
Um Amor Que Renasceu
Capítulo 2
Lucas Silva sentia o gosto amargo do café na boca, um gosto que ele conhecia bem. Era o mesmo café que sua mãe adotiva, a Sra. Silva, sempre fazia, fraco e sem açúcar, exatamente como a afeição que ela tinha por ele.
Ele estava sentado no sofá da sala de estar luxuosa, uma sala que nunca pareceu ser sua casa. Em frente a ele, seu irmão adotivo, Bruno, exibia um sorriso presunçoso, o tipo de sorriso que Lucas tinha visto mil vezes, sempre antes de algo ruim acontecer com ele.
"Mãe, pai, eu já pensei bem," Bruno disse, ajeitando a gravata de seda. "Eu e o Lucas vamos trocar de noivas."
A Sra. e o Sr. Silva, sentados lado a lado no sofá maior, não pareceram surpresos. Na verdade, eles pareciam satisfeitos.
"A herdeira rica, a Isabella Costa, fica com o Lucas," Bruno continuou, gesticulando com desdém na direção de Lucas. "Eu fico com a modelo de passarela, a Juliana. Ela é mais o meu tipo, vocês sabem."
Ele riu, e seus pais riram com ele.
Lucas permaneceu em silêncio, o olhar fixo na xícara de café em suas mãos. Sua mente não estava ali, naquela sala abafada com cheiro de dinheiro velho. Estava em outro lugar, em outro tempo, um tempo que cheirava a sangue e desespero.
Ele se lembrava da escuridão, do frio do chão de um armazém abandonado. Lembrava-se da dor lancinante quando os homens da organização criminosa o espancaram. E lembrava-se, com uma clareza aterrorizante, dos rostos de Bruno e Juliana observando de longe, seus rostos iluminados pelos faróis de um carro.
"Ele não vai mais ser um problema," Bruno tinha dito para Juliana, a voz fria e sem emoção. "Com a dívida da empresa no nome dele e ele fora do caminho, a fortuna dele e a empresa dos Costa serão nossas."
Juliana, sua noiva, a mulher que ele amava, tinha sorrido. Um sorriso que o assombrava.
Depois disso, veio a escuridão final. Uma morte trágica e solitária.
Mas ele não morreu.
Ele acordou em sua cama, três anos antes do ocorrido, o sol da manhã entrando pela janela. Ele estava vivo. Ele tinha renascido.
E agora, estava aqui, ouvindo o mesmo plano diabólico se desenrolar mais uma vez.
Bruno achava que estava sendo esperto. Na vida passada, o casamento com Isabella Costa era para ele, Bruno. Mas ele, cego pela beleza superficial de Juliana, insistiu na troca. Ele não sabia que Juliana, a "modelo de passarela" , era um peão de uma organização criminosa, uma mulher com um passado sombrio e dívidas enormes. Ele não sabia que ela o levaria à ruína, o usaria e o descartaria.
Ele não sabia que Isabella Costa, a "empresária rica" , era a verdadeira joia, uma mulher cuja inteligência e visão de negócios a tornariam uma das pessoas mais poderosas do país.
Mas Lucas sabia.
Ele levantou o olhar da xícara de café e encontrou os olhos de Bruno. Havia um brilho de triunfo presunçoso no olhar do irmão. Mas havia algo mais, algo que fez o coração de Lucas gelar. Um lampejo de reconhecimento, de uma memória compartilhada.
Naquele instante, Lucas entendeu.
Bruno também tinha renascido.
Ele não estava apenas repetindo seu erro estúpido por coincidência. Ele estava repetindo de propósito. Em sua mente renascida, ele acreditava que o casamento com Juliana o levaria ao luxo, e que o casamento com Isabella, que na vida passada terminou em desastre para a família Costa por causa das maquinações de Juliana, levaria Lucas à ruína.
Ele queria dar a Lucas o que ele pensava ser um presente envenenado.
A ironia era tão espessa que Lucas quase riu.
Ele sorriu, um sorriso frio que não alcançou seus olhos.
"Como quiser, irmão," disse Lucas, sua voz calma. "Eu aceito a troca."
A modelo de passarela podia ser problemática, mas a empresária... a empresária era muito mais perigosa. E desta vez, Lucas estava pronto para o jogo.
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