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Capa do romance UM ROMANCE DE NATAL - ESPECIAL DE NATAL

UM ROMANCE DE NATAL - ESPECIAL DE NATAL

Angelinna Fagundes apresenta seis contos natalinos repletos de emoção. Acompanhe encontros inesperados: uma carona dividida com um advogado arrogante, uma competição picante na Harrods e uma paixão secreta entre funcionária e chefe em uma cidade de neve. Entre festas de Hollywood, elevadores parados com colegas atraentes e conexões raras após acidentes, essas histórias revelam que os milagres de Natal surgem onde menos se espera, transformando desejos em realidade.
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Capítulo 2

SEXY SCROOGE

CAPÍTULO UM

- Você tem que estar brincando comigo, - murmurei para mim mesma quando abri a porta da frente do meu prédio. - Perfeito. Apenas perfeito. - O vento uivava e soprava flocos do tamanho de frisbees na minha cara. Eu puxei o capuz do meu casaco, coloquei alguns cachos rebeldes atrás das minhas orelhas, e puxei as cordas para apertá-lo ao redor do meu rosto. Meus olhos e nariz eram as únicas coisas que permaneciam expostas. Estreitando os olhos, tentei ver através da densa neve procurando minha carona. Um carro entrou na minha rua, e as luzes de freio acenderam quando ele diminuiu a velocidade e encostou no meio-fio. Pelo menos meu Uber chegou rapidamente. Pelo menos eu esperava que fosse o meu Uber, porque fiz uma corrida sem me dar ao trabalho de verificar a placa.

Meu capuz ainda estava cobrindo meu rosto quando entrei na parte de trás do carro escuro e bati a porta, o que provavelmente foi o motivo pelo qual demorou alguns segundos para registrar que o assento onde eu tinha acabado de sentar não era realmente um assento.

- Humm. Com licença, - uma voz profunda disse. A voz profunda de um homem cujo colo eu tinha acabado de sentar.

Assustada, as coisas se tornaram uma merda depois disso.

Eu gritei diretamente em seu rosto. Então comecei a reagir e bater nele seriamente.

- Que porra é essa? - O homem gritou.

Agarrando meu peito, senti meu coração martelar contra as minhas costelas. - Quem é você? Que diabos está fazendo?

- Você acabou de subir no meu Uber, pulou no meu colo, me deu um tapa na cara e quer saber quem eu sou ? Quem diabos é você?

- Eu pensei que fosse o meu Uber.

O motorista que eu nem tinha notado decidiu se manifestar. - Este é um Uber compartilhado. É a maldita corrida de ambos.

- Uber compartilhado? - Sr. Voz Profunda disse. - Eu não pedi nenhum carro compartilhado.

Ele pode não ter, mas eu definitivamente tinha pedido do Uber Pool. Era mais barato, e Deus sabe que eu precisava economizar um dinheirinho onde pudesse. - Eu pedi um compartilhado.

Foi então que percebi que ainda estava sentada no colo do outro passageiro. Eu levantei minha bunda o melhor que pude dentro dos limites do banco traseiro. -Humm. Você acha que pode chegar para lá para que eu não esteja impregnada (ejetada) se sofrermos uma batida?

O Sr. Voz Profunda murmurou algo que não consegui entender enquanto deslizava para o outro lado do carro. Ele tirou o celular do bolso e começou a rolar. - Eu não uso carros compartilhados. Tenho certeza de que isso é algum tipo de erro.

O motorista bufou. - Bem, você usará hoje. Porque foi que você pediu. É isso ou você pode sair e andar. Não há muitos outros motoristas saindo nesta bagunça hoje. O que vai ser? Minha mulher comprou um presunto para fazer no forno, e eu tenho gêmeos de três anos que esperam que seus presentes estejam embrulhados quando se levantarem amanhã de manhã. Você é minha última corrida do dia.

Sentando-me no meu lugar, desatei meu capuz e finalmente olhei para o meu companheiro de viagem. Obviamente ele tinha que ser lindo. Com seus óculos grossos, mandíbula quadrada e ombros largos, ele me lembrou de Clark Kent. Claro que eu não poderia me envergonhar na frente de um cara feio. Deus me livre.

- Tudo bem, - resmungou o passageiro. - Apenas siga. Eu não posso me atrasar.

Eu me inclinei para frente no meu assento enquanto o motorista arrancava do meio-fio. - Você pode apenas ter certeza de me deixar primeiro? Eu também não posso me atrasar.

Clark Kent balançou a cabeça. - Certo. Pula no meu colo, me dá um soco e me atrasa.

Eu tinha esquecido totalmente que eu tinha batido nele. - Sinto muito por bater em você. Foi uma reação impulsiva. Mas quem senta dentro de um carro parado no meio-fio enquanto espera que outra pessoa entre, afinal?

- Uma pessoa que acha que não está pegando um Uber compartilhado. Eu nem vi você vindo em direção ao carro. Há uma nevasca lá fora, caso você não tenha notado.

- Talvez da próxima vez você deva ter mais cuidado quando pedir o seu Uber.

- Não haverá uma próxima vez. Confie em mim.

- Oh? Eu te assustei por toda a vida? Você sabe que alguns homens podem achar que é seu dia de sorte quando uma mulher cai no seu colo.

Clark olhou para mim pela primeira vez. Seus olhos fizeram uma rápida varredura do meu rosto. - Eu só estou tendo um dia de merda. Mês de merda, diga-se de passagem.

Eu tinha certeza de que, qualquer que fosse a sorte de merda que o homem lindo ao meu lado tivesse tido ultimamente, não chegava aos pés dos meus últimos meses. Então, decidi compartilhar. - Ontem, eu estava em um ônibus que cheirava a vômito. Uma doce velhinha sentouse ao meu lado e adormeceu com a cabeça no meu ombro. Quando saí do ônibus, percebi que ela havia me assaltado e roubado meu relógio. No dia anterior, um bêbado em uma roupa de Papai Noel tocando um sino do Exército da Salvação agarrou minha bunda quando passei. Eu bati nele e então lhe disse umas verdades, só para me virar e encontrar uma tropa de escoteiros que tinha assistido a coisa toda - menos ele agarrar minha bunda - e todos começaram a chorar. Tudo o que viram foi que eu tinha dado um soco no Papai Noel. Alguns dias antes disso, disse a minha vizinha que cuidaria de sua gata enquanto ela e a filha de oito anos saíam da cidade para passar a noite. Eu cheguei em casa do trabalho e a coisa peluda estava deitada na minha cama, bem onde eu durmo - morta . A garotinha chora toda vez que a vejo no corredor agora. Tenho certeza que ela acha que sou uma assassina de gatos. Ah... e não vamos esquecer que hoje é véspera de Natal, e em vez de ir ao Rockefeller Center para que meu namorado de quatro anos possa me pedir em casamento sob a grande árvore – algo que sonhei desde que era uma garotinha - eu estou indo ao tribunal para ser despejada pelo idiota faminto por dinheiro do meu senhorio. - Eu respirei fundo e deixei sair o ar quente. - O tribunal não deveria estar fechado na véspera de Natal?

Eu aparentemente o deixei sem palavras com o meu discurso porque ele não estava dizendo nada.

Clark Kent olhou para mim por um tempo antes de finalmente dizer: - Não, na verdade, os tribunais nunca fecham na véspera de Natal, apenas no dia de Natal. Passei muitas Vésperas de Natal no tribunal.

Eu arqueei minha testa. - Oh sim? Você é um criminoso ou algo assim? Por que isso?

Ele deu um sorriso. - Eu sou um advogado da promotoria.

Estreitei meus olhos. - Realmente...

- Isso te surpreende?

- Na verdade, não... agora que penso nisso, você parece o tipo arrogante de terno .

- Arrogante de terno?

- Sim, você sabe... pretensioso, autoritário, controverso... sabetudo. Essa foi a minha primeira impressão de você e o trabalho se encaixa.

- Sabe-tudo? Você acabou de me chamar de inteligente? - Ele piscou.

Deus, ele é meio que adorável de uma maneira idiota. Encantador também. Talvez eu deva tentar ser um pouco melhor.

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