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Capa do romance Um Bilionário Em Minha Vida

Um Bilionário Em Minha Vida

Laila Diaz vê sua rotina mudar ao entregar um órfão ao novo tutor, o bilionário Marcus Campbell. Apesar de ranzinza, o escocês precisa de ajuda para um retiro familiar e oferece um emprego imperdível a ela. Em uma ilha paradisíaca, a conexão entre a babá e o chefe cresce, derretendo a frieza de Marc. No entanto, o fim das férias e as pressões do mundo real ameaçam o romance. Será que esse amor sobreviverá além da fantasia e se tornará algo duradouro?
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Capítulo 3

Laila desceu correndo o passadiço, com a mala de rodinhas batendo na parte de trás do calcanhar a cada dois passos. Ela ficaria com um belo hematoma, mas não havia tempo para se preocupar com isso agora.

O píer era uma rede confusa de passarelas interconectadas. Os iates e veleiros ancorados pelos quais ela passava em sua corrida desenfreada pareciam ficar maiores à medida que ela avançava. Seu coração – já prestes a bater fora do peito com o exercício inesperado – acelerou ainda mais rápido em antecipação ao tamanho da embarcação de Marc. Onde ela passaria as próximas seis semanas da sua vida?

No entanto, quando chegou à vaga numerada onde ele a instruiu a encontrálo, ela ficou surpresa. Estava completamente vazia.

À exceção do escocês incrivelmente bonito segurando um bebê.

— Sinto muito! — ela disse, ofegante, para as costas largas de Marc.

Ele se virou e sorriu para ela. Grayson estava confortavelmente encaixado no quadril dele, parecendo feliz e, para quem tinha passado a noite com estranhos, com a aparência até que boa.

Laila engoliu em seco. Ontem à noite, Marc estava vestido como se tivesse vindo direto do escritório, com uma camisa social com as mangas arregaçadas e uma calça de corte impecável, e isso foi o suficiente para ela ter alguns sonhos bem embaraçosos com ele.

Mas a visão dele em roupas casuais – calças bem ajustadas de sarja e uma camiseta branca com decote em V que descia o suficiente para revelar um pouco dos seus peitorais impressionantes – também seria material para algumas fantasias muito embaraçosas.

Ela tirou esses pensamentos da mente tão rápido quanto eles surgiram. Ele era o patrão dela e ela estava aqui para executar um trabalho; e o pior de tudo é que ela estava atrasada para o primeiro dia.

— Sinto muito — repetiu.

— Você chegou — Marc disse, e não havia nada acusatório em seu tom de voz.

Irredutível, Laila continuou se desculpando.

— Fazer as malas demorou muito mais do que eu desejava — ela engasgou. — Consegui sublocar o meu apartamento e minha amiga do trabalho concordou em ficar responsável por isso, mas ela precisava que eu deixasse a chave na casa dela antes de vir pra cá, porque ela estava cuidando dos filhos da irmã dela—

— Está tudo bem — disse Marc, levantando a mão para evitar mais desculpas ofegantes. — Ainda estamos organizando tudo e, cá entre nós, o tempo extra de espera ajudou a clarear a minha cabeça.

— Onde está o barco? — ela perguntou, confusa.

Como resposta, ele gesticulou para a água. Um pequeno barco de transporte estava vindo direto até eles.

— Meu iate é grande demais para esta marina rasa — ele explicou. — Precisamos chegar a águas mais profundas.

— Ah — Laila disse em voz baixa, tentando agir como se isso não fosse intimidador. Ela aceitou Grayson em seus braços e balançou seu pingente sedutoramente na frente dele. Ele atacou.

O capitão do barco de transporte manobrou habilmente a embarcação ao lado do cais. Antes mesmo de parar completamente, um tripulante uniformizado saltou para abaixar o passadiço, prendendo-o com alguns nós rápidos. Ele levantou a cabeça ao concluir e bateu continência.

— Bom dia, Sr. Campbell.

— Bom dia, Jackson — Marc respondeu cordialmente. — Você pode ajudar a Srta. Diaz com a mala?

— É claro. — Laila ficou ali, estupefata, enquanto o tripulante se movia com tanta rapidez e eficácia que, em um momento, sua mala estava ao seu lado, e no outro estava presa no barco em algum lugar. Quando tudo foi resolvido, Jackson perguntou: — Pronto pra embarcar, senhor?

— Um momento — Marc respondeu, com a voz tensa. Laila voltou-se para ele e percebeu, pela primeira vez, que ele não parecia bem. Ele tirou algo do bolso da calça e enrolou no pulso.

— O que é isso? — perguntou Laila. — Algum tipo de aparelho? Você está bem?

Marc respirou fundo.

— Não, estou bem. Bom, não estou doente. — Ele baixou a voz um pouco, parecendo envergonhado ao confessar. — É uma pulseira com ponto de pressão. Não sei se funciona ou se é tipo um placebo, mas supostamente reduz o enjoo, e eu às vezes fico um pouco mareado.

— Você fica mareado? — repetiu Laila. Não era típico dela ser rude, então manteve a segunda parte da sua pergunta para si mesma, mesmo com as palavras ecoando na sua cabeça. Por que diabos alguém que fica enjoado na água decide comprar um iate?

Mas a pergunta não foi feita e os dois embarcaram no barco de transporte. Enquanto aceleravam pelas águas agitadas, duas coisas se tornaram imediatamente aparentes. Uma, que a pulseira era definitivamente uma farsa, porque não funcionou. E a segunda foi que Marc estava mentindo quando disse que só ficava um pouco enjoado.

Laila nunca tinha visto um homem mais arrasado. Ele se inclinou para frente, respirando fundo e engolindo em seco, ocasionalmente soltando um gemido triste quando eles alcançavam o rastro de outro barco e mergulhavam precariamente. Grayson se mexeu nos braços de Laila, claramente gostando do passeio, mas a atenção dela estava focada apenas em Marc e, finalmente, ela não pôde deixar de perguntar, o mais diplomaticamente possível:

— Por que você concordaria com um cruzeiro se estar na água te deixa assim tão enjoado? — Ela tentou suavizar a pergunta com um sorriso. — Não parece uma maneira agradável de passar suas férias.

Marc riu com tristeza.

— Bom, este cruzeiro é mais do que meras férias em família. O que eu vou te contar é confidencial, certo?

Laila se endireitou.

— Claro.

Marc assentiu e então fechou os olhos com força, parecendo ter se arrependido do movimento adicional.

— Meu pai está doente. Ele tem uma doença pulmonar, resultado de uma vida inteira na indústria de petróleo e gás. Ele recusou a maioria dos tratamentos paliativos que estão no mercado, pois ele teria que tomar a medicação pelo resto da vida e se recusa a me deixar pagar a conta. Mas eu encontrei uma clínica na Grécia que desenvolveu um tratamento que pode ser administrado de uma só vez. Não é uma cura, mas vai tornar a vida mais confortável pra ele. É pra lá que estamos indo.

— E eu jurei segredo porque... ele não sabe disso?

Marc assentiu novamente, desta vez com resultados menos dramáticos.

— Minha mãe acha que será mais difícil pra ele recusar quando já estiver lá, com ela e as irmãs dele pressionando pra que ele diga sim.

— Você acredita nisso? — Laila perguntou.

Seu olhar fulminante era a resposta que bastava.

Como se estivesse ecoando o descontentamento de seu guardião, Grayson gemeu e se contorceu nos braços dela, seu punho gorducho batendo no fecho do seu colete salva-vidas. Laila sentiu um aperto no coração. Ela acreditava que sua habilidade de sentir empatia era sua maior força, mas também era sua maior fraqueza. Às vezes, ela desejava poder se isolar das emoções do mundo – poder se isolar da dor dos outros e viver apenas em sua própria cabeça. Outras vezes, ela sabia, sem sombra de dúvida, que sua capacidade de realmente compreender o que os outros sentiam tinha sido sua salvação em mais de uma ocasião.

Seu instinto lhe disse que Marc não queria mais falar sobre seu pai. Algo além da sua angústia sobre a saúde dele agora o estava calando. Ele precisava de uma distração. Ele precisava rir.

— Você já esteve em Wildwood? — ela perguntou em um impulso.

Marc olhou para ela, confuso.

— Isso não fica em Nova Jersey? — ele perguntou. As palavras foram ditas com o sotaque escocês, mas com uma rendição tão perfeita do desdém dos habitantes de Manhattan que Laila teve que rir.

— Sim. Nova Jersey. Talvez você tenha ouvido falar. É aquele pedaço de terra... bem ali? — Ela acenou com a mão em direção ao oeste e aos distantes arranha-céus. — Muitas pessoas são de Nova Jersey.

Marc sorriu, aparentemente grato pela mudança de assunto e disposto a entrar na brincadeira.

— Hum, eu não vejo nada digno de nota. Tem certeza?

— Típico nova-iorquino — ela brincou. — Sim. Foi lá que eu cresci, então tenho certeza de que existe. E Wildwood é uma cidade na costa sul de Jersey.

— Já ouvi falar — admitiu Marc.

— O que você ouviu?

— Que existe uma cidade chamada Wildwood na parte sul de Jersey — ele brincou, fazendo cara de paisagem.

— Muito engraçado. Bom, tem um parque de diversões lá, chamado Píer do Morey. Provavelmente, pensei nisso agora, porque está efetivamente localizado em um píer que se projeta do calçadão para a água. Enfim, aquela atração da costa de Jersey foi o píer mais chique em que eu já estive. Antes de hoje, de qualquer forma.

— Algo me diz que tem uma história aí.

Marc sorriu. Um sorriso amplo e contente. Ele era ainda mais bonito quando sorria, Laila percebeu. Algo que não deveria ser possível, porque ninguém no mundo era tão bonito quanto esse homem.

Mesmo que ele ainda estivesse um pouco esverdeado.

— Ah, tem, sim. — Ela fez uma pausa, esperando para ver se ele queria ouvir, e ele gesticulou para que ela continuasse. — Imagine que eu tinha dezesseis anos e estava abrindo caminho até uma das gôndolas da famosa roda-gigante do píer. Já tinha duas pessoas a bordo e eu insisti com o operador que o casal que já estava lá dentro tinha espaço suficiente para me incluir.

— Ah! Mas você não podia ter esperado?

Ela balançou a cabeça.

— Eu queria tirar uma foto do pôr do sol do alto da roda-gigante, e todas as outras gôndolas estavam cheias. Se eu tivesse esperado pela próxima gôndola disponível, eu teria perdido. Por isso, insisti pra que permitissem o meu embarque. Só que...

— Só que? — Os olhos de Marc já estavam dançando e ela mal havia começado a história.

Ela estremeceu.

— Só que acabou que o cara tinha planejado esse pedido de casamento grandioso, no pôr do sol, e as outras gôndolas estavam todas cheias de amigos do casal. Eu basicamente entrei de penetra em uma coisa que ele estava planejando há semanas.

Marc começou a rir e o som estava mexendo com coisas dentro dela.

— O que aconteceu depois?

— Quando a gôndola chegou ao topo, ele pediu a namorada em casamento enquanto me fuzilava com os olhos o tempo todo. Seus amigos estavam todos conectados por vídeo e lá estava eu sentada, tentando não atrapalhar, mas completamente no caminho.

— Ah, não! Mas você não poderia saber que era isso que ele tinha planejado. Não é?

Laila deu de ombros.

— Acho que eu poderia ter perguntado, mas isso teria estragado a surpresa dele. — Ela riu ao se lembrar do evento. — E ficou pior. Acabamos ficando presos lá em cima por mais tempo do que o normal e eles começaram a se pegar loucamente, como se já estivessem na lua de mel. Como se estivessem tentando me punir por estar lá. E conseguiram.

— Você pelo menos conseguiu sua foto?

— Sim. Não, na verdade não. Eu tentei, mas eles ficaram me encarando como se eu estivesse fazendo algo ruim. Então eu tirei um monte de fotos e, quando eu finalmente fui olhar, mais tarde, elas estavam todas fora de foco.

Marc ainda estava rindo quando o barco de transporte parou ao lado do que, deste ângulo, parecia um penhasco branco escarpado.

— Chegamos — disse ele, aliviado. — E eu não tive que pendurar minha cabeça pra fora do barco, graças a você, que manteve minha mente longe. Obrigada. Foi uma grande vitória.

— De nada — murmurou Laila distraidamente. Ela estava muito ocupada olhando para cima. E mais para cima.

O iate de Marc era mais do que enorme. Era gigantesco, do tamanho de um quarteirão inteiro.

— Isso é seu? — ela grunhiu, sentindo-se repentinamente desconfortável. Quando eles estavam apenas conversando, Marc parecia um cara normal, mas não era. A sombra do seu ex-noivo passou por ela. Ele era razoavelmente rico e estava progredindo, mas achava que isso lhe dava o direito de controlar tudo. Incluindo ela.

— Não por muito mais tempo, eu espero — Marc bufou.

Laila se virou para ele, lutando com seus pensamentos internos. Marc era do tipo que acreditava que seu dinheiro lhe dava o direito de exercer seu poder sobre os outros? Ela ainda não sabia dizer, mas a ideia a deixou inquieta.

Ele encolheu os ombros.

— Quero vender essa coisa desgraçada assim que voltarmos. Só comprei pra impressionar o dono de uma empresa que adquiri há alguns anos. Quase não uso. Como você deve ter notado, não sou muito adepto da água.

— Sim — Laila concordou sem muito entusiasmo. Por dentro, sua mente ainda girava. Ela sabia que Marc era o presidente da Campbell Web Developers – ela havia pesquisado bastante no Google quando chegou em casa na noite passada. Sua empresa fazia aplicativos de celular, que ela avaliou que devia ser um bom negócio. Mas, se ele foi capaz de comprar um iate do tamanho de um quarteirão por capricho, então de quanto dinheiro estavam falando? Como esse tipo de riqueza poderia não mexer com a cabeça de alguém?

Essa era a pergunta que agora dançava na ponta da sua língua, mas, ao contrário da última, ela era educada demais para deixar essa escapar. Ela manteve os lábios – e todas as perguntas por trás deles – bem fechados enquanto embarcava no iate, segurando Grayson cuidadosamente em seus braços. Ela pisou na madeira polida do amplo deck e olhou para seus chinelos de farmácia e para a bainha do vestido da Target que ela sempre considerou seu vestido “bom”, e se sentiu distinta e desconfortavelmente fora de lugar.

Ainda bem que esse era apenas um trabalho temporário. Seis semanas, e então ela estaria de volta ao mundo real. Onde ela pertencia.

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