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Capa do romance Um Amor Retorcido: O Sabor Amargo da Traição

Um Amor Retorcido: O Sabor Amargo da Traição

No aniversário de Heitor, enviei-lhe o embrião de nosso filho abortado como vingança. Ele destruiu meus pais por causa da amante, Âmbar. Após me internar em um hospício sob tortura, tentei matar Âmbar em uma queda. Sobrevivi, mas Heitor exigiu que eu doasse meus tendões para salvá-la. Ele pensou que me venceria no hospital, mas usei o momento para arquitetar minha fuga. Enquanto ele implorava, eu desapareci, deixando-o para trás em ruínas.
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Capítulo 3

Ponto de Vista de Laura Moraes:

Deixei o túmulo da minha mãe com o coração pesado, mas com um passo mais leve. O confronto com Heitor e Âmbar me esgotou, mas também solidificou minha resolução. Não havia mais volta agora. Apenas para frente.

O sedã preto elegante me levou embora, as luzes da cidade se transformando em um borrão indistinguível. Meu destino: o centro de vistos. Um novo passaporte. Um novo nome. Um novo começo.

O processo foi surpreendentemente tranquilo, quase estranhamente. Caio Mendes era eficiente, para dizer o mínimo. Em poucas horas, eu tinha uma nova identidade, um novo começo. O peso do passado, embora ainda agarrado à minha alma, parecia uma fração mais leve. Um fantasma de sorriso tocou meus lábios.

De volta ao apartamento, o silêncio era ensurdecedor. Heitor não havia retornado. Ótimo. Significava menos drama, menos de sua presença sufocante. Caminhei pelos cômodos familiares, cada um uma relíquia de uma vida que não era mais minha. O piano de cauda na sala de estar, um presente do meu pai. As inúmeras obras de arte, colecionadas durante nossas viagens. As memórias estavam por toda parte, agarradas a cada superfície como poeira.

Embalei apenas o essencial. Roupas, alguns itens sentimentais. Parei em uma pequena fotografia emoldurada na minha mesa de cabeceira. Era uma foto da minha família, tirada anos atrás, antes de tudo desmoronar. Meu pai, radiante, com o braço em volta da minha mãe. Eu, uma garota despreocupada e vibrante, rindo com Heitor, seu braço frouxamente em volta da minha cintura, seus olhos cheios de adoração. Um eco doloroso de um amor que um dia fora tão puro.

Cuidadosamente, coloquei-a na minha bolsa. Era a única peça tangível do meu passado que eu levaria comigo. Um lembrete do que eu havia perdido. E pelo que eu estava lutando.

Os dias seguintes passaram em um borrão. Heitor não havia retornado. As ligações, antes uma barragem constante, haviam parado. O silêncio, inicialmente uma fonte de desconforto, lentamente se transformou em uma paz frágil. Pela primeira vez em dois anos, dormi profundamente, sem ser perturbada por sua presença, suas exigências, seu tormento psicológico.

Minha paz recém-descoberta, no entanto, foi de curta duração.

Meu telefone tocou, uma intrusão estridente na manhã tranquila. Era Heitor. Meu coração saltou para a garganta, um nó familiar de pavor se apertando no meu estômago. Hesitei, depois atendi.

"Laura", sua voz estava tensa, carregada de uma fúria mal disfarçada. "O que você fez com a Âmbar?"

"Do que você está falando, Heitor?", perguntei, fingindo ignorância. Minha mente, no entanto, já estava acelerada, juntando as possibilidades. O cemitério. Meu ataque.

"Não se faça de desentendida, Laura", ele retrucou, a voz subindo. "Âmbar está no hospital. Ela tem um pulso fraturado e uma concussão. Os médicos dizem que foi de uma queda."

Um pulso fraturado? Uma concussão? Minhas ações tiveram consequências. Ótimo. Deixe Âmbar sofrer uma fração do que ela infligiu à minha família.

"É mesmo?", respondi, minha voz fria e distante. "Talvez ela devesse ter mais cuidado onde pisa."

"Laura!", ele rugiu, a voz cheia de indignação. "Isso não é um jogo! Você a feriu gravemente!"

"E quanto ao meu pai, Heitor?", contrapus, minha voz endurecendo. "E quanto à minha mãe? Os ferimentos deles não foram graves o suficiente para você?"

Um som engasgado escapou de seus lábios. "Isso é diferente, Laura. Aquilo foi justiça."

"Justiça?", zombei, uma risada amarga escapando dos meus lábios. "Você chama armar para um homem inocente, destruir sua família e levar sua esposa a uma morte prematura de 'justiça'? Você é um hipócrita, Heitor. Um monstro."

"Você precisa pagar por isso, Laura", ele disse, a voz perigosamente baixa. "Âmbar está prestando queixa. Você será presa."

"Presa?", ri, um som áspero e sem humor. "E serei acusada de quê, Heitor? Agressão? Lesão corporal? Depois de tudo que você me fez passar, você acha que um arranhãozinho vai me quebrar?"

Minha voz baixou, uma resolução arrepiante entrando nela. "Vá em frente, Heitor. Me prenda. Me processe. Me julgue. Mas certifique-se de que seja você quem lidera a acusação. Quero ver o rosto do homem que destruiu minha vida, o homem que se diz um campeão da justiça, tentar me condenar novamente."

Um silêncio atordoado encheu a linha. Ele não esperava isso. Ele esperava medo, lágrimas, súplicas por misericórdia. Mas não havia mais nada a temer. Nada mais a perder.

"Laura", ele finalmente disse, a voz tremendo com uma emoção que eu não conseguia decifrar. "Você mudou. Você não é a mulher com quem me casei."

"Não, Heitor, não sou", concordei, minha voz fria e dura. "Você a matou. Você a enterrou sob o peso de suas mentiras e sua traição."

Desliguei, o clique do telefone ecoando no apartamento vazio. Uma estranha mistura de euforia e vazio me invadiu. Eu finalmente me impus. Eu finalmente revidei. Mas a vitória parecia oca, tingida de uma tristeza profunda e persistente pela mulher que eu costumava ser.

Fechei os olhos, uma única lágrima escapando, traçando um caminho pelo meu rosto.

Deitei-me novamente, a exaustão me puxando para baixo. Adormeci, uma paz frágil se instalando sobre mim mais uma vez.

A próxima coisa que soube foi um olhar frio e penetrante sobre mim. Meus olhos se abriram de repente.

Heitor. Ele estava sentado na beira da minha cama, o rosto envolto em sombras, os olhos brilhando na luz fraca. Ele havia entrado. Claro. Ele sempre fazia isso.

"Heitor", eu disse, minha voz fria, desprovida de surpresa. "O que você quer?"

Ele não respondeu imediatamente. Apenas me encarou, seu olhar intenso, indecifrável. O silêncio se estendeu, denso com acusações não ditas e ressentimento latente.

Finalmente, ele falou, a voz baixa e perigosa. "Âmbar se recusa a retirar as acusações."

Zombei. "Claro que sim. Ela adora bancar a vítima."

Ele ignorou meu sarcasmo. "A mídia está fazendo a festa, Laura. Seu pequeno chilique no cemitério está em todas as notícias. Estão te chamando de desequilibrada, instável. Um perigo para a sociedade."

"E você acredita neles, não é?", perguntei, minha voz carregada de ironia amarga. "O grande promotor, Heitor Almeida, sempre acredita na narrativa que mais lhe convém."

Ele enfiou a mão no bolso e tirou o celular, enfiando-o na minha mão. A tela brilhava com uma enxurrada de manchetes, posts de redes sociais e artigos de notícias, todos me pintando como uma mulher louca e instável. A seção de comentários era um poço de veneno e condenação.

"Eles estão pedindo sua prisão, Laura", ele disse, a voz fria. "Sua internação."

Rolei pelos posts, meu rosto não traindo nenhuma emoção. Era exatamente o que Âmbar queria. O que Heitor permitiria.

"Eles querem que você se desculpe publicamente", ele continuou, a voz tingida com uma estranha mistura de autoridade e algo quase como pena. "Por agredir a Âmbar. Por profanar o túmulo da sua mãe."

Levantei o olhar do telefone, meu olhar encontrando o dele. "E você quer que eu faça isso, não é, Heitor?"

Ele não vacilou. "É a única maneira de fazer isso desaparecer, Laura. Para se proteger."

"Me proteger?", ri, um som oco e sem alegria. "Você fez um trabalho maravilhoso me protegendo até agora, não é, Heitor?"

Minha mente voltou a uma memória, um contraste gritante com o homem sentado diante de mim. Anos atrás, um grupo de garotos me encurralou depois da escola, zombando das recentes lutas do meu pai com o álcool. Heitor, então apenas um adolescente, apareceu do nada, seus punhos voando, defendendo minha honra com uma ferocidade que me tirou o fôlego. Ele me abraçou forte naquele dia, seus sussurros tranquilizadores um bálsamo para meu espírito ferido. Ele tinha sido meu protetor então. Meu cavaleiro.

Agora, ele era meu algoz.

"Você realmente espera que eu peça desculpas, Heitor?", perguntei, minha voz perigosamente calma. "Para a Âmbar? Para o mundo que você construiu com tanto cuidado?"

Ele suspirou, passando a mão pelo cabelo. "É para o seu próprio bem, Laura. Apenas peça desculpas. Diga que sente muito. E tudo isso pode passar."

"E depois, Heitor?", desafiei, meus olhos se estreitando. "Você vai me aceitar de volta? Vai fingir que nada disso aconteceu?"

Ele hesitou, seu olhar se desviando do meu. O silêncio se estendeu novamente, pesado com sua resposta não dita. Ele não podia. Ele não faria. Não enquanto Âmbar ainda estivesse na jogada. Não quando sua carreira, sua imagem cuidadosamente cultivada, estivesse em jogo.

"Eu vou me desculpar", finalmente disse, minha voz clara e firme.

Sua cabeça se ergueu, um lampejo de surpresa em seus olhos. Ele não esperava que eu concordasse tão facilmente.

"Mas com uma condição", continuei, minha voz inabalável.

Ele ergueu uma sobrancelha, uma pitada de suspeita em seu olhar. "Que condição?"

Alcancei debaixo do meu travesseiro, puxando um pedaço de papel dobrado. Era um acordo pré-nupcial, redigido anos atrás, antes do nosso casamento. Eu havia feito algumas modificações. Significativas.

"Assine isso", eu disse, estendendo-o para ele. "E eu me desculparei."

Ele pegou o papel da minha mão, seus olhos percorrendo o documento. Sua testa franziu, depois seus olhos se arregalaram ao ler as novas cláusulas. Cortava todos os laços, todas as reivindicações, todas as obrigações financeiras. Era uma dissolução completa e total do nosso casamento, com efeito imediato. E estipulava que ele inocentaria publicamente meu pai.

Ele olhou para mim, o rosto uma mistura de choque e incredulidade. "Laura, o que é isso?"

"É o único jeito, Heitor", afirmei, minha voz fria e firme. "Assine. Ou não há desculpas. E eu deixarei a mídia, e todo mundo, acreditar no que quiser sobre mim."

Ele encarou o documento, depois de volta para mim, uma batalha travando em seus olhos. Sua reputação. Sua carreira. Sua vida cuidadosamente construída. Tudo em jogo.

Ele pegou uma caneta da mesa de cabeceira, a mão tremendo ligeiramente. Sem outra palavra, ele rabiscou sua assinatura na parte inferior da página. Ele nem leu a última linha, aquela onde ele reconhecia sua cumplicidade na condenação injusta do meu pai.

Uma onda de triunfo percorreu meu corpo, fria e eletrizante. Ele havia assinado. Ele finalmente havia cedido.

"Bom", eu disse, um leve sorriso tocando meus lábios. "Estarei lá. Na coletiva de imprensa. Não se preocupe."

Eu o observei ir, o documento apertado na minha mão. Ele saiu, os ombros caídos, os passos pesados. Parecia um homem que acabara de perder algo precioso.

Mas o que ele havia perdido? Seu controle sobre mim? Sua fachada de retidão?

Eu sabia de uma coisa com certeza. Ele não me havia perdido. Porque eu já tinha ido embora há muito, muito tempo.

Ele parou na porta, virando-se para mim, um lampejo de preocupação em seus olhos. "Laura, você... você está realmente bem?"

Eu simplesmente assenti, meu rosto uma máscara em branco. Ele hesitou por mais um momento, depois saiu, a porta se fechando suavemente atrás dele.

Esperei até ouvir o som fraco de seu carro se afastando. Então, levantei-me, meus movimentos lentos e deliberados. O acordo, agora assinado, era minha arma. Meu escudo. Minha chave para a liberdade.

Não me preocupei em me vestir. Apenas me enrolei em um roupão de seda e caminhei para a grande sala de estar, o documento apertado na minha mão.

A coletiva de imprensa já estava a todo vapor quando cheguei. A sala estava lotada de repórteres, flashes de câmeras, microfones estendidos. Heitor estava no pódio, o rosto sério, Âmbar ao seu lado, o braço em uma tipoia, uma imagem de vítima frágil.

Ele me viu entrar, seus olhos se arregalando quase imperceptivelmente. Um lampejo de surpresa, depois outra coisa. Resignação.

Caminhei para a frente, diretamente em frente ao pódio, a cabeça erguida, o olhar inabalável. Os repórteres voltaram sua atenção para mim, uma nova onda de flashes de câmeras explodindo.

Heitor pigarreou, seus olhos encontrando os meus. Parecia incerto, quase suplicante. Ele esperava que eu seguisse o roteiro. Que me desculpasse. Que bancasse a vítima.

Subi ao pódio, pegando o microfone de sua mão trêmula. Ele pareceu momentaneamente atordoado, depois recuou, um lampejo de medo em seus olhos.

Varri a sala com o olhar, passando pelos rostos ansiosos dos repórteres, depois pousando em Âmbar, que parecia presunçosa e triunfante. Finalmente, meus olhos encontraram os de Heitor. Seu rosto era uma mistura de confusão e apreensão.

"Eu tenho algo a dizer", anunciei, minha voz clara e firme, cortando os murmúrios na sala.

A testa de Heitor, que estava franzida de preocupação, relaxou ligeiramente. Ele achou que eu ia me desculpar. Achou que eu ia jogar o jogo dele.

"Eu admito", continuei, minha voz inabalável, "eu fiz algo ruim."

Um suspiro coletivo percorreu a sala. Os olhos de Heitor se arregalaram, um lampejo de alívio neles. Âmbar sorriu, um sorriso triunfante brincando em seus lábios.

"Mas", acrescentei, minha voz baixando, um tom perigoso se insinuando, "não foi nada comparado ao que você fez, Heitor Almeida, e você, Âmbar Costa. E por isso... vocês merecem cada uma das consequências que estão por vir."

A cor sumiu do rosto de Heitor. O sorriso triunfante de Âmbar se dissolveu em uma expressão de puro, inalterado horror. A sala explodiu.

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