
Um Amor Que Renasceu
Capítulo 3
"Está decidido, então," disse a Sra. Silva, batendo palmas com uma satisfação mal disfarçada. "Lucas se casará com a Senhorita Costa. É uma ótima união para a nossa família."
O Sr. Silva concordou com a cabeça, o olhar calculista fixo em Lucas. "Não nos decepcione, Lucas. A família Costa é um peixe grande. Certifique-se de segurá-los bem."
Lucas sentiu uma onda de náusea. Para eles, ele não era um filho, era uma ferramenta, um peão em seus jogos de status e poder. Ele sempre fora. Lembrou-se de quando era mais jovem, um programador promissor com um projeto que poderia ter mudado sua vida. Seus pais o forçaram a abandonar tudo e entregar o código-fonte para Bruno, para que ele pudesse usar em sua própria empresa. "Você é o irmão mais velho, Lucas. Você deve ajudar o Bruno. É sua obrigação," eles disseram.
Ele tinha obedecido. E Bruno levou todo o crédito.
"Eu não concordo com isso," Lucas disse, a voz firme, quebrando o clima de celebração. "Eu deveria ter uma palavra a dizer sobre com quem eu me caso."
O sorriso da Sra. Silva desapareceu. Seu rosto se contorceu em uma máscara de fúria. Ela se levantou e caminhou até Lucas, seu corpo tremendo de raiva.
"Você nos deve obediência!" ela gritou.
E então, sua mão voou pelo ar e o som de um tapa ecoou na sala silenciosa.
A bochecha de Lucas ardeu. Ele não reagiu. Apenas a encarou com olhos frios e vazios.
"Nós te criamos, te demos um teto, comida, uma vida que você nunca teria! Você é um órfão que tiramos da rua! Um pouco de gratidão é o mínimo que esperamos!"
Lucas não disse nada. A dor em sua bochecha não era nada comparada à dor que ele sentia em seu coração, uma dor antiga e familiar.
Mais tarde naquela noite, a porta de seu quarto se abriu com um estrondo. Bruno entrou, o mesmo sorriso de escárnio no rosto.
"A empresária é sua, irmão," ele zombou, aproximando-se da mesa onde Lucas trabalhava em seu laptop, digitando linhas de código para um projeto pessoal que ele mantinha em segredo. "Eu vou me casar com a modelo e viver no luxo. Você vai se afogar em dívidas e morrer sozinho, assim como na vida passada."
A confirmação de que Bruno se lembrava de tudo atingiu Lucas como um soco. Ele continuou digitando, fingindo indiferença. Seus dedos se moviam rapidamente sobre o teclado. Uma pequena lâmina que ele usava para abrir caixas de componentes eletrônicos escorregou de sua mesa e cortou seu dedo. O sangue brotou, uma gota vermelha e brilhante, mas ele não demonstrou dor.
Ele simplesmente pegou um lenço de papel e pressionou contra o corte.
"Parabéns, irmão," disse Lucas, sem olhar para ele. "Que você aproveite sua nova vida."
A calma de Lucas pareceu irritar Bruno ainda mais.
"Espero que você se divirta com a empresária. Quando você estiver preso em um mar de dívidas, não me venha pedir ajuda," Bruno cuspiu as palavras. Com um gesto de raiva, ele varreu os objetos da mesa de Lucas com o braço. Manuais, ferramentas e componentes eletrônicos caíram no chão com um barulho alto.
Lucas não se moveu. Ele apenas observou Bruno sair do quarto, batendo a porta atrás de si.
Quando ficou sozinho, um sorriso sombrio e lento surgiu em seus lábios. Ele olhou para o código na tela de seu laptop. Era um programa complexo, um sistema de segurança que ele estava desenvolvendo.
Na vida passada, ele foi ingênuo. Desta vez, ele estava preparado.
"Você não sabe o que te espera, Bruno," ele sussurrou para o quarto vazio. "Desta vez, a queda será sua."
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