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Capa do romance Um encontro irresistível

Um encontro irresistível

Isabelle foge de um noivado opressor, enquanto Luciano lida com o peso de obrigações familiares. Na Grécia, essas almas feridas colidem em uma paixão avassaladora. Ele carrega o caos; ela esconde um passado perigoso. Entre mentiras e beijos ardentes, surge um amor proibido que desafia o destino. Quando segredos emergem, Belle e Luciano precisam decidir se seguem as regras impostas ou se lutam por um futuro autêntico. Uma trama intensa de desejo e redenção.
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Capítulo 2

Alguns dias depois

- Vai dar certo, Alice. Eu juro. - disse Sophia, sua voz baixa, firme, cheia da confiança de quem sempre teve o mundo aos pés. - Consegui os documentos, os trajetos alternativos, os bloqueios de rastreamento. Eles podem até tentar te seguir, mas não vão conseguir.

Olhei para ela, ainda dividida entre a esperança e o medo. Sophia era filha de um magnata da tecnologia. Rica, genial e absurdamente leal. Se havia alguém no mundo capaz de burlar qualquer rede de vigilância, era ela.

- Mesmo assim, e se eles... e se o Paolo desconfiar? Se fizer algo contra minha mãe?

- Ele não vai. Nem ele, nem seu pai. - respondeu, com um brilho sombrio nos olhos. - A sua mãe é o ponto fraco deles. A mesma arma que eles usam para te controlar... você também pode usar contra eles. Se fizerem algo contra ela, você pode desaparecer do mapa. E isso não seria vantajoso para nenhum dos dois. Nem para os Caruso. Nem para os Ravelli.

Engoli em seco, sentindo a adrenalina se espalhar lenta, mas implacavelmente pelo meu peito. Pela primeira vez, eu tinha uma brecha. Um sopro de chance. Um ano. Apenas um ano. Talvez fosse loucura. Mas era uma loucura que, se eu tivesse coragem suficiente, poderia me devolver a mim mesma.

- Você sabe que meu pai te ajudaria, se você deixasse... - murmurou minha amiga, a voz cautelosa, como quem pisa sobre cacos de vidro.

- Eu sei - respondi baixo, sem conseguir encará-la -, mas não seria justo. Você sabe que não se trata apenas de pagar pelo tratamento.

Ela assentiu, com um sorriso fraco, quase triste. Ambas sabíamos o que havia por trás dos sorrisos impecáveis da família Caruso. A imagem pública era cristalina, irrepreensível. Mas no subsolo de toda aquela sofisticação havia um odor de medo. Corrupção. Máfia. Poder que se impunha em silêncio. Meu pai, por mais cruel que fosse, também os temia. E isso dizia muito.

- Eu lamento tanto, Alice. Isso tudo é... é desumano. Se denunciássemos, talvez...

- Não - cortei suavemente. - Não vamos nos iludir. Sabemos que eles têm proteção por todos os lados. Advogados, políticos, empresários. Ninguém se volta contra eles e continua respirando livremente. Vamos focar no que ainda me resta. Talvez... talvez um milagre aconteça. Não é isso que dizem por aí?

Sorri. Uma mentira polida. Uma esperança inventada para não desabar.

Ela sorriu de volta. Era o que sempre fazia: me incentivava a agarrar aquele último respiro de liberdade com todas as forças, a lutar por mim - mesmo quando eu mesma já havia me esquecido de como fazer isso.

- E então... para onde vamos? - perguntou, agora com aquele brilho cúmplice nos olhos, como se só de mudar de assunto, tudo pudesse ser diferente.

- Grécia - respondi com a voz mais firme do que esperava. - Primeiro Atenas. Depois as ilhas.

O som daquelas palavras fez meu coração acelerar. Tentei imaginar nós duas caminhando de vestidos leves, os pés descalços tocando a areia quente, os cabelos ao vento, livres. Era quase poético. Quase irreal.

Era um risco absurdo. Confiar no plano da minha amiga, aceitar a migalha que minha família e a família de Paolo haviam me concedido... era cruel. Humilhante. Uma migalha embrulhada em ouro. Mas eu aceitei. Pela minha mãe. Por mim. Pela promessa que fiz a ela diante de um leito silencioso e frio.

Aceitei a loucura.

Porque viver um ano livre era melhor do que morrer lentamente presa para sempre.

Luciano Moretti

Dois Meses Antes do Encontro

A música alta batia como um tambor dentro da minha cabeça. O cheiro de álcool, perfume caro e suor se misturava ao ambiente saturado daquela boate lotada em Milão. O mesmo cenário, as mesmas luzes pulsantes, os mesmos rostos... mulheres belas demais, vazias demais, sorrindo para mim como se estivessem prestes a ganhar um prêmio.

Estava cansado. Fisicamente, emocionalmente. De tudo.

Afundei ainda mais no sofá de couro da área VIP, com um copo de uísque na mão e o olhar perdido. Três mulheres falavam ao mesmo tempo ao meu redor, mas eu não conseguia registrar uma única palavra do que diziam. Estavam ali por interesse, status ou prazer, mas nenhuma delas... nenhuma me tocava.

- Você parece em outro planeta. - A voz de Aiden cortou minha dispersão. Ele, como sempre, sorria com aquele ar debochado. Estava sentado ao meu lado, relaxado, com um copo idêntico ao meu na mão.

- Estou. - Dei um gole longo. - Acho que atingi meu limite.

- De bebida?

- De tudo. - Respirei fundo. - Essas festas. Essa gente. A rotina. Meu pai está fechando um acordo com a família de Verena para um casamento arranjado. Verena, Aiden. Aquela mulher é tudo o que eu nunca quis.

Aiden arqueou a sobrancelha, mas não parecia surpreso.

- Verena Bellini? Aquela princesinha mimada?

- A própria. Meu pai acha que seria uma união estratégica brilhante. Mas só de pensar nisso... - Bebi o resto do copo de uma vez.

- Então some daqui. Vai pra longe. Meu irmão mais velho, Ares, está morando na Grécia. Ele tem uma rede de hotéis de luxo espalhados pelas ilhas e pode te hospedar. Ou te arruma alguma casa perto da praia, onde ninguém te enche o saco.

Ele disse como se não conhecesse o seu irmão que era meu amigo assim como ele.

- Grécia...

Fiquei pensativo por um instante. O mar. O silêncio. A distância. A ideia não era tão ruim. Pelo contrário. Era tudo o que eu precisava.

- Falarei com o Ares depois.

Aiden assentiu e voltou a beber, mas algo no bar chamou minha atenção. Um homem. Seu rosto me era familiar.

- Me dá licença. - Levantei-me e caminhei até ele.

Ele estava acompanhado de uma mulher que conversava com o barman, mas ao me ver, seus olhos se estreitaram.

- Gabriel? - perguntei, parando em frente a ele. - Você está bem?

Gabriel me olhou por um segundo em silêncio antes de responder:

- Estou, Luciano. E você?

- Bem... Quer dizer, não exatamente. Preciso saber de Mia. Tem alguma notícia?

Ele desviou o olhar por um instante.

- Mia ainda está na clínica. Se recusa a receber visitas.

- Mas você a viu? Ela está bem? Por favor, Gabriel... diga a ela que eu preciso vê-la. Que me deixe entrar, nem que seja por um minuto. Eu tentei. Liguei, insisti... mas meu nome está na lista de visitas não autorizadas.

Gabriel suspirou pesado, parecendo ponderar sobre suas próximas palavras disse:

- Você precisa seguir em frente, Luciano. Mia fez escolhas... e foram essas escolhas que a levaram até onde está. Sei que você se importa, mas talvez ela não queira ser salva. Às vezes, as pessoas se afogam por vontade própria. Então, meu amigo... deixe onde está.

As palavras dele cortaram mais do que deveriam. O remorso ardeu em mim como um veneno silencioso, corroendo tudo o que eu tentei enterrar.

Assenti, com o maxilar tenso e o coração mais ainda.

- Se você a vir... - minha voz falhou por um segundo. - Diga que eu realmente sinto muito. Que... que eu gostaria de vê-la. Só isso.

Gabriel apenas assentiu, com a expressão dura de quem já havia desistido antes de mim.

Nos despedimos com um aperto de mão breve, contido, carregado de tudo que não foi dito. Voltei até Aiden e me joguei no sofá como quem carrega peso demais para continuar fingindo leveza.

- E então? - perguntou meu amigo.

- Ligarei para o Ares. Estou indo para a Grécia.

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