sobre sua gravidez não planejada no mesmo dia em que a ambulância fora chamada ao asseado trailer Edwardian onde Becca e Erica haviam crescido.
Mas fora muito tarde para salvar o bebê.
Depois, em casa, com a promessa de que tudo fica¬ria bem e que a filha mais nova teria alta no dia se¬guinte, a família Summer sentara na sala, encarando-se mutuamente.
Reconhecendo que os pais idosos ainda estavam muito chocados com a notícia, Becca fizera a única coisa que lhe ocorreu no momento: um chá.
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