
UM CEO EM MINHA VIDA
Capítulo 3
POV: Arthur Valente
Os flashes dos paparazzi eram como disparos de metralhadora contra o vidro do restaurante. Eu sentia Beatriz ficar rígida ao meu lado, os dedos dela cravando-se sutilmente no tecido do meu smoking. Ela estava tentando manter a máscara de indiferença, mas eu conseguia ouvir sua respiração acelerada.
- Mantenha o sorriso, Beatriz - sussurrei perto de seu ouvido, minha mão descendo possessivamente pela curva do seu quadril, sentindo a seda do vestido preto deslizar sob a minha palma. - Eles precisam sentir o cheiro da nossa luxúria, não do seu medo.
- Eu não tenho medo de você, Arthur - ela retrucou entre dentes, mantendo um sorriso deslumbrante para a lente de um fotógrafo da Vogue. - Eu só tenho nojo da hipocrisia desse circo.
Eu ri, um som baixo que foi abafado pelos gritos dos jornalistas. A audácia dela era o combustível que eu não sabia que precisava.
O trajeto até a saída foi um borrão de perguntas gritadas e seguranças abrindo caminho. Quando finalmente entramos no banco traseiro do Mercedes blindado, o silêncio caiu sobre nós como um manto pesado. O isolamento acústico do carro nos deixou a sós com a fragrância de sândalo dela, que agora parecia preencher cada centímetro cúbico do veículo.
Eu a observei pelo canto do olho. Beatriz olhava pela janela, o perfil iluminado pelas luzes de neon da cidade. Ela parecia uma rainha destronada que acabara de retomar seu reino através de um pacto com o inimigo. A fenda do vestido revelava uma perna torneada que me dava ideias perigosas.
- Onde estão as minhas malas? - ela perguntou, sem se virar.
- Já estão na cobertura. Meus funcionários buscaram tudo o que era essencial no seu apartamento enquanto estávamos no jantar. O resto eu mandarei você comprar amanhã. Quero que seu guarda-roupa reflita a sua nova posição.
Ela finalmente se virou, os olhos verdes faiscando de fúria.
- Você invadiu a minha casa?
- Eu limpei o seu passado, Beatriz. Considere uma cortesia. A partir de hoje, você não vive em um apartamento de classe média com infiltrações. Você vive comigo.
- Eu assinei um contrato de casamento, Arthur, não uma escritura de escravidão.
Inclinei-me em sua direção, invadindo seu espaço até que ela fosse forçada a recuar contra a porta do carro. O perfume dela era inebriante, uma mistura de desafio e feminilidade pura.
- No meu mundo, as duas coisas são muito parecidas - eu disse, minha voz saindo num tom que era quase um rosnado. - Você queria salvar o legado do seu pai. Eu salvei. Em troca, eu quero a sua presença absoluta. Quero que, quando eu chegar em casa, o mundo lá fora deixe de existir e você seja a única coisa à minha frente.
Eu levei minha mão ao seu pescoço, sentindo o pulso dela martelando sob a minha pele. Ela não recuou. Pelo contrário, ela inclinou o rosto levemente, um desafio mudo.
- Você está sendo pago para fingir que me ama, Arthur. Não para ser meu dono.
- Cinquenta milhões compram muita coisa, Beatriz. Inclusive o direito de testar onde termina a sua resistência e onde começa o seu desejo.
O carro parou na garagem privativa do meu prédio nos Jardins. O elevador biométrico nos levou diretamente para a cobertura duplex. Quando as portas se abriram, o luxo minimalista da minha casa se estendeu diante de nós: mármore negro, obras de arte abstratas e uma vista de 180 graus de São Paulo.
Beatriz entrou cautelosamente, os saltos ecoando no chão frio. Ela parecia pequena naquele espaço vasto, mas sua presença preenchia a sala de uma forma que nenhuma das minhas conquistas anteriores jamais conseguiu.
- Onde é o meu quarto? - ela perguntou, a voz ecoando.
- No andar de cima. À direita. - Apontei para a escada de vidro. - O meu é o da esquerda. As portas permanecem destrancadas, Beatriz. É uma regra da casa. Não quero segredos sob o meu teto.
Ela me encarou por um longo momento, uma batalha silenciosa ocorrendo entre nós.
- Você acha que, deixando a porta aberta, eu vou acabar entrando no seu quarto por vontade própria? - Ela soltou uma risada sarcástica. - Você é mais iludido do que eu pensava.
- Eu não acho, Beatriz. Eu sei. - Dei um passo à frente, diminuindo a distância entre nós. - Você pode lutar contra isso o quanto quiser. Pode me odiar, pode me insultar, mas o jeito que você reagiu ao meu beijo no escritório me diz que o seu corpo já assinou o contrato muito antes da sua mão.
Ela abriu a boca para protestar, mas eu não dei chance. Dei as costas a ela e caminhei até o bar de cristal, servindo-me de um uísque.
- Vá dormir. Amanhã cedo temos uma reunião com o conselho da Holding. Eles querem conhecer a mulher que "amoleceu" o coração do Tubarão. Tente parecer apaixonada. Ou, no mínimo, satisfeita.
Ouvi o som dos passos dela subindo as escadas, cada batida no vidro soando como um desafio. Quando ouvi a porta do quarto dela se fechar - mas não o som da fechadura, pois eu sabia que ela não ousaria quebrá-la na primeira noite - eu finalmente soltei o ar que nem percebi que estava prendendo.
Eu bebi o uísque de um gole só, sentindo o líquido queimar minha garganta. Eu tinha o que queria. O controle da empresa estava garantido. Mas, enquanto olhava para a escada por onde ela tinha acabado de subir, percebi que o contrato era a parte fácil.
O difícil seria manter minhas mãos longe dela.
Subi as escadas meia hora depois. O corredor estava silencioso, iluminado apenas por luzes de LED embutidas no chão. Passei pela porta dela. Estava entreaberta, exatamente como eu ordenei. A luz do luar entrava pela janela enorme, desenhando o contorno de Beatriz na cama. Ela já tinha se trocado; eu conseguia ver o brilho de uma camisola de seda clara.
Parei por um segundo, observando o movimento rítmico de seus ombros enquanto ela dormia - ou fingia dormir. A vontade de entrar, de sentir o calor daquela pele novamente, de reivindicar o que o papel dizia ser meu, era quase insuportável.
Eu era um homem de lógica, de cálculos. E Beatriz Lovatelli era a única variável que eu não conseguia prever.
Entrei no meu próprio quarto, mas não consegui dormir. Cada som daquela cobertura parecia amplificado. Eu conseguia imaginá-la ali, a poucos metros de distância, odiando-me e desejando-me na mesma proporção.
Peguei meu celular e vi a primeira página dos portais de fofoca. "Arthur Valente e a Arquiteta de Ouro: O Casamento do Século ou o Negócio da Década?". As fotos do jantar estavam em todo lugar. Em uma delas, eu estava olhando para ela com uma intensidade que nem eu mesmo reconheci.
- Você não faz ideia do que começou, Beatriz - murmurei para o teto escuro.
Naquela noite, o Tubarão de São Paulo não sonhou com ações ou fusões. Sonhou com olhos verdes de tempestade e com o gosto de um beijo que prometia ser a minha ruína.
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