
Um Jogo Perigoso de Amor
Capítulo 3
"Posso vê-lo?", perguntei à Agente Ramires na manhã seguinte. Minha voz estava rouca.
Ela nem sequer levantou os olhos dos papéis.
"O Agente Bastos está ocupado com a investigação. Ele não tem tempo para contato com civis que não seja pertinente ao caso."
Contato com civis. Era isso que eu era agora.
Escondi meu rosto no travesseiro barato do hospital.
As lágrimas vieram então, quentes e silenciosas.
Ele nunca me amou.
Foi tudo uma atuação.
Meu celular, milagrosamente devolvido a mim, estava na mesa de cabeceira.
Lembrei-me de ter enviado uma mensagem para ele na noite anterior, antes do casamento.
"Mal posso esperar para ser a Sra. Bastos. Te amo mais que tudo."
Ele não respondeu.
Eu pensei que ele estava ocupado com os preparativos de última hora do casamento.
Meu polegar pairou sobre o contato dele.
Talvez se eu ligasse. Talvez ele explicasse.
Chamou. Uma vez. Duas.
"Bastos." Sua voz, seca, impaciente.
"Heitor, é a Alana."
Silêncio.
Então, "Este número é apenas para assuntos oficiais da PF. Não ligue mais."
A linha ficou muda.
Tentei de novo.
Uma mensagem gravada: "O número para o qual você ligou bloqueou chamadas do seu número."
Bloqueada.
Ele me bloqueou.
A dor no meu ombro era uma pontada surda comparada a isso.
Os dias se arrastaram.
Mais perguntas. Mais salas estéreis.
As enfermeiras eram gentis, mas distantes.
Eu era a filha de um chefe do tráfico. Uma pária.
Mas eu não acreditava. Meu pai? Escorpião?
Não era possível. Ele era um filantropo. Um senador.
Ele me amava.
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