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Capa do romance Um Gangster em Minha Vida

Um Gangster em Minha Vida

Hallie buscava propósito e emoção em sua rotina pacata, mas um encontro frustrado a deixou revoltada. No entanto, sua vida muda drasticamente ao presenciar um tiroteio e cruzar o caminho de Ares Crawford. O cruel líder da máfia é salvo pela jovem em um beco escuro, gerando uma dívida de vida que ele se recusa a ignorar. Determinado a quitar esse favor e avesso a pendências, o perigoso gangster decide arrastar Hallie para o seu submundo de crime e luxo.
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Capítulo 2

Ares

    A vi acenar com convicção e se encolher, arrancando os saltos altos, ganhando um minuto inteiro de minha atenção enquanto a observava o fazer. Voltei a olhar para longe, vigiando nosso  esconderijo. Uma bala perdida chicoteou a parede oposta, me fazendo em um susto puxar a garota contra meu peito mais uma vez e me encolher completamente quase a esmagando contra mim.

      Em um impulso, me levantei, minha mão alcançou a dela cruzando nossos dedos com força. E só soube que minhas mãos estavam tão suadas, quando encontrei os dedos frios dela em minha pele. A puxei em passos ágeis, nos mantendo nas sombras.

  Eu podia sentir meu coração acelerado contra meu peito, e minha respiração pesada e densa. Não tinha medo de enfrentar a situação, não tinha medo do caos, porque ele fazia parte do meu cotidiano. Mas sempre a adrenalina subia por minhas veias, me fazia sentir vontade de descarregar minha arma, de ver o sangue de quem tirava minha paz, se fazer em poças nas calçadas e deixa-los apodrecer ali, sem descanso ou dignidade como a maioria das pessoas que recebem pelo menos um enterro e uma oração por sua alma.

Hallie

   Senti meus pés protestarem contra o chão imundo com alguns pedregulhos que pisei cegamente, me fazendo praguejar baixinho e dar pequenos pulinhos de dor.

   Bati meu rosto  abruptamente nas costas largas daquele homem quando ele parou sem mais ou menos. Praguejo inaudível, e ergo meus olhos para os dele, quando me  olhou por cima do ombro largo. Ele me observou de soslaio, tão sério que me estremeceu da cabeça aos pés.

— Direita ou esquerda?_ ele perguntou ríspido, em uma ordem pedindo por uma  resposta imediata que meu cérebro demorou processar.

    Levou alguns instantes encarando aquele bonito rosto, com meu coração saindo pela boca e com a sensação estranha em meu estômago que a qualquer momento eu iria apenas me curvar e vomitar até as tripas por mero caos da situação.

— Direita! _ anunciei em um fio de voz e ele acenou em positiva, virando a direita no beco e me puxando junto com firmeza, sempre me mantendo bem próximo. Quando me  afastava um pouco, sua mão entrelaçada a minha, a puxava em uma ordem imediata, cheia de propriedade.

   Em paradas pequenas, buscando não sermos vistos ou pegos por uma bala perdida. O som do confronto ainda era alto o bastante para fazer meu estômago embrulhar. Mas foi o som das sirenes da polícia que fizeram o homem a minha frente ficar rígido como uma barra de ferro, e suas mãos quentes e suadas começarem a ficar frias.  Ele abruptamente começou a me empurrar desesperado escadaria de emergência a cima.

Assustei com o impulso, antes da irritação começar a subir para minha cabeça.

— Para de me empurrar!_  praguejo corando com força, e dentes apertados, com as mãos dele em meu traseiro, me empurrando para cima com uma pressa avassaladora.

— Eu passo em cima de você, garota! _ ele avisou autoritário. E bufei subindo os degraus com agilidade. Abri a janela com dificuldade, que deixou um rangido na ar, me fazendo assistir o rosto daquele homem ficar pálido, como se seu coração estivesse a ponto de saltar pela boca.

Ares

     Se alguém nos ouvisse ou nos achasse, não estaria no melhor lugar para atirar, e nem o melhor para se mover livremente para fugir. Eu seria um alvo fácil para meu inimigo.

A garota passou a perna para dentro com cuidado, tão lenta que me deixou angustiado pela sua demora, e antes que percebesse a empurrei sem delicadeza para dentro. O estrondo dentro da casa me foi ignorado enquanto eu atravessava  pela janela aberta para dentro do apartamento.

    Ela se ergueu resmungando, massageando o quadril provavelmente dolorido, com feições nada doces.

— Eu te salvo, e é assim que você me trata?_ rosnou olhando furiosa para mim, enquanto eu fechava a janela e conferia se estava devidamente trancada.

— Quem salvou a vida de quem? Se não fosse por mim...

— Se não fosse por mim, você estaria lá fora no meio daquele tiroteio sem ter onde para fugir! Eu salvei sua bunda, seu canalha! Seja um pouco mais gentil!  _ quase gritou apontando para fora e me lanço sobre ela, desesperado, a cobrindo a boca. O cômodo estava completamente escuro, mas  ainda podia ver o brilho de raiva nos olhos escuros da moça.

— Fale baixo!_ rosnei entre os dentes autoritário_ Ou você quer que quem está fazendo essa bagunça la fora venha atrás de nós?

A cretina mordeu a palma de minha mão, me fazendo quase esbofete-la em dor e  praguejei me afastando, enquanto balançava a mão no ar, buscando me livrar da dor em minha palma. Olhando cheio de desgosto para ela que, tateando o ar se afastou, me perguntei mentalmente onde estava a garota chorona que encontrei no beco, ja que essa parecia mais confiante do que minutos atrás.

       A luz de um abajur foi acesa. A claridade fraca e amarelada banhou o cômodo. Olhei para a morena engatinhando sobre a cama de solteiro, reparando melhor em sua figura.  Ela usava um vestido preto canelado seus cabelos castanhos escuros ondulados levemente desalinhados graças a situação caótica. Na luz fraca do apartamento minúsculo, eu podia jurar que ela era bonita o bastante para não combinar nem um pouco com aquele cômodo abafado.

   Rolei seus olhos ao redor, não havia paredes separado a cozinha do quarto. Havia um banheiro quase ao lado da cama e mais nada.   Era tão pequeno, que ela tinha poucos móveis. A cama de solteiro ficava ao lado do armário de roupas, também muito estreito. Onde eu estava, quase parado ao lado da janela, havia um carpete redondo.

   O apartamento fazia um "L". Na entrada, ao lado direito da porta, havia uma geladeira, e na esquerda a máquina de lavar e um armário de cozinha embutido na parede, a pia logo a baixo dele.  E apesar de ser tão pequeno, era bem organizado, e cheira bem, o cheiro dela que tinha sentido antes, estava mais forte por todo o cômodo.

   Ela saiu da cama, indo para perto da janela, onde afastou a cortina e olhou sorrateira para fora. Estendi a mão, puxando de volta a cortina, a repreendendo com um único olhar duro e sobrancelhas apertada. 

— Saia da janela! É perigoso!

Hallie

   Subi meus olhos de um jeito estóico para ele, reparando melhor na figura bonita daquele homem que ja tinha visto tantas vezes, e que finalmente havia me lembrando, um cliente assíduo da cafeteria. Os cabelos pretos e lisos, o maxilar forte e másculo, ombros largos. A camiseta preta de mangas longas e gola alta estava justa, coberta por um sobretudo da mesma cor, deixava visível a marcação dos músculos de seu peitoral.

  Resolvi obedecer ao seu aviso, e me afastei da janela,indo para a cozinha. Abri o armário pegando um copo e só então notei minhas mãos tremendo tão intensamente graças a adrenalina pulsante da situação, de um jeito que nunca tinha as visto tremer antes. Eu mal podia acreditar que sai viva dali sem um tiro em meu traseiro.

Ares

    Observei o momento em que ela assistiu sua própria tremura com tanto interesse, diferente de mim que, minhas mãos não tremiam graças ao costume. Afastei sorrateiro e brevemente a cortina, conferindo se tudo estava certo e voltei a fecha-la.

Deixei meu corpo deslizar pela parede e esfreguei a mão em meu rosto, um pouco aliviado, mas também extremamente irritado com tudo isso. Olhei para arma em minha outra mão sem interesse antes de subir meu olhar para o copo estendido em minha direção. O rótulo ainda estava pregado no vidro, indicando que era antes um recipiente de molho de tomate. Em toda minha vida, ninguém nunca teve a ousadia de o servir água em um copo tão...

   Mas aceitei vendo a água tremendo enquanto ela ainda segurava o recipiente. Entretanto em comparação, a água se aquietou ao ter o copo por completo em minha mão. A virei em grandes goles, fortes o bastantes para ecoar o som. Preferia algo forte como whisky puro, ia me dar coragem o bastante para voltar lá fora e descarregar minha pistola.

   A garota sentou ao meu lado, amuada, abraçando as próprias pernas e deixando o queixo apoiar nos joelhos.

— Não vou ser ingênua de achar que você era só mais uma pessoa como eu que foi pega no meio da coisa toda...- ela resmungou, olhando de soslaio para a pistola em minhas mãos.

— Seria muito burra se acreditasse..._  sorri ladino, esticando as pernas, olhando para meus  próprios sapatos antes de encara-la com as sobrancelhas apertadas. _ Obrigado! _ estendi o copo e ela o recebeu nas mãos, e o deixou ao lado de seu corpo.

— Um copo de água não se nega a ninguém. _ riu rouca, negando tranquila.

— Também por ela. Mas me referia por salvar minha vida.

    Ela ergueu seu rosto cético para mim, olhando diretamente para os meus olhos. Eu sabia que a conhecia, eu realmente tenho essa impressão. Mas de onde? Quando?

— Eu deveria dizer que apenas fiz o meu dever, mas tenho a sensação que ajudei um bandido!

— Não sou um bandido! Sou um gangster! _ bufei, batendo o cabo de minha pistola contra meu peito.

— Soa igual para mim._ ela arqueou a sobrancelha debochada e estreitei os olhos em afronta. _ então você é da máfia... E eu pensando que você era um príncipe encantado...bom, isso foi até você abrir a boca e soltar um palavrão. Um não! Dois!

   Gargalhei alto a pegando de surpresa, e cobri minha própria boca, quase em um tapa, me lembrando que precisava falar baixo.

— Acho que estou bem longe de ser um príncipe encantado, não é?_ balançei a arma com um sorriso sarcástico, e apertei as sobrancelhas antes de provoca-la.  _ E quem tenta se proteger de um tiro com uma bolsa?

— Na hora do desespero, tudo vale! _ ela torceu a cara para o outro lado de um jeito orgulhoso e rancoroso.

— Você tinha razão quanto a não ter um bichinho de estimação. Seu apartamento é tão pequeno que vocês teriam que lutar por espaço...

— Não reclame do meu espaço, sr. Bandido! Você está aqui agora, não é? E se cabe nós dois aqui, cabe um gato... Mas não é por isso que eu não tenho um bichinho. Queria, mas não posso.

— Espero que um dia possa o ter independente de seus motivos. Eu tenho um gato... _ dei de ombros,me lembrando de meu bichinho enquanto rolava meus ao redor. _ Onde a senhorita estava a essa hora da noite? Voltando sozinha para casa tão tarde...

— Um encontro fracassado. _  Ela arqueou a sobrancelha, parecendo incomodada ao ter que relembrar os fatos da noite. Remexeu desenquieta, antes de soltar um suspiro pesado e longo.   Seu corpo estava tenso e seus ombros pesados como se um elefante estivesse sobre ela.

— Pela sua cara, realmente foi um fracasso... Mas que pena para ele, você estava linda.

E estava, eu deveria admitir isso!

Ela riu nervosamente, olhos arregalados balançando a cabeça em negativa como se isso tivesse a traumatizado profundamente.

— É! Eu dei o meu melhor...uma pena que o filho da mãe esqueceu de voltar no tempo uns... Quarenta anos. Velho descarado..._ roeu as unhas, parecendo conter a raiva.

   Pisquei cético, até compreender o motivo da raiva, e ronquei cobrindo a boca novamente, ela bufou cruzando os braços abaixo dos seios emburrada.

— O  lado ruim dos encontros as cegas... Então que bom para você que não deu certo, não é? Ah menos que ...

   A assisti ter um calafrio, e também tive um ao  imagina-la beijando um velho e a dentadura dele ficando dentro de sua boca.

— Vou deixar relacionamentos com a terceira idade para quem realmente tem o intuito de achar um velho a beira da morte...

    Riu balançando a cabeça em negativa. Arqueio a sobrancelha ao notar que nem mesmo percebi quando o som dos tiros cessaram. Ela também percebendo, se levantou, afastando brevemente a cortina e me encostei em seu corpo, contra suas costas dela, olhando para além da janela também.

— Parece que eles foram embora..._ ela sussurrou temerosa, seus olhos vigilantes vasculharam cada canto escuro ao redor.

— Ainda estão por aí... Provavelmente irão vigiar as saídas, esperando por um deslize meu.

— O que você fez senhor bandido para sua cabeça ser tão requisitada no inferno?

    Ri rouco, com meu peito balançando contra as costas dela, a fazendo olhar por cima do ombro para mim. 

— Eu já disse, sou um gangster! _  murmuro rouco. _ A máfia rival é uma dor em minhas bolas... Escute, não saia hoje a noite! Você nunca me viu, nunca falou comigo! Absolutamente, esse momento, nunca existiu...

Ela me acompanhou com os olhos enquanto me afastava e tentava abrir a janela sem fazer barulho.

— O que está fazendo?

— Indo embora! Não posso sair pela porta da frente. Isso a colocaria em grandes perigos!

— Você não disse que eles devem estar vigiando as saídas? Sair agora não é um grande erro?

— Provavelmente. Mas duvido que você queira ser envolvida nos problemas de um mafioso. _ suspiro forte antes de a encarar dentro dos olhos quando ela  segurou em meu braço abruptamente.

— Está louco? Se você sair eles vão matar você! Eu não quero a minha consciência pesada por ter permitido que fizesse essa estupidez?

— E o que a senhorita acompanhante de de idosos, sugere? Quer que eu passe a noite aqui? Até porque eles ainda vão estar vigiando amanhã... Então eu teria que ficar uma semana...

   O silêncio caiu entre nós, enquanto encarava fixadamente o bonito e delicado rosto dela. Aquela maquiagem que ressaltava sua beleza e ainda mais o castanho de seus olhos. Ela tinha uma boca tão bem desenhada, que eu sabia que mulheres da minha família matariam, para um cirurgião  plástico dar a elas algo assim.

— Vamos! Saia da janela! Se alguém te ver aqui, provavelmente voltarão para me matar! E se alguém te ver saindo? Não, não, não... Eu sinto muito, mas pela minha própria segurança, eu lhe proíbo de sair desse apartamento essa noite!

Levei a mão ao peito ofendido. Ninguém me dava ordens! Eu que era o chefe, não aquela criatura bonitinha me encarando cheia de convicção. Ela parecia fofa, mas pelo olhar sério, eu temia que ela botasse a cabeça para fora e gritasse: " ele está bem aqui! "

— Não me faça gritar...antes entregar você do que acontecer algo comigo por sua causa!

— Que cretina... _ Resmunguei a olhando baixo a cima com rancor_  Me deixasse sozinho no beco, então! Você era mais adorável momentos atrás!

— Eu estava com medo, sozinha, e com um homem apontando uma arma na minha cabeça!

Ergui minha pistola colocando contra a testa dela, tão rente que a vi engolir em seco, dando um passo para atrás.

— Boa viagem! Espero que sobreviva... Juro que se te ver novamente na rua, nem mesmo vou reconhece-lo... _ ela disse de maneira adorável, abrindo ainda mais a janela e apontando freneticamente para que eu saísse logo.

   Bufo, abaixando minha arma. Fechando a janela e puxando a cortina de volta a seu devido lugar cobrindo qualquer visão que poderiam ter lá de fora.

— E onde pensa que vou dormir? Sua cama é minúscula! Não sou um cachorro para dormir no tapete...

  Ela se virou desnorteada, olhando ao redor do quarto e ergueu um indicador no ar, parecendo se lembrar de algo precioso. Eu queria ver que tipo de mágica ela faria agora para resolver isso.

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Boa leitura!

❤️

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