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Capa do romance Um Gangster em Minha Vida

Um Gangster em Minha Vida

Hallie buscava propósito e emoção em sua rotina pacata, mas um encontro frustrado a deixou revoltada. No entanto, sua vida muda drasticamente ao presenciar um tiroteio e cruzar o caminho de Ares Crawford. O cruel líder da máfia é salvo pela jovem em um beco escuro, gerando uma dívida de vida que ele se recusa a ignorar. Determinado a quitar esse favor e avesso a pendências, o perigoso gangster decide arrastar Hallie para o seu submundo de crime e luxo.
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Capítulo 3

— Estou surpreso com a sua capacidade de resolver problemas..._  comento baixinho, segurando a borda do cobertor que vinha até meus ombros.

   Encarando o teto do quarto cético, enquanto o apartamento estava banhando em escuridão, não conseguia dormir. Com meus hábitos noturnos, isso tinha se tornado um pouco difícil de fazer. E a preocupação se em algum momento invadiria por aquela porta também não ajudava muito.

      Milagrosamente aquela garota tinha tirado um colchonete de cima do próprio colchão. Talvez ela o usasse para deixar a cama mais macia...

  Tombo a cabeça olhando em direção a porta do apartamento, onde fiquei  averiguando se ninguém estava se movendo lá fora, nas sombras, a minha procura. Quando ergui a cabeça para olhar para garota sobre a cama, a encontrei encolhida em um lençol fino. Ela dormia tão pesadamente, parecendo tão relaxada que isso me intrigou. Talvez fosse eu a pessoa estranha que não conseguia dormir fora da segurança de meus homens armados ao redor da mansão.

   Me sentei, esfregando o rosto e continuei a encarando cético. A noite estava fria, e mesmo assim ela me deu o cobertor mais grosso para dormir com apenas um lençol. Sorrateiro, me levantei, levando para perto dela o cobertor. Puxei devagar o lençol, a descobrindo, e solto uma risada nasal ao vê-la de meias, uma camiseta branca e um short preto. Os cabelos escuros longos esparramados pelo travesseiro me fez sorrir ladino. Ela era uma garota muito bonita, e ficava fofa quando estava dormindo tão serena. Mas devo admitir que também é corajosa por passar por uma situação tão intensa em uma única noite, e conseguir dormir como se nada a abalasse.

    A cobri com cuidado com o cobertor, ajustando-o acima de seus ombros,e ergui meus olhos, encarando seu rosto através da leve escuridão dentro do cômodo. Ela tinha traços tão bonitos, tão atraentes, mas parecia tão cansada. Tirei uma mecha de seu cabelo que caia sobre sua bochecha, tomando cuidado para não acorda-la com o toque suave da ponta de meus dedos em seu rosto. De onde eu a conhecia? Parecia que a resposta estava na ponta da língua, mas não sairia de primeira.

   Me afasto devagar, levando o lençol comigo. Eu podia ser da máfia, podia ser conhecido pela tirania, mas ainda sabia ser grato a boa hospitalidade. Aquela garota, querendo ou não, tinha me salvado aquela noite. Eu poderia ter tentado sair daquele caos sozinho e provavelmente teria tomado um tiro, mas nunca imaginei que até o meio da madrugada estaria deitado sobre um colchonete fino, olhando para um apartamento pequeno de mais para duas pessoas.

    A memória da garota chorando desesperada, abraçando a própria bolsa com tanto desespero, contando o "fracasso" de seu dia, me fez sentir estranho. Ela parecia uma garota boa, alguém que merecia uma boa vida, não chorar desesperada escorada a um contêiner de lixo implorando pela própria vida.

   Por um momento temi que minha presença viesse apenas trazer ainda mais infortúnio para ela. Se eles apenas desconfiassem que ela tinha alguma ligação comigo, provavelmente tal garota ia se machucar. Se machucar de verdade...

    Sem perceber minhas sobrancelhas se apertarem com a imagem em minha cabeça de seu belo rosto ferido, banhado em sangue. Tal imagem fez meu estômago embrulhar, como a muito tempo não senti isso. Pena e receio por alguém...

    Me prometeu no silêncio daquela madrugada, que quando saísse daquele apartamento, que nunca mais cruzaria a mesma rua que ela, pelo seu próprio bem. 

   Enfiei a mão de baixo do travesseiro, puxando minha pistola para fora e a olhando firme em minhas mãos. Não havia nem mesmo um único ruído no ar enquanto eu encarava a arma tão sério. Eu os faria pagar por essa noite!

***

Acordo tombando a cabeça, abrindo com dificuldade os olhos e tentando me lembrar onde estava, enquanto me sentava e rolava meus olhos pelo apartamento.

O encontrei completamente vazio. Havia cheiro de shampoo no ar e um perfume delicado. A claridade da manhã invadindo, ultrapassando a cortina branca.

  Me levanto coçando a cabeça e sentindo minhas costas protestarem pela noite no colchonete fino. Eu podia jurar que aquela tinha sido a primeira vez que dormi praticamente contra o chão. Esfreguei o rosto e fui tirado de meus pensamentos com a vibração do meu telefone de baixo do travesseiro. Afastei o objeto, olhando para o nome na tela e o peguei rapidamente, o atendendo de imediato.

— Estou bem!_ anuncio antes de qualquer coisa.

— Onde você se meteu que não consegui te encontrar? Ja estava pensando que estava morto!_ Kalel rosnou de um jeito irritado, me fazendo afastar o telefone do ouvido e torcer a cara por um momento, enquanto ouvia de longe seu sermão. Quando ele acabou, ficando em silêncio, parecendo esperar por uma resposta, voltei o objeto a orelha e suspirei pesadamente _ Não ouviu nem uma única palavra, não é, seu cretino miserável?

— É uma longa história Kalel... _ disse sério, parando ao lado da janela, olhando por uma brecha na cortina para fora com atenção.

— Diga onde está, e eu vou te buscar!

— Se fizer isso vai colocar mais do que sua vida em perigo. Acredite se quiser, encontrei uma garota no beco ontem a noite, e ela me escondeu no apartamento dela.

    O silêncio de Kalel do outro lado me fez olhar para a tela, conferindo se ele não tinha simplesmente desligado em minha cara. Voltei ao ouvido continuando a extensão do silêncio.

— O benefício da ajuda, não é qualquer um que merece, Ares! Ela pode entregar você... Pode ser uma armadilha!

— Vou ficar atento! _ olho em direção a porta antes de voltar meus olhos para s brecha na janela. _ Se ela for confiável vou ficar escondido até eles saírem da região. Tenho certeza que ainda estão por ai...

— Entre em contato se precisar de ajuda para incendiar esse lugar.

— Valeu, irmão. _ desligo, abaixando o telefone e sorrindo torto para o objeto.

   As vezes meu irmão mais novo era mais responsável e preocupado do que eu.

Hallie

   Caminho pela calçada indo para casa, e rolo meus olhos ao redor atenta. Parecia que o caos de ontem a noite simplesmente nunca aconteceu. Talvez a vizinha ja estivesse acostumada com a região instável e seus negócios. Eu ainda preferia na primeira oportunidade trocar de apartamento.

Observo cada rosto presente, alguns conhecidos que gritaram um bom dia da janela, como dona Marta que sacudia seu tapete na varanda,com seus bobs na cabeça. Joffrey, estava sentado na escada da entrada de seu velho prédio, me acompanhando com os olhos, assim como toda sua pequena gangue de delinquentes.

— Bom dia, Joy!_ acenei e ele acenou de volta com firmeza e voltando a olhar para fora.

    Apesar de ser um pouco perigoso aqui, as pessoas se cuidavam, eram cordiais, e até protetores. Joffrey por exemplo, não deixava que ninguém da região fosse assaltado dentro do seu território. E eu ficava agradecida por meu prédio estar dentro de seu limite, e ele nunca ter pedido nada de volta.

Apertei o pacote de papel pardo em minha mão quando virando uma esquina alguém olhou de soslaio para mim, como se pudesse ler minha alma.

— Lie!_ Joy, carinhosamente como a vizinhança o chamava, me abordou ainda sentando do degrau, me virei de lado para encara-lo direito. _ Você chegou tarde ontem...

— Estava em um encontro!_ anúncio o dando um sorriso fraco. Eu não queria me lembrar daquela noite fracassada. _ Não foi muito bom... Na verdade, foi um desastre!_ dei de ombros e Joy acenou.

   Olhei de soslaio para o desconhecido passando do outro lado da rua, suas roupas eram pretas, e sapatos sociais. Me aproximei e Joy sorriu, me usando de escudo para observar melhor o intruso em seu território.

— Você sabe que metade dos homens do bairro fariam qualquer coisa por um encontro com você.

— Bom, foi só um encontro... E eu não quero decepcionar quem me conhece.

— Você é uma boa garota, Lie. _ ele acenou para mim, me olhando sério. _ Se quiser posso dar um jeito em quem te decepcionou.

— Oh não! Ele ja está com um pé na cova!_ acenei, balançando a mão no ar,  rindo envergonhada. Coçei a bochecha e suspirei pesadamente quando Joy e sua pequena gangue arquearam a sobrancelha todos juntos de um jeito intrigante, que parecia até combinado a sincronia. _ Por favor não conte a ninguém... Ele era um velho.

   Joy ficou atonito como se não esperasse por isso e alisei meu rosto mais uma vez.

— Então você gosta de homens mais velhos...

— Oh não! Não!_ fiz uma careta estremecendo toda. _ É uma longa história!

Percebi que sua atenção não estava mais em mim, e olhei de soslaio para o intruso que caminhava pela vizinhança.

— Você deveria ir para casa, Lie. _ ele susssurrou rouco e acenei em positiva. Me despedi com um toca aqui com os outros e me afastei, voltando a caminhar em direção para casa.

    Senhor George, que estava na varanda de sua casa acenou com seu jornal para mim, e balancei meus dedos em um olá fofinho. Eu tenho certeza que ele seria um double perfeito do Denzel Washington... Um double com dor nas costas e o menisco do joelho rompido. Ri baixinho, me deixando respirar profundamente o ar da manhã. Aquelas manhãs que eram sempre iguais, senhor George na varanda lendo seu jornal, Joy na entrada de seu prédio com sua gangue, dona Marta com seus bobs no cabelo, os filho da Suzan brincando na rua. Não era que a vizinhança era ruim, era apenas eu querendo um pouco de mudança na minha vida monótona.

   E não foi o que eu pedi, quando ontem a noite abriguei um desconhecido armado dentro da minha casa. Bom, não tão desconhecido assim. Coçei a cabeça desconcertada, me lembrando dos inícios de manhãs na cafeteria.

~Memória on ~

A sineta tocou, me tirando dos meus pensamentos enquanto polia a vidraça com visão para a rua, me fazendo encarar o homem que tinha acabado de entrar.

    Ele me olhou de volta, enfiando suas mãos no bolso da calça social enquanto a luz do sol atravessava a vidraça e aquecia suavemente meu rosto. Era um início de manhã bonito e sereno. Ele bocejou,erguendo o indicador no ar, me pedindo sempre por um momento.

—  Um café expresso extra forte?

    Era sempre o mesmo pedido. Ele acenou e enxuguei as mãos no avental, indo para de trás do balcão e preparando o café enquanto ele ficava parado, sentado em uma das cadeiras de um jeito desleixado, olhando através da vidraça ainda com a limpeza pela metade, sem o menor interesse visível em seu rosto.

    Eu colocava seu copo em cima do balcão e me virava para voltar ao trabalho. Ele sempre deixava o dinheiro em cima do balcão na quantia certa, e ia embora sem dizer mais nada, e eu voltava a esfregar a vidraça, procurando por manchas.

~ memória off ~

   Apertei o pacote em minhas mãos, enquanto me perguntei mentalmente quando parei de me lembrar do rosto das pessoas, ou simplesmente parei de prestar atenção nelas. O dia na cafeteria é bastante agitado, sempre entram e saem diversos rostos, mas eu nunca tinha parado para pensar em um em especial.

    E aqueles olhos castanhos escuros desinteressados na paisagem além da janela, pareciam muito diferentes do homem que olhava atentamente para além da minha janela. Ele tinha algo que exalava de si, um tipo de autoridade, intensidade e... bom humor...

  Soltei uma risada nasal baixa. Bom humor... Pareciam dois homens completamente diferentes, o que me aparecia na cafeteria era monótono e sen interesse, o da noite passada era intenso e risonho. Talvez ele seja uma dessas pessoas com hábitos noturnos. Mas não muda o fato que ele é um bandido. Bandido não! Gangster! Me corrigi mentalmente debochada e sorri torto.

   Subi as escadas, conferindo se não tinha sido seguida. Será que ele já tinha ido embora? Provavelmente... Estagnei no degrau, ficando imóvel por um segundo. Qual era o nome dele?

_____________________________________________

Boa leitura!

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