
Um Jogo Perigoso de Amor
Capítulo 2
O teto branco do quarto do hospital entrou em foco.
Meu ombro latejava.
Não tanto quanto meu coração.
Luzes vermelhas e azuis piscavam do lado de fora da janela, pintando as paredes estéreis.
A música alegre do meu casamento foi substituída pela estática áspera dos rádios da polícia.
Lembrei-me do rosto de Heitor, frio, distante.
Do corpo caído do meu pai.
Um soluço escapou de mim.
Onde estava Heitor? Ele deveria estar aqui.
Mesmo que ele tivesse prendido meu pai, ele não me abandonaria assim.
Uma mulher de rosto afiado e terno entrou. Agente Ramires, dizia seu distintivo.
"Alana Reis?"
Eu assenti, minha garganta apertada.
"Precisamos fazer algumas perguntas sobre as atividades do seu pai."
Sua voz era seca, desprovida de simpatia.
"Especificamente, sobre os negócios dele perto do aniversário da morte da sua mãe."
Minha mãe.
Seu acidente de trilha no Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Anos atrás.
Por que trazer isso à tona agora?
"O Heitor... ele se machucou?", perguntei, uma esperança desesperada e tola.
Ramires olhou para mim, um brilho de algo indecifrável em seus olhos.
"O Agente Bastos está bem. Ele é dedicado ao trabalho."
As palavras foram um tapa. Agente Bastos. Não Heitor.
"Ele tem uma vida real, Sra. Reis. Compromissos dentro da PF."
Vida real.
Então eu era a falsa.
"Ele... ele tem outra pessoa?" A pergunta foi um sussurro, vergonhoso.
Eu precisava saber quão completa era a mentira.
A expressão de Ramires não mudou.
"O Agente Bastos é um profissional. A vida pessoal dele é problema dele."
Mas seus olhos diziam mais. Diziam, sim, claro que ele tem, sua tola.
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