Capa do romance Um encontro irresistível

Um encontro irresistível

8.4 / 10.0
Isabelle foge de um noivado opressor, enquanto Luciano lida com o peso de obrigações familiares. Na Grécia, essas almas feridas colidem em uma paixão avassaladora. Ele carrega o caos; ela esconde um passado perigoso. Entre mentiras e beijos ardentes, surge um amor proibido que desafia o destino. Quando segredos emergem, Belle e Luciano precisam decidir se seguem as regras impostas ou se lutam por um futuro autêntico. Uma trama intensa de desejo e redenção.

Um encontro irresistível Capítulo 1

Prólogo

Luciano Moretti

O sol já estava alto quando abri os olhos, e a luz da manhã grega atravessava as cortinas entreabertas como uma lembrança violenta de que o mundo lá fora ainda girava, mesmo que algo em mim tivesse parado. Estiquei a mão para o lado da cama, esperando encontrar a curva do corpo de Belle, sua pele morna contra os lençóis. Mas só encontrei o frio.

Um frio vazio.

Um vazio que arrepiou minha pele e fez meu peito se comprimir de um jeito que eu não soube explicar de imediato.

Demorei a levantar. Meu corpo parecia reconhecer antes da minha mente que algo estava errado. O silêncio da casa não era o mesmo silêncio das manhãs anteriores, carregado de cumplicidade. Era um silêncio oco, pesado, desabitado. Um silêncio que grita.

- Belle? - Chamei, a voz rouca, quebrada no ar como se temesse a resposta que não viria.

Não houve resposta.

Não havia cheiro de café, nem som de xícara na bancada, nem aquele leve arrastar dos pés descalços dela pelo chão. A cozinha estava limpa demais. Intocada. Como se ninguém tivesse estado ali desde ontem. Como se tudo tivesse sido apagado.

Meus olhos caíram sobre a mesa.

Havia um bilhete. Um pedaço de papel dobrado. Meu coração disparou, os pés vacilaram. Cada passo até ele foi como atravessar uma ponte prestes a ruir. Peguei o papel com mãos trêmulas e, assim que li a caligrafia suave, precisei me segurar para não cair.

"Me esqueça."

As duas palavras mais cruéis que alguém pode escrever. As duas palavras que dissolveram minha alma com a precisão de uma lâmina.

Li uma, duas, três vezes... como se o sentido pudesse mudar, como se fosse possível que aquele bilhete tivesse sido escrito por engano. Mas não. A letra era dela. O corte era intencional.

E ainda assim... impossível de aceitar.

Senti o ar faltar. Um nó se fechou em minha garganta e o peito começou a arder. Um pânico mudo tomou conta de mim.

Corri para o quarto. Abri o armário. Gavetas. Malas. Nada. Nenhuma roupa, nenhum perfume. Nenhuma presença. Tudo dela havia sumido, como se jamais tivesse existido. Como se o último ano fosse um delírio construído pela minha carência mais funda.

- Belle... - Sussurrei, sentindo o nome arder na língua.

Meus joelhos cederam, apoiei-me na cama, tentando respirar, tentando entender como aquela mulher que adormecera nos meus braços na noite anterior simplesmente evaporou. Tínhamos jantado à luz de velas, rido de uma lembrança boba, feito amor como quem sela uma promessa. E agora ela tinha ido embora como se nunca tivesse estado aqui.

Saí da casa como um homem em chamas. Verifiquei todos os cômodos. O jardim. A varanda. O banheiro. O quintal. Gritei seu nome tantas vezes que minha garganta arranhou. Corri até a praia, onde a areia ainda trazia marcas dos nossos passos da noite anterior. Mas ela não estava ali.

O vento cortava minha pele, e as ondas levavam minha voz. Eu gritava como um louco.

Não.

Como um homem que acabava de ser quebrado.

Voltei para dentro da casa, os pés pesados, o corpo trêmulo. Afundei no sofá como se aquele fosse o único lugar do mundo que ainda pudesse me sustentar. Minhas mãos foram ao rosto, e então vieram as memórias.

O jeito como ela ria ao me provocar. O gosto do sal em sua pele. As noites em que prometemos - mesmo sem dizer em voz alta - que aquilo não era apenas uma fuga. Era real. Real demais.

Por que, então, ela teria ido embora?

A raiva subiu de repente, crua e descontrolada.

Ela tinha me enganado? Me usado?

Ou será que... ela ...

Mil pensamentos se perdiam em minha mente em confusão.

Nada fazia sentido. Nada.

A única certeza que eu tinha naquele momento era que, onde quer que Belle estivesse, ela havia levado algo de mim.

E o que ela deixou para trás... era um homem quebrado, faminto de respostas, e prestes a perder o controle da própria sanidade.

Capítulo 1

Dois Meses Antes do Encontro

Isabelle Alice Ravelli

Meus dedos percorriam as teclas do piano em um ritmo frenético, quase desesperado. A melodia de Lacrimosa preenchia o ambiente com uma dor que não era apenas musical, mas visceral. Tocava como se fosse a última coisa que restava em mim. Uma última tentativa de respirar sem sufocar. A repetição incansável da música era a minha maneira de sangrar sem feridas, de manter a lucidez enquanto o mundo ao meu redor ruía em silêncio.

As palavras do meu pai ainda ecoavam como um veneno que queimava sob a pele. Não havia escolha, não havia escapatória. E quanto mais eu tocava, mais a dor ganhava forma. A cada nota, meu corpo tremia, meus músculos gritavam, minhas mãos ardiam. Mas eu não parava. Porque parar significava encarar a realidade, e eu ainda queria me enganar por mais alguns minutos. Talvez, se eu levasse aquela música até o fim, o grito dentro de mim se calasse por um instante.

Mas era ilusão. Assim como tudo.

Eu estava perdida. Completamente sem saída. E faria o que fosse preciso pela minha mãe.

Executei as notas finais com os olhos embaçados, as lágrimas banhando meus dedos, tornando-os insensíveis. Foi quando senti uma mão pousar sobre a minha, interrompendo o fluxo da dor.

- Vai acabar se machucando, piccola. - A voz fria de Paolo Caruso me atravessou como um estalo no meio do silêncio.

Levantei o rosto devagar. Ele estava ali, com aquele sorriso contido, cortês demais para ser genuíno. Paolo sempre fora assim: calculado, controlado, como se nada no mundo o abalasse. Desde que o acordo entre nossas famílias fora selado, ele mantinha uma postura gentil, mesmo quando eu o desrespeitava com meu silêncio nos jantares, com minha ausência em compromissos.

Mas isso não me tranquilizava. Muito pelo contrário. Algo em sua calma me provocava arrepios. Havia uma sombra em seus olhos que nunca revelava intenção alguma.

- Estou bem. - Me apressei em me levantar, sem cerimônia, mantendo a distância.

Ele nada fez. Apenas observou. Nunca havia tentado nada, nem mesmo um beijo, mas eu não queria testar os limites da sua passividade.

- Calma. Vim em paz. Sei que seu pai negou o seu ano sabático...

Minhas unhas se cravaram na palma da mão. Tinha implorado aquele ano como um último suspiro de liberdade. Um ano longe daquela casa, daquela gaiola dourada. Um ano para cumprir uma promessa feita à minha mãe antes dela entrar em coma. Ela sonhava que eu conhecesse alguns países, começando pela Grécia. Dizia que lá eu encontraria o amor. Eu sorri amargamente. O amor havia sido arrancado de mim antes mesmo de ser permitido.

- Me surpreende saber que meu pai se abriu com você.

- Ora... - Paolo ergueu a mão para tocar meu rosto, mas eu me afastei com suavidade. Isso o fez sorrir de lado, e ele baixou a mão. - Eu o convenci de que seria importante para você. Além disso, antes de um ano não poderemos nos casar. Tenho compromissos, viagens. Não poderei lhe dar uma lua de mel decente. Então, você está livre para viajar.

Livre.

Era irônico o modo como ele dizia isso. Eu não era livre. Nunca fui.

- Imagino que já tenham preparado uma escolta para me vigiar.

- Não, piccola. - Seus olhos brilharam com algo que me gelou por dentro. - Te darei a liberdade que precisa. Porque você tem o que perder. E sei que não seria tola. Basta manter contato. Ao menos duas vezes por mês. Caso contrário, eu vou te encontrar. E lembre-se: no final deste ano, você estará comigo, naquele altar.

A imagem da Cathédrale Saint-Sulpice se formou na minha mente como um aviso. Aquele lugar não poderia ser mais apropriado para o fim da minha história. Majestosa, fria, imponente... o cenário ideal para uma tragédia. Caminhei por seus corredores ao lado da minha madrasta e me senti pequena. Apagada. Naquela tarde, a luz atravessava os vitrais com um tom glacial, como se a própria igreja chorasse por mim. Ali, naquele altar, encenaria o pior dos teatros: o casamento com um homem que eu jamais amaria, sorrindo para aparências, enquanto minha alma se calava.

- Não acredito em você...

- Nunca menti, Alice. Tenho sido educado, paciente. Mesmo sabendo que este casamento te dilacera. Mas acredite, com o tempo, você vai aceitar ser minha esposa. E sua mãe continuará recebendo o melhor tratamento.

Mencionar minha mãe era sua arma mais afiada. E funcionava. Desde que os médicos disseram que ela tinha apenas uma mínima chance de despertar, eu havia me agarrado à esperança. Faria tudo. Tudo.

- Seu pai te dará suporte financeiro e a liberdade que pediu. Cumpra sua parte no acordo, e tudo ficará bem.

Ele acariciou meu rosto com frieza e se afastou, deixando para trás apenas o eco da sua ameaça velada.

Fiquei ali, imóvel, sentindo o ar preso nos pulmões. Algo estava errado. Tudo parecia... armado. Mas o que eu podia fazer?

Nada. Eu não tinha escolhas. Era isso ou o vazio.

Continue Lendo

Um encontro irresistível de Conteúdos

Ch. 1 Ch. 2 Ch. 3
Ch. 4
Ch. 5
Ch. 6
Ch. 7
Ch. 8
Ch. 9
Ch. 10
Ch. 11
all

Você pode gostar

Romances Recém-Lançados

Capa do romance A Herdeira Oculta
9.8
Sofia vê seu mundo ruir quando o noivo, Pedro, revela que engravidou a chefe, Juliana, por puro interesse financeiro. Expulsa de casa e humilhada pela amante, a assistente administrativa é tratada como uma órfã insignificante. No entanto, eles ignoram seu maior segredo: ela é a herdeira do império Luxus Group. Cansada da traição e das falsas acusações, Sofia decide abandonar a simplicidade para assumir seu poder e destruir aqueles que a subestimaram.
Capa do romance A Infiel I
8.1
Lígia está presa em um casamento de conveniência com um magnata, vivendo uma realidade amarga e sem afeto. Em uma tentativa desesperada de escapar dessa dor, ela se entrega a uma noite de paixão com um desconhecido atraente. No entanto, o que parecia ser um encontro fortuito revela-se algo planejado. Agora, as consequências desse momento inesperado prometem transformar sua trajetória e seu destino para sempre, mudando tudo o que ela conhecia.
Capa do romance A loucura do mafioso
9.8
Ingrid vê seu destino mudar após um encontro casual em uma festa. Ao ser barrada por um segurança, ela atrai a atenção de Alex Macclister, um perigoso mafioso que se torna obcecado por sua personalidade. Decidido a conquistá-la, Alex infiltra-se nos negócios dela como investidor. Ingrid percebe o perigo e o olhar possessivo do homem, mas não consegue evitar uma atração intensa. Entre o controle e o desejo, ela mergulha em um jogo de sedução e poder.
Capa do romance Amor Sem Medidas
9.2
Laura Andrade prioriza o bem-estar de sua família, vivendo com humildade e protegendo quem ama. Em contraste, o bilionário Álvaro Meirelles, apesar da fortuna, busca a simplicidade de um amor genuíno. Quando o destino une esses dois mundos opostos, surge uma paixão intensa que desafia as convenções sociais. Contudo, para ficarem juntos, eles precisarão superar segredos profundos e obstáculos que testarão a força desse sentimento inesperado.
Capa do romance Cinco Anos, Um Nome Esquecido
8.4
Breno recordava detalhes fúteis, mas ignorava a alergia mortal de Eliza. Após cinco anos, o descaso dele transbordou ao presentear Isabela, sua prioridade óbvia. Em um evento, ele sequer lembrou o nome real de Eliza, revelando o vazio da relação. Abandonada por ele em uma estrada escura com o tornozelo quebrado por se recusar a pedir desculpas à rival, ela finalmente encara o desperdício de sua dedicação enquanto ele parte, deixando-a ferida e sozinha na noite.
Capa do romance Comando do Amor do CEO: Fique Comigo
9.2
Apaixonada por Harry desde a infância, Shelly acaba presa em uma trama de vingança orquestrada por sua tia. Ela consegue conquistar o coração dele, mas o romance desmorona quando a verdade aparece. Furioso com a traição, Harry destrói o noivado de Shelly e exige retribuição. Embora o amor entre eles fosse real, as conspirações e o rancor transformam o sentimento em um ódio profundo, forçando Shelly a enfrentar as consequências de seus atos.
Capítulos
Leia agora
Compartilhar