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Capa do romance Um Don para a Dama da Máfia

Um Don para a Dama da Máfia

Enganada pelo algoz de seus pais, Astrid retoma seu posto na máfia sueca, mas uma regra a obriga a casar. Ela escolhe João Miguel, um Consigliere letal, porém uma traição no altar quebra sua confiança. Agora, unida a um homem que detém seu poder, ela enfrenta um dilema entre a guerra conjugal e o desejo. Em meio a cicatrizes ocultas e um acordo que vira paixão, Astrid desafia o domínio de João, provando que jamais será uma esposa submissa.
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Capítulo 3

Capítulo 3

Astrid Eriksson

Meu dedo ainda estava firme no gatilho, o corpo preparado para reagir ao menor movimento, mas tudo o que veio foi um rosto conhecido.

Era Alexei, e ao lado dele, Maria Luíza. Soltei o ar devagar, mas não abaixei a arma de imediato pela tensão.

- Que merda foi essa, hein? Em pleno dia do casamento? - Alexei perguntou, analisando os corpos no chão com aquele olhar frio e calculista de sempre.

João Miguel respondeu antes que eu dissesse qualquer coisa.

- Alguém queria impedir o casamento. Só esqueceram com quem estavam lidando. Deveriam ter se preparado melhor.

Cruzei os braços, ainda sentindo a adrenalina pulsando nas veias.

- Amadores.

Maria Luíza passou os olhos rapidamente por mim, avaliando se eu estava ferida.

- Tá tudo bem? - perguntou mesmo não vendo algum estrago.

- Estou sim, Malu. E vocês? Afinal também deveriam estar no hotel. O que aconteceu?

Alexei começou a dizer:

- Eu e a Malu estávamos esperando a Astrid, mas quando vimos fumaça no hotel subimos rapidamente - Alexei continuou. - Da janela de uma das escadas vi os nossos dois carros sendo roubados e, como trouxemos poucos homens, descemos pra resolver. Nils apareceu com o carro dele e conseguimos recuperar tudo.

Meu olhar encontrou Nils, e, pela primeira vez desde que tudo começou, senti um alívio real. Ele estava bem. Intacto. Nos conhecemos a anos aqui da Suécia.

Assenti de leve.

- Parece que a nossa equipe da Suécia é ótima... - comentei, arrumando minha arma antes de finalmente guardá-la.

Foi então que o celular de João tocou. Ele se afastou, falando baixo. Observei sua postura, a tensão ainda estava ali, mas não era só pelo ataque. Era pelo que aquilo significava.

Quando voltou, já vinha decidido.

- Precisamos nos apressar. Estamos atrasados. Meu pai já está preocupado. Estão todos nos esperando.

Maria Luíza olhou para mim.

- Astrid precisa trocar de roupa?

Passei a mão pelo vestido branco. A barra estava suja, havia poeira e um pequeno rasgo quase imperceptível. Nada que importasse.

- Não. Só me desfiz da luva, o resto está ok.

E estava mesmo, porque aquilo também fazia parte de quem eu era.

- Certo, então vamos - João disse, já assumindo o comando. - Ragnar, você cuida da limpeza aqui?

- Claro, Don.

A palavra "Don" ainda soava nova, mas ninguém contestava.

Nils deu um passo à frente.

- Eu ajudo Ragnar. - Mas eu não concordei com aquilo.

- Ragnar resolve, Nils - cortei, firme. - Quero você na cerimônia.

Senti o olhar de João sobre mim. Sua mão foi pra cintura me olhando.

- O que foi? - O questionei - Nils é como um irmão.

Ele não gostou. Vi no maxilar travado, mas não discutiu. Nils hesitou.

- Não quero causar problemas, Don. Posso ficar aqui- ele é tão atencioso e bom.

- Não - João interrompeu movendo a cabeça. - Se Astrid quer você na cerimônia, não tem discussão. Você vem.

Isso me fez olhar para ele por um segundo. Não era só autoridade. Era outra coisa que eu ainda não queria nomear. Ele pensou em mim.

Nils assentiu e foi até o carro. Eu entrei no carro de Alexei com João logo atrás. Não era o protocolo porque deveríamos estar cada um num carro, não era o certo ele me ver de noiva antes da hora, mas depois de tudo aquilo, ninguém ali estava interessado em seguir etiqueta.

O caminho foi silencioso, mas não confortável. Eu sentia o olhar de João em alguns momentos e, por mais que não olhasse diretamente, sabia que ele também estava sentindo como as coisas estavam mudando. Afinal, agora tudo mudaria.

Quando chegamos ao reduto sueco, tudo já estava preparado. O jardim estava impecável, como se não tivesse existido caos nenhum minutos antes.

Desci do carro sem dizer nada. João seguiu com os outros até a cerimônia e fiquei sozinha por alguns minutos. Esperando ouvir a música que diria o momento em que eu deveria entrar.

Então de repente ouvi:

- Vim levar a noiva até o altar. - Virei o rosto. Era Hugo.

Um sorriso escapou antes mesmo que eu pudesse conter.

- Achei que não viria. Aliás, que ninguém viria.

- Não perderia isso por nada. - Ele estendeu o braço. Segurei.

E, pela primeira vez naquele dia, respirei de verdade.

Caminhamos até a entrada do jardim. O ambiente era mais íntimo do que muitos esperariam, nada exagerado, nada público. Apenas os Strondda, os suecos e aqueles que realmente importavam do conselho da máfia.

Soldados fazendo a segurança e pessoas que sabiam exatamente o que aquele casamento significava.

Não era romance. Era poder, aliança. Era guerra disfarçada de união para algum sueco por aí.

A música começou, baixa e elegante. Dei o primeiro passo, e então outro. Meu olhar foi direto até ele.

João Miguel já estava no altar, com a postura firme e os olhos travados em mim, como se todo o resto tivesse desaparecido. Meu coração não acelerou como deveria. Mas também não estava frio, e isso me irritou.

Continuei andando, controlada, precisa, com cada passo calculado.

Até que algo quebrou o ritmo. Uma sensação estranha como se alguém ali não quisesse esse casamento. Como se quem tivesse tramado contra nós estivesse assistindo a cerimônia com algum sorriso falso. E isso infelizmente é muito provável no nosso meio.

Meu olhar desviou por instinto olhando para os convidados. E então eu vi.

Ela. A mulher do hotel, sentada ali, entre os convidados, como se pertencesse àquele lugar.

Quem convidou essa mulher?

Meu passo falhou, quase imperceptível, mas Hugo sentiu.

- Astrid... - murmurou baixo. Ignorei.

Mas meus olhos não saíram dela.

O mesmo rosto, a mesma presença. E aquele olhar calmo demais, como se soubesse exatamente o que estava acontecendo, como se estivesse esperando por alguma coisa.

Meu maxilar travou.

Por quê? O que ela estava fazendo ali? Aquilo não fazia sentido. Não naquele momento. Não naquele lugar. Não no meu casamento.

A raiva veio rápida, fria, cortante, mas eu não parei. Endireitei a postura, levantei o queixo e continuei andando.

Minha arma estava bem posicionada por baixo do vestido. Era um movimento duvidoso e eu não hesitaria em puxar. Mas de repente...

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