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Um professor Irresistível

Após fugir do próprio casamento e se mudar para São Paulo, a metódica Lilian Ribeiro tenta reconstruir sua autoestima. Entre o novo emprego e o apoio de um grande amigo, sua vida cruza com a de Heitor Bianchi, um intenso professor de Direito Penal que valoriza cada segundo após ganhar uma nova chance de viver. Disposto a ajudar a secretária ruiva, o herdeiro de uma vinícola toscana propõe um plano inusitado que acaba envolvendo ambos em uma mentira imprevisível.
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Capítulo 2

As horas passam e recebo uma mensagem do meu noivo dizendo que irá levar algumas coisas para o nosso apartamento e já vai aproveitar para receber alguns presentes de casamento, me avisa que ficará o resto do dia fora, pois tem várias reuniões para deixar em dia antes de sairmos em lua de mel. Compramos esse apartamento para morarmos assim que nos casarmos. Henrique é candidato a deputado federal, um homem íntegro que conheci através do meu pai, e apesar de ser um pouco ciumento e meio intolerante com relação às roupas que devo usar, ele é um cara maravilhoso pelo qual sou apaixonada.  

 Ouço meu celular tocar e logo atendo a ligação.  

— Alô! 

— Olá, senhora Ribeiro. Aqui é Keyla que ficou responsável pelo recebimento e entrega dos presentes do casamento. 

— Ah, sim, pode falar. — Henrique contratou uma pessoa para receber todos os presentes e depois enviar para o nosso apartamento, pois só nos mudaremos após voltarmos da lua de mel.  

— É para avisar que o entregador ficou com uma caixa que faltou entregar, peço para deixar na recepção? — ela pergunta constrangida. 

— Pode mandar entregar lá no nosso apartamento, meu noivo deve estar por lá. — Constato que faz pouco tempo que me disse por telefone que iria para lá. 

— Então, senhora, o entregador já está lá, porém não tem ninguém para receber a encomenda. Estamos tentando falar com seu Henrique, mas ninguém atende. 

 — Droga! Ele deve ter ido para a reunião. Keyla, o entregador pode aguardar uns 15 minutos? Eu trabalho aqui perto e posso chegar rápido para receber a caixa.  

— Claro, senhora. Ele vai ficar aguardando. 

— Obrigada — agradeço de forma gentil e começo a ajeitar minhas coisas. Mas por dentro estou fula, o que pode dar mais errado hoje? 

Desligo o computador, pego minha bolsa e minha agenda, observo minha sala para ver se tudo está em ordem e sigo para o estacionamento pegar meu carro.  

Assim que estaciono, já encontro os entregadores na entrada de serviço e eles me entregam a caixa de um dos presentes de casamento. Agradeço-os por terem me aguardado e me despeço chegando ao meu apartamento, em frente à minha porta, coloco a enorme caixa de presente no chão e procuro as minhas chaves na bolsa. Finalmente as encontro e destranco a porta, giro a maçaneta desconfiada e ao entrar percebo que apenas os abajures que escolhi a dedo e que ficam na sala estão acesos deixando o ambiente em uma iluminação meia-luz.    

Sem entender absolutamente nada, coloco lentamente a caixa no chão, meu coração parece que vai sair pela boca. Passo lentamente meus olhos analisando cada de detalhe da nossa sala de estar, desde o tapete turco em tons azuis que Henrique fez questão de comprar, as cortinas de linho que escolhemos junto e quando foco no sofá, vejo algumas peças de roupas do meu noivo jogadas como se tivessem sido tiradas às pressas. 

 Olho com mais atenção, notando um vestido largado no chão, engulo a bile que tenta subir em minha garganta. Aquele vestido não era meu!  Nunca me vi em um vestido tão sexy. Henrique jamais permitiria que vestisse algo assim, e mesmo sabendo que ele não mandava em mim, só o fato de ficar ouvindo-o dizer que quem se vestia assim era taxada como biscate e puta, já me deixa sem vontade de usar. Mesmo não concordando com ele e seu pensamento retrógrado, nunca sequer cogitei em vestir algo tão sensual. 

Estava tentando entender tudo aquilo quando ouço um gemido vindo do nosso quarto. Meus pés congelam, passam a pesar toneladas como se tivessem algum tipo de concreto neles.  

Forço-me a ir até onde seria nosso quarto, no lugar em que escolhemos para viver uma vida juntos, onde fizemos planos e pretendíamos construir uma família. Caminho, decidida a ter a certeza do que está havendo, mesmo ouvindo apenas gemidos e respirações abafadas, já sabia de quem eles eram. Mas... eu preciso ver. Eu preciso ter certeza. Observo a porta do nosso quarto apenas encostada e aqui os gemidos estão em alto e bom som. Empurro a porta lentamente, olhando meu pior pesadelo se materializar bem na minha frente.  

Levo as mãos aos lábios, tentando fortemente aplacar o horror que sinto. Vendo Henrique sem blusa mamando de forma sedenta no seio da minha irmã que está apenas de calcinha sentada sob um pequeno sofá que há em nosso quarto. Os dedos dele a masturbam por entre o tecido fino e ela geme de forma incontrolável agarrando seus cabelos com força sentindo algo que ele nunca deu a mim, prazer.  

Não que nossa relação na cama não fosse boa, mas o prazer de Henrique sempre vinha primeiro que o meu. Ele dizia que eu devia me esforçar para agradá-lo e eu tentava, me esforçava ao máximo, pesquisava escondido e assistia a filmes também já que ele dizia que isto era coisa de gente impudica. Olhando a cena se desenrolando à minha frente agora... concluo o quanto fui idiota.  

Burra. 

 Estúpida e tosca. 

— Henrique! Mas que porra é essa? — grito! De pavor, de horror, sentindo dor e nojo. Nunca imaginei que a rivalidade da minha irmã chegaria tão longe.  

Quando os dois me olham simultaneamente. Henrique se assusta com meu berro e se afasta lívido ao me ver em pé olhando toda aquela cena lastimável. Leona me encara com um sorriso jocoso, pegando lentamente seu sutiã que estava jogado no chão e colocando-o, ajeitando sua lingerie vermelha.  

— Por que sua desgraçada? Por quê? — grito descontrolada, chorando, perdida em raiva e decepção.  

— Lilian, amor não é isso... — Gargalho feito uma louca, alucinada totalmente abalada.  

— Não é o que eu estou pensando? Quer dizer que você não está comendo a vadia da minha irmã no nosso apartamento, dentro do nosso quarto, um dia antes do nosso casamento, seu desgraçado?  

— Ah, Lilian, você sempre soube que eu era melhor que você, sempre! Não foi nenhuma novidade seu noivinho ter me procurado para aquecer a cama dele já que você deve ser pior que uma geleira... 

— Sua vaca! Desalmada! — Choro de ódio, avançando nela. — Eu era sua irmã, sua filha da puta! — Dou-lhe uma bofetada na cara com toda a força e a xingo, tentando exorcizar toda a dor que sinto enquanto ela tenta se afastar. 

— Leona, cale-se! — Henrique mira um olhar furioso para ela, pegando-me pela cintura e impedindo que eu acabe com a raça dela ali mesmo. — Se controle, Lilian! Vamos conversar civilizadamente, 

— Me solta! Me solta, seu cretino! — Debato-me enquanto meu ex-noivo tenta me conter porque estou fora de mim ainda querendo avançar nos dois.   

— Lilian, você está de cabeça quente, vamos conversar com calma... — Solta-me aos poucos e tenta conversar.  

— O quê? Não tem o que conversar! Vocês me traíram! Já imaginou se fosse eu no seu lugar, Henrique? Hum, se fosse eu trepando com outro no nosso apartamento?! — berro. Já não há motivos para lucidez. O que fizeram comigo é desumano. 

— Eu os mataria — afirma rápido com semblante furioso, e eu dou uma risada irônica que ecoa pelo apartamento. 

— É exatamente a vontade que sinto agora! Matar você! Matar essa cadela que se diz minha irmã! — cuspo as palavras, enquanto as lágrimas rolam do rosto. — Acabou! Ouviu?! Vocês dois morreram pra mim! 

Minha irmã me olha como se não fizesse a menor diferença o que digo. Como ela consegue ser tão fria? Como pensei que poderia ter algum tipo de vínculo com ela um dia? Meu coração se despedaça... 

— Não pode jogar toda a culpa para cima de mim! — Henrique grita ao constatar que não mudarei de ideia, coloca as mãos na cintura e direciona a mim um olhar irritado.  

— Você está brincando comigo? — pergunto, gargalhando cinicamente ao ouvir aqueles absurdos. Pra mim já era o suficiente, bato em retirada tentando assimilar o que sinto por dentro. E a única palavra que vem em minha é que estou... 

Morta. É exatamente como me sinto.  

Saio do quarto a passos rápidos e no caminho alcanço alguns porta-retratos com nossas fotos, jogo-os com toda força no chão, fazendo-os se estilhaçarem um a um em mil pedaços. Não me interessa os danos que causarei ou se os vizinhos irão reclamar só quero que os dois vão para o inferno!  

Minha vontade é de queimar o apartamento inteiro com eles dentro.  Henrique ainda tenta me alcançar, e como um perfeito idiota que é... me culpar pelo que aconteceu ali... 

— Claro! Sempre tão certinha. Fazendo planos e mais planos. Decidindo como seria nossas vidas de forma milimetricamente calculada. Você é pior do que um iceberg na cama, Lilian! — me acusa aos berros e completa: — Me dava tédio comer você! E às vezes, você consegue ser irritante pra caralho! — Termina de jogar a última pá de terra sobre a minha própria cova. Sinto-me envergonhada e rebaixada a nada. Meus olhos cheios de lágrimas fitam Leona que abre um sorrisinho debochada e murmura um "Eu te avisei". 

Olho para ele não sentindo nada. Oca e totalmente vazia, retiro meu anel de noivado e jogo nos dois. Leona apenas me encara com um sorriso perverso e vitorioso.  

— Você sempre o quis, não é? Sempre invejou tudo que era meu, apesar de eu não ter nada! Pois faça um bom proveito. Vocês dois se merecem! — Dou as costas para as duas pessoas que mais amei e que me traíram de maneira tão sórdida.  

***

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