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Capa do romance Uma década de amor equivocado, um mar de ódio e paixão

Uma década de amor equivocado, um mar de ódio e paixão

Por dez anos, ela foi médica e amante de um homem perigoso, acreditando que sua dedicação mudaria o destino. Contudo, o retorno de um antigo amor dele revela a cruel verdade: ela era apenas uma substituta descartável. Após ser humilhada e convidada a organizar o casamento de quem amava, ela decide colocar um fim na própria servidão. Faltando uma semana para completar uma década de devoção, ela solicita o rompimento definitivo de todos os laços com a família dele.
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Capítulo 1

Por dez anos, Nina Avery permaneceu ao lado de Julian Blackwell. Na superfície, ela era apenas a sua médica particular. Mas, na verdade, também era a mulher a quem ele recorria para satisfazer seus desejos físicos.

Quando ele voltava de confrontos violentos, ferido e sangrando, era ela quem tratava as suas feridas. E quando a solidão o consumia no silêncio da noite, era ela quem o confortava sua alma.

Nina acreditava que, se desse o suficiente de si mesma, um dia alcançaria o coração dele.

Porém, quando a mulher que Julian sempre amou retornou repentinamente, a utilidade de Nina desapareceu. Para Julian, ela se tornou algo descartável.

Até o assistente dele não conseguiu suportar a situação e tentou persuadi-lo a valorizá-la. Mas Julian apenas soltou uma risada desdenhosa.

"Nina nunca fez parte dos meus planos de vida. Só a mantive por perto porque ela se parecia um pouco com Aria."

Naquele instante, a devoção de Nina pareceu uma piada cruel.

Mais tarde, quando Julian passou um braço em torno da cintura de Aria Monroe e casualmente pediu que Nina ajudasse a organizar o casamento, ela não chorou, nem fez barraco. Apenas sorriu até seus olhos ficarem vermelhos e concordou em silêncio.

Então, virou-se e fez uma ligação.

"O contrato de dez anos expira em sete dias. Estou solicitando o término. A partir deste momento, não terei nenhuma ligação com a família Blackwell."

.....

Dez anos antes, com apenas dezoito anos, ela havia assinado um contrato de sangue com a família Blackwell no funeral de seu pai. Em troca de um futuro seguro, permaneceria ao lado de Julian como sua médica particular por dez anos.

Agora, aos vinte e oito, Nina estava no corredor do terceiro andar da Mansão Blackwell, segurando o contrato que estava prestes a expirar. Seu coração batia descompassado no peito.

Ela deveria ter partido calmamente. Mas, em algum momento durante aqueles anos, ela se apaixonou por Julian.

Não porque ele era o herdeiro da família Blackwell de Serricilia. Não porque controlava metade da organização criminosa de Eastridge, mas simplesmente porque ele era... Julian.

Assim que estava prestes a confessar seus sentimentos, a voz profunda e agradável dele ecoou do escritório. "Aria retorna amanhã. Avise a todos. O quarto dela deve estar exatamente como era há dez anos. O banquete de noivado será no outono. Vou me casar com ela."

O assistente hesitou. "Senhor Blackwell, e quanto a Nina?"

Julian ficou em silêncio por um momento e então soltou uma risada baixa. "Ela nunca fez parte dos meus planos. Só a mantive por perto porque ela se parecia um pouco com Aria."

Nina congelou onde estava, como se um balde de água fria tivesse sido jogado sobre ela.

Aria. A garota que Julian amara na juventude, mas nunca pôde ter.

A jovem médica que ficou ao lado da cama dele a noite inteira quando ele foi gravemente ferido em um tiroteio aos dezesseis anos.

A amiga de infância que foi forçada a partir para Nuwhuenia porque suas famílias não permitiam o relacionamento, o motivo pelo qual ele permaneceu solteiro por dez anos.

Nina de repente se lembrou de que Aria também era médica.

Antes de Nina aparecer, sempre fora Aria quem tratara os ferimentos de Julian, preparava seus remédios e ficava ao lado dele em cada momento em que enfrentava a morte.

Então, por dez anos, Nina foi apenas a sombra de Aria.

Julian permitiu que ela ficasse perto apenas porque ela compartilhava o profissionalismo calmo e as habilidades médicas de Aria. Até mesmo… seus traços físicos tinham uma leve semelhança.

Nina se encostou à parede fria, suas unhas cravando-se na palma da mão para impedir que chorasse alto.

No dia em que Aria retornou, ela usava um vestido de veludo vermelho. Com nada mais do que um leve sorriso, tornou-se o assunto de toda a cidade.

Julian foi pessoalmente ao aeroporto buscá-la. No momento em que entraram no saguão, abraçaram-se e se beijaram profundamente.

Foi um beijo que Nina nunca recebeu dele.

Ela estava na varanda do segundo andar, assistindo em silêncio.

Sua mente voltou à véspera de Natal no ano anterior, quando, levemente embriagada, ela ficou na ponta dos pés, tentando beijar Julian.

Ele virou o rosto e disse suavemente: "Nina, pare com isso."

Na época, ela chegou a pensar que ele era reservado, autocontrolado, respeitoso.

Mas só agora entendia. Ele simplesmente não gostava dela.

Julian entrou na sala de estar segurando a mão de Aria. Seu olhar passou brevemente por Nina enquanto ele falava com seu tom calmo habitual. "Nina, esta é Aria Monroe. Ela ficará na ala leste a partir de agora. Certifique-se de que ela esteja confortável."

Nina abaixou os olhos. "Sim, senhor Blackwell."

Aria deu um passo à frente com um sorriso radiante e entrelaçou o braço no de Nina. "Doutora Nina, Julian fala de você o tempo todo! Ele diz que você o salvou mais vezes do que ele pode contar. Você é praticamente nossa heroína!"

As palavras "nossa heroína" cortaram direto o coração de Nina.

Naquela noite, Julian organizou um luxuoso banquete para dar as boas-vindas a Aria.

O salão foi preenchido com figuras poderosas de toda a Costa de Eastridge. Brindes foram feitos um após o outro, parabenizando Julian por finalmente trazer de volta a mulher que sempre amou.

Nina se desculpou cedo, alegando que não estava se sentindo bem.

Ela mal havia saído do salão de jantar quando Julian a chamou.

Ele estava sob a luz do luar, seu terno perfeitamente ajustado. Atrás de seus óculos de aro dourado, seus olhos eram impossíveis de decifrar. "Ouvi dizer que você foi um pouco fria com Aria hoje."

Nina congelou por um momento. Por um breve segundo, ela viu o Julian que conheceu dez anos atrás, a mesma presença marcante que tornava impossível desviar o olhar.

Ela abaixou ligeiramente o olhar. "De forma alguma."

"É melhor não ter sido." O tom de Julian permaneceu gentil, mas a autoridade por trás dele era inconfundível. "Aria foi muito protegida durante toda a vida. Por isso é uma moça muito ingênua. Se você algum dia a tratar mal, sabe exatamente como lidarei com as coisas."

Um calafrio percorreu todo o corpo de Nina.

Esse era Julian. Parecia um cavalheiro na superfície, mas era impiedoso.

Ela assentiu. "Entendido."

Julian se virou para partir.

Finalmente, Nina reuniu coragem para fazer a pergunta que guardava em seu coração há dez anos. "Julian, estive ao seu lado por dez anos. Será que houve sequer um momento em que você..."

A voz indiferente de Julian a cortou. "Não."

Com isso, a figura de Julian desapareceu no corredor.

O corpo de Nina tremia levemente. Ele nem sequer esperou ouvir o restante de sua frase antes de cortar todos os sentimentos que ela carregava por ele.

De volta ao seu quarto, ela imediatamente ligou para Edmund Blackwell.

"Senhor Blackwell, o contrato de dez anos expira em sete dias. Estou solicitando o término. Aceitarei a compensação que me cabe e, a partir desse momento, não terei mais nada a ver com a família Blackwell."

Houve um longo silêncio do outro lado antes que a voz envelhecida de Edmund falasse. "Nina, você realmente quer ir embora? Todos podem ver que você ama Julian."

Nina falou suavemente. "Mas ele não me ama."

Edmund suspirou. "Muito bem. Em sete dias, você terá tanto o cheque quanto sua liberdade."

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