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Capa do romance Um Bilionário Em Minha Vida

Um Bilionário Em Minha Vida

Laila Diaz vê sua rotina mudar ao entregar um órfão ao novo tutor, o bilionário Marcus Campbell. Apesar de ranzinza, o escocês precisa de ajuda para um retiro familiar e oferece um emprego imperdível a ela. Em uma ilha paradisíaca, a conexão entre a babá e o chefe cresce, derretendo a frieza de Marc. No entanto, o fim das férias e as pressões do mundo real ameaçam o romance. Será que esse amor sobreviverá além da fantasia e se tornará algo duradouro?
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Capítulo 2

CAPÍTULO DOIS

Laila saiu e Marc fechou a porta, parando por um momento para recuperar o fôlego.

Obviamente, ele tinha muita coisa para pensar. A maior delas, o bebê que estava atualmente cochilando em sua cadeirinha depois que Laila o embalou para dormir. Mas a mente dele continuava focando na mulher que tinha acabado de pegar o elevador de volta ao saguão, a caminho de casa para fazer as malas para a viagem.

Deus, como ela era linda. Sua pele era de outro mundo, um bronzeado dourado salpicado por sardas adoráveis posicionadas sobre o nariz arrebitado. Nem seu traje sério e prático de negócios conseguia esconder sua bunda em formato de pêssego ou a forma como seus seios esticavam o tecido da blusa. Ela parecia saída de todas as fantasias que ele já havia se permitido ter. Mas essa não era a hora para fantasias. Agora era a hora de descobrir o que diabos ele faria a seguir.

Ele respirou fundo para se recompor, percorreu mentalmente sua lista de tarefas e, em seguida, decidiu usar sua carta na manga; aquela sem contrapartidas.

Ele ligou para sua mãe.

O barulho de fundo de um restaurante barulhento agrediu seus ouvidos. Ele escutou o murmúrio aflito de seu pai, seguido pelo resmungo de sua mãe:

— Ai, eu não entendo essas engenhocas... ah! Está ligado! Oi, Marcus! Você está me ouvindo?

— Sim, mãe. Desculpe incomodar.

— Não é incômodo — assegurou sua santa mãe, embora ele tivesse certeza de que seu pai discordaria.

Marc esfregou a nuca.

— Mãe, eu tenho algo pra te contar e preciso que você não faça perguntas até que eu termine a história toda.

— Estou ouvindo — ela respondeu imediatamente.

Ele olhou para a cadeirinha de bebê. Pobre Remy. Memórias passaram por sua mente, as noites que costumavam passar em claro na faculdade, revisando a matéria antes dos exames de economia, a noite em que invadiram o refeitório e roubaram uma bandeja inteira de copos de pudim. Eles se distanciaram nos últimos anos, mas o forte senso de lealdade permanecia – de ambos os lados, aparentemente, já que Remy chegou ao ponto de nomear Marc como guardião. A culpa surgiu como peixinhos em suas veias, e ele limpou a garganta.

— Mãe, você se lembra do Remy Clark? Meu amigo da universidade? — Sua mãe se lembrava, e ele rapidamente a informou sobre o acidente e suas consequências, concluindo: — Eu sei que você e papai tinham uma noite inteira planejada, mas vocês se importariam de voltar agora? Tenho coisas de bebê para hoje à noite, mas preciso comprar mais para o cruzeiro.

Ela prometeu voltar imediatamente e, no entanto, o tempo pareceu se arrastar infinitamente. Sua comida chinesa eventualmente chegou, mas Marc a deixou de lado. Estava sem apetite. Finalmente, ele ouviu seus pais entrando com a chave reserva. O pai, previsivelmente, desapareceu no quarto de hóspedes sem dizer uma palavra a Marc, mas sua mãe dirigiu-se a ele de imediato.

— Pobrezinho.

Marc se permitiu ser envolvido no abraço apertado. Sua mãe o segurou por um momento e ele pôde sentir a emoção começar a brotar de dentro dele.

Ele se afastou, enxugando os olhos. Este não era o momento de desmoronar – era o momento de assumir o comando. Afinal, era por isso que ele era reconhecido. Marc não se tornou um bilionário antes dos trinta e cinco anos recuando e deixando a vida acontecer.

— Você pode me fazer uma lista de coisas que vamos precisar pra viagem?

— É claro. E então, quando eu terminar com isso... — Ela fez uma pausa e por um momento seus olhos brilharam com entusiasmo. — Posso vê-lo? Ele está acordado?

Marc riu. O desejo de sua mãe em ver o bebê não foi uma surpresa.

— Ele está na cadeirinha, mais ou menos por aqui. — Ele a conduziu mais alguns passos para dentro da sala. — Mãe, conheça Grayson Clark. Ele tem seis meses.

— Ah, Marc. — Sua mãe suspirou. Ela agarrou o braço dele por um momento, antes de se agachar para espiar o bebê adormecido. — Ele é perfeito! Olha essa boquinha! Fico imaginando com o que ele está sonhando.

— Espero que com alguma coisa dessa lista que você vai fazer — Marc instigou sua mãe.

— Sim, claro.

Ela se pôs em pé novamente e, depois de uma breve discussão sobre a necessidade de um bloco de notas, com Marc explicando pacientemente que era para isso que servia o celular, ele recebeu suas diretivas e partiu em busca de um berço portátil, mais leite em pó, mamadeiras, fraldas, lenços umedecidos e o que quer que fosse um “mordedor”. Ele também ligou para o capitão para garantir que o cruzeiro estivesse preparado para outro passageiro adulto e um bebê.

A ligação para o capitão foi muito melhor do que sua incursão às compras. Ele ficou perdido na seção de bebês até que uma vendedora gentil sentiu pena dele e assumiu seu carrinho de compras.

— Eu faço isso — ela disse com firmeza. — Espere no caixa.

O resultado disso foi que ele realmente não tinha ideia do que havia comprado até que voltou para casa e fez sua mãe lhe explicar tudo. Assim que tudo foi desembalado e montado, sua mãe deu uma olhada em seu rosto e apertou sua mão novamente.

— Você gostaria que eu assumisse o primeiro turno com o garotinho?

Marc fechou os olhos, aliviado.

— Sim. Obrigado.

Sua mãe lhe deu um sorriso carinhoso.

— Vamos tirar o bairn daquela cadeirinha e colocá-lo em seu berço novo. Eu vou te mostrar como deve ser a rotina noturna. Quando foi a última vez que você trocou uma fralda?

Pelo menos ele não era tão inútil nas trocas de fraldas quanto era nos corredores de fraldas, ele pensou com orgulho, uma vez que Grayson estava trocado e vestido com seu novo body. Sua mãe se acomodou na bola de pilates que ela pediu para Marc comprar – por razões que ele não entendeu muito bem até que a viu se balançando – e os olhos do bebê começaram a se fechar.

— Como está o papai? — ele perguntou em voz baixa. Embora seus pais estivessem com ele nos últimos dois dias, em preparação para o cruzeiro, ele mal tinha trocado duas palavras com seu pai. E isso era típico do relacionamento deles. Se não fosse por sua mãe mantê-lo informado, ele nem saberia sobre as batalhas que enfrentaram com a saúde em declínio do seu pai. — Ele está indo bem?

Havia um toque de desespero em sua voz.

Sua mãe suspirou enquanto batia ritmadamente no bumbum de Grayson.

— Melhor do que se esperaria, mas pior do que ele pensa.

— O que ele pensa?

— Que ele é invencível? — sua mãe sugeriu secamente.

Marc soltou um gemido frustrado.

— Ele tem silicose. Ele obviamente não é invencível. O que vai ser preciso pra ele entender?

Sua mãe permaneceu resolutamente calada, ele não tinha certeza se por lealdade ou simplesmente resignação. Os dois permaneceram quietos por um momento enquanto a respiração de Grayson desacelerava e se aprofundava.

— Você já pensou em como contar a ele sobre a clínica de tratamento? — Marc finalmente perguntou quando ela se levantou para acomodar Grayson no berço. Essa era a razão do cruzeiro, mesmo que seu pai não soubesse. Em algum momento entre agora e quando eles chegassem à Grécia, alguém ia ter que dizer a Kenneth Campbell que eles o levaram até lá para ter acesso a um tratamento novo e revolucionário.

Sua mãe balançou a cabeça.

— Deixe que eu me preocupo com isso — ela disse, apagando a luz. — Mas agora, você e eu precisamos dormir um pouco.

Eles precisavam dormir. Mas, definitivamente, não conseguiram.

Cedo na manhã seguinte, Marc abafou um bocejo e tomou outro gole de seu café. Grayson passara a noite toda inquieto. A cada hora, aparentemente na virada da hora, Marc ou sua mãe tinham que correr para o quarto para alimentá-lo, ou trocá-lo, ou acalmar quaisquer terrores infantis que o atormentassem. Não era justo ficar irritado com um bebê, especialmente um que perdeu seus pais, mas Marc não conseguia olhar para Grayson esta manhã sem se irritar um pouco.

Se ele não tivesse tanta coisa para fazer...

Ele bebeu mais café e consultou a lista de embarque.

— Acho que isso é tudo — disse ele quando seus pais saíram do quarto de hóspedes. Suas malas estavam todas empacotadas e a caminho das docas. Ele tinha providenciado para que carregadores conduzissem as malas separadamente, imaginando que elas precisariam ser carregadas muito antes de qualquer passageiro.

Mas seus nervos não aguentaram a espera e, não muito tempo depois que os carregadores saíram, ele chamou o carro para pegar os três. Os quatro.

Ele esperava que eles fossem os primeiros a chegar, mas devia ter se esquecido em que família ele tinha nascido.

— Veja! — sua mãe exclamou, apontando para fora da janela do carro. — Todo mundo já está aqui!

— A família Campbell inteira — Marc ecoou. — Espero que você esteja pronto.

Ele soltou Grayson da sua nova cadeirinha e o ergueu desajeitadamente em seus braços.

— Um bebê? — seus primos mais novos gritaram, correndo até ele.

— De onde você tirou um bebê? — sua prima Mathilda perguntou, incrédula.

Grayson olhou para todos os rostos que o cercavam e começou a chorar.

— Ah. — Marc se balançou do jeito que tinha visto sua mãe fazer na noite passada. — Ah, pronto, pronto. Está tudo bem. Você está bem.

Isso deve ter soado tão pouco convincente para Grayson quanto para Marc, porque o bebê começou a chorar desesperadamente.

Seu pai bufou.

— Você definitivamente tem o dom. Está me dizendo que vou ficar preso em um barco, não só com vocês — disse ele, gesticulando para a família ao seu redor —, mas com um bairn birrento também?

Marc sentiu o calor subir até a nuca. Isso foi o máximo que seu pai falou com ele nas últimas quarenta e oito horas, e foi para insultá-lo.

Quando ele estava prestes a retrucar e expor seus próprios sentimentos sobre estar preso em um barco com seu pai, sua tia Sutton falou:

— Kenneth, você poderia se acalmar e sorrir uma vez na vida? Pare de agir como um idiota, se isso for possível.

Tia Sutton sempre foi a favorita de Marc.

Sua prima favorita, enquanto isso, balançava a cabeça com toda essa cena.

— Não consigo acreditar que você tem um bebê — Mathilda repetiu. — Vai pelo menos nos dizer o nome dele?

— Hã, este é o Grayson. — Marc estava se balançando novamente. — O pai dele era um velho amigo da faculdade. Aconteceu um acidente alguns dias atrás, e eu descobri ontem que ele deixou a guarda pra mim. Grayson, esta é minha prima Mathilda. Talvez ela tenha mais sucesso em acalmar você?

Mathilda, que agora parecia um pouco culpada por provocá-lo, estendeu os braços para pegar Grayson, mas a tia deles se atravessou.

— Me dê o pequenino! — tia Sandra gritou.

Marc pesou sua exasperação com sua tia menos favorita contra o desejo de que Grayson parasse de fazer barulho e imediatamente o entregou. Tia Sandra balbuciou e murmurou algumas coisas estranhas que, ou acalmaram o bebê, ou o deixaram tão perplexo que ele teve que parar de chorar para ouvir melhor. De qualquer forma, Grayson parou de chorar por um momento e apenas olhou para a mulher que o segurava.

Marc imaginou se deveria continuar as apresentações, mas então decidiu que não importava. Grayson parecia muito mais interessado em chupar seu punho do que aprender fatos sobre os parentes de Marc – que Sutton e Sandra eram irmãs de seu pai, que Fraser era tio de seu pai, que Mathilda era filha de Sutton e que Fiona e Felix eram netos de Fraser, ou que todas as outras pessoas que todos mencionavam eram os vários outros parentes que não puderam se juntar a eles e que ficariam “verdes de inveja” quando vissem todas as fotos depois que a viagem terminasse.

Não havia necessidade de Grayson aprender sobre a família... já que ele provavelmente não faria parte dela por muito tempo.

Marc já tinha incumbido seus advogados de encontrar parentes de Remy ou de sua esposa que fossem adequados para acolher Grayson. Marc se certificaria de que o menino fosse bem cuidado, é claro, mas ele também sabia que ser pai não era com ele. Ele cumpriria seu dever para com Remy, certificando-se de que o filho de seu amigo encontrasse um lar maravilhoso. Um que não incluísse uma figura paterna antissocial e viciada em trabalho. Mas até que o lar perfeito pudesse ser encontrado, Marc teria que superar essa situação da mesma forma que superou todas as outras provações que enfrentara – com compromisso, dedicação e disposto a contratar as melhores pessoas disponíveis para ajudá-lo ao longo do caminho.

E por falar nisso, onde estava Laila? Ele esperava que ela não tivesse amarelado, embora honestamente não a culpasse.

Ele franziu a testa quando o barco de transporte se aproximou.

— Temos que pegar uma carona para chegar ao iate — ele explicou ao grupo enquanto o barco se aproximava.

— Todos a bordo! — Tia Sutton gritou assim que o barco atracou.

Marc ficou para trás.

— Hum, bem, nem todos. Ainda não. — Ele olhou na direção do final da plataforma. — Ainda estamos esperando por alguém.

— Quem?

— Marc contratou uma babá — explicou sua mãe. — Ela deve estar chegando, não é, Marcus? Você gostaria que eu esperasse com você?

Marc balançou a cabeça.

— Vocês todos vão sem mim e escolham seus quartos.

— Eu fico com o maior — Mathilda anunciou imediatamente.

— Boa tentativa — ele brincou com a prima. — A cabine VIP vai para mamãe e papai. E a suíte do proprietário...

— Fica com você, eu presumo? — Mathilda revirou os olhos. — Sem graça.

Marc riu.

— Bom, todo o resto está disponível. Vou confiar em você para garantir que nenhuma briga terrível aconteça.

— Não garanto nada — Mathilda retrucou. Mas ela pareceu levar sua atribuição a sério, porque levantou a voz e acenou com as mãos, efetivamente enxotando todos pela passarela e para as mãos da tripulação que esperava. — Tudo bem, pessoal, vamos sair!

Uma vez que todos estavam a bordo, o barco de transporte se afastou, deixando Marc e Grayson sozinhos. A ausência do motor do barco deixou um profundo silêncio em seu rastro, pontuado apenas pelos gritos curtos das gaivotas que sobrevoavam.

Ele manteve os olhos focados na extremidade do píer, esperando um vislumbre da reveladora nuvem de cachos de Laila. Um minuto se passou, e então cinco, e, quando ela não apareceu, Marc notou sua atenção vagando para o pequeno humano que ele estava segurando.

Ao menos Grayson estava agora calmo em seus braços.

— Sinto muito por minha família disfuncional — disse ele ao bebê. — E estes são apenas os que puderam vir no cruzeiro. Você tem sorte de não ter todo o clã Campbell pra enfrentar.

O bebê balbuciou e deu um soco minúsculo no peito de Marc.

— Sim, eu concordo. — Marc teve que rir. — Eles são definitivamente um desastre. Eu sei que eles se amam, mas nem sempre sabem como demonstrar isso. Eu vou te prometer uma coisa agora, ok? Eu vou encontrar uma família melhor pra você. A melhor família, até. Você merece pessoas que possam te dedicar todo o seu tempo. Você merece— Ele se conteve antes que pudesse dizer “um pai”.

Marc não estava equipado, de forma alguma, para ser pai. Grayson merecia o pacote completo – um pai que realmente quisesse filhos, não apenas alguém que estava tolerando uma situação na qual foi jogado.

— Você merece o melhor, e eu vou te dar o melhor. Mas o melhor não sou eu. Entende? — ele perguntou ao bebê.

Por um momento, seus olhos se conectaram e Marc se pegou imaginando o quanto um bebê de seis meses poderia realmente compreender.

Então, Grayson balbuciou e avançou para esfregar a gengiva nos botões da camisa de Marc. O que, Marc supôs, era a melhor resposta que ele poderia ter recebido.

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