Capa do romance Um Casamento de Bilhões

Um Casamento de Bilhões

8.6 / 10.0
Sammy, herdeira de uma joalheria em Dubai, foca apenas em sua carreira e independência. Porém, uma noite intensa com Essan, um poderoso magnata hoteleiro dos EUA, muda tudo. Obcecado, ele cruza o mundo para reencontrá-la, descobrindo que suas famílias já planejaram um casamento por conveniência. Enquanto ela resiste às tradições impostas, o sedutor CEO não aceita ser rejeitado. Entre segredos e paixão, eles enfrentarão um embate de vontades onde o orgulho desafia o destino.

Um Casamento de Bilhões Capítulo 1

*Sammy*

Vamos começar assim:

Aquele seria meu último fim de semana na cidade. Minhas amigas — Nanda e Lara — fizeram questão de uma festa à nossa maneira. Cheguei a este país e, especificamente, a Cambridge, aos dezenove anos para fazer minha graduação em Matemática; agora estava partindo para meu curso de Mestrado em Matemática Financeira, no mais conceituado programa nessa área, em Nova Iorque.

Olhei para o espelho e um sentimento me preencheu: havia duas mulheres dentro de mim. Uma adorava a cultura de meu povo: véus coloridos, saias compridas, família acima de qualquer coisa, devoção a nosso deus. Esta não havia sido convidada para a festa! A outra estava ali à minha frente, com um vestido preto que acabava exatamente na dobra das minhas nádegas, de salto alto e fino, maquiada e sem vergonha alguma na cara, quem dirá véu! Odiando a ideia de que nós mulheres somos submissas. Me perguntei o que minha mãe diria se me visse vestida assim. Meu pai, certamente, enfartaria.

— Sammy, você está pronta? — Nanda gritou.

— Estou só colocando os brincos!

— Posso pedir o carro no aplicativo, então?

— Quê? Nada disso! Deixa Thales chegar, que vocês verão a surpresa! Se esta vai ser minha última noite aqui, que seja memorável!

— O que meu namorado e você estão tramando, hein? — Lara entrou na conversa, colocando metade do corpo para dentro do meu quarto.

— Ah, espere e verás!

Dei mais uma olhada, conferindo se o batom desenhava perfeitamente meus lábios. Peguei minha bolsa e saí do quarto. Nanda permanecia em pé, de costas para mim, com os olhos vidrados na tela do celular. Ela usava um vestido de mangas compridas, vinho, que deixava suas grossas pernas à mostra; eu conhecia aquela roupa e sabia que, na frente, haveria um decotão. Fiz um gesto de silêncio para Lara e fui me aproximando, dando-lhe um tapão na nádega esquerda, fazendo com que ela se assustasse.

— Sua vaca! Se eu morrer do coração, você não vai para festa alguma!

Nós três rimos. Olhei para Lara, dos pés à cabeça:

— Esse look é novo? — ela estava com um vestidinho, de frente única, um tanto mais comprido, porém de saia soltinha.

— Thales me deu de presente, especialmente para hoje! E você, não se cansa desse tomara-que-caia preto? Se eu tivesse teu dinheiro, eu compraria um vestido por dia e jamais o vestiria de novo!

— Ah, esse vestido é prático, só isso! — argumentei, passando as duas mãos pelo meu próprio corpo. — Ótimo para mostrar os peitos para o bartender e ser atendida o mais rápido possível!

Ficamos ainda conversando abobrinhas na sala, quando Lara afirmou, conferindo o celular:

— Thales está lá embaixo nos esperando... Vamos ver qual é a tal surpresa!

Entramos no elevador, rindo, felizes, escandalosas e ainda nem estávamos bêbadas.

— Podemos nos comportar um pouco? — Até aquele instante, eu ainda pensava em manter a imagem da amiga comportada do trio, que vim cultivando por esses anos.

— Não! — elas responderam em coro e Lara continuou:

— Na verdade, acho que podemos aprontar aqui! Vamos deixar o segurança excitado?

Ela puxou Nanda e se reposicionou para que o beijo que elas trocavam fosse bem captado pela câmera de segurança. De início, dei apenas um “tchauzinho” tímido, mas, pensando melhor, aquela era a minha última noite na cidade, então que se dane! Quando íamos chegando ao térreo, abaixei meu tomara-que-caia em direção à câmera, colocando-o em seu lugar antes que as portas se abrissem. Um casal estava à espera e passamos por eles, como se fôssemos três moças super comportadas. Ao sairmos pela guarita do condomínio, uma voz rouca e masculina foi ouvida.

— Belos peitos, senhorita Sammy! — Thomas elucidou num tom alto, para ter certeza de que eu ouviria, apesar do trânsito. — Ganhei a noite, mas apaguei a gravação. Não queremos que o Senhor Gerald veja...

Apenas lhe sorri, levantando os ombros, num gesto de “tanto faz”.

— Parou de paquerar o Thomas? Onde está Thales?

Como ele não podia estacionar bem em frente ao nosso prédio, fui olhando em ambas as direções e vi, ao longe, os fortes braços de Thales acenando do final da rua.

— Amiga, é o que estou pensando? — Nanda perguntou, arregalando os olhos que já eram bastante grandes.

Acenei um “sim” com a cabeça e saímos correndo na direção. Eu sabia que minhas amigas nunca haviam andado de limusine, então pedi a Thales para alugar uma para aquela ocasião. Ele estava em pé, deixando parte de seu peito para fora. Entramos, entre gritinhos histéricos e risos de felicidade. Ali dentro havia bebidas, petiscos, espaço, conforto, privacidade, motorista particular e um amigo de Thales, que eu não conhecia.

Lara pulou no colo do namorado, lhe beijando e Nanda se ocupou em olhar as bebidas disponíveis. Troquei um olhar demorado com o estranho.

— Acho que teremos que nos apresentar! — brinquei, apontando para Thales e Lara, que não iam desgrudar daquele beijo por um bom tempo. — Sou Samhyrïğa! Mas ninguém nesse país parece saber pronunciar, então pode me chamar de Sammy!

— Sou Ryan, prazer! Estou me sentindo meio intruso...

— Que é isso, quanto mais melhor! — essa foi Nanda, após abrir uma tequila e ir nos passando os shots para o brinde.

— Vamos brindar à mudança de Sammy! Ela vai nos abandonar aqui! Não teremos mais uma amiga rica para bancar nossas festas, no entanto é por um bom motivo... Amiga, que seu mestrado seja incrível! — Lara parecia que ia chorar.

Todos falamos “saúde” e viramos o copo. Eu o fiz sem tirar os olhos de Ryan. Ele era um cara lindo! Cabelo grande, liso e preto. Boca carnuda, sem barba, e olhos estreitos, como se sempre estivessem se protegendo do sol. Uma pele morena e um piercing no nariz.

— Então, está oficialmente iniciada a nossa celebração! — Thales quis dar aquela animada. Sabíamos que se Lara desandasse a chorar, a festa acabaria bem cedo.

Lara e Nanda estavam sentadas ladeando Thales, que parecia muito confortável nessa posição. Elas começaram a se beijar e ele adorava aquilo. Eu me levantei, deixando meu corpo para fora do teto do automóvel. Ryan também se ergueu, se colocando a meu lado.

— Não podia deixar você curtir a celebração sozinha!

— Ah, nem esquenta, estou acostumada a este triozinho... Geralmente eu participo também, contudo estou guardando minhas forças...

— Algo em mente? — ele me deu um sorriso sacana.

— Muitas coisas... e aquele sentimento de que hoje vai acontecer algo especial!

— Estou à disposição se quiser minha ajuda com isso...

Convencido! Eu gostava de homem com atitude. Porém eu gostava mais de tomar atitudes, então o beijei. Ele tinha um beijo calmo, doce, de hálito bom. Aquele beijo do qual você não quer desgrudar. Estava tão gostoso que fui o puxando contra mim, me encostando toda nele, o que lhe deu mais coragem para deslizar as mãos pelas minhas costas, me causando um arrepio.

Estávamos chegando à ponte que liga as duas cidades. A cidade vizinha possuía vários clubes legais e isso já nos causou problemas, sendo difícil escolher qual frequentar — até que encontramos o nosso preferido. Durante o percurso de toda a ponte, ficamos naquele beijo e o trânsito lento até nos ajudava a demorarmos nele. Quem olhava de fora, via um beijo “quase” inocente, porém, as mãos dele haviam descido da minha cintura para minha bunda.

Ao final da ponte, decidimos nos sentar e continuar nos pegando. Seriam uns dez minutos de rodovia até o centro da próxima cidade. O triozinho continuava bebendo e se beijando e eu pus-me de lado, no colo de Ryan, para que continuássemos a nos pegar também.

— Você é muito gostosa! — sussurrou.

Ri, de encontro aos lábios dele e ele me abraçou. Nesse momento, a vozinha da minha intuição me avisou: “Sammy, esse daí é do tipo que se apaixona fácil e você vai mudar para outro Estado amanhã, sua louca!

Chegamos ao clube de sexo. Sim, era o tipo de lugar que frequentávamos. Tínhamos carteirinha VIP e tudo! Começamos a festa nos pegando na pista de dança, tomando a primeira bebida que os garçons servissem. Não tardou em Ryan me abraçar pelas costas, me beijando o pescoço. Ele estava duríssimo.

Foi curioso porque, quanto mais a coisa ao redor esquentava, menos eu sentia tesão. Eu pensava em dispensá-lo quando vi Nanda voltando do toalete e encontrei uma solução mais elegante. O puxei até onde ela estava se sentando, dizendo:

— Amiga, presente para você! — Pisquei o olho.

— Que presente delicioso! Já veio no ponto...

— Sammy... Aonde você vai? — ele questionou.

Ainda o beijei, entretanto logo me desvencilhei, pegando minha bolsa na mesa.

— Ao bar... Aproveita a Nanda enquanto vou pegar meu coquetel especial...

Sim, parecia loucura dispensar aquele gato, porém naquela noite decidi que merecia mais que beleza. Algo que me faria recordar daquela noite para sempre.

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