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Capa do romance Um Amor Inesperado para o CEO - Série Mulheres Poderosas

Um Amor Inesperado para o CEO - Série Mulheres Poderosas

Ao assumir o Hospital Smith, o CEO José Carlos tenta esquecer um antigo amor proibido. Sua rotina muda ao conhecer Marion, uma paciente com câncer raro, e sua irmã Lillian. Percebendo a conexão entre o médico e a policial, Marion cria uma lista de desejos para garantir o futuro de Lillian após sua partida. Ela entrega a missão a Júnior, dando início a um romance intenso e inebriante que desafia o destino enquanto ele cumpre as promessas da lista.
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Capítulo 2

- Eu tenho quinze anos. - Marion ergueu o queixo, havia um brilho no olhar dela, quase como uma chama viva. - Moro com a minha irmã desde que nossa mãe morreu.

Lillian engoliu em seco, os braços estavam cruzados enquanto encarava a irmã falando como uma quase adulta.

- Nossa mãe faleceu em confronto contra bandidos. - Ela encarou o médico a sua frente. - Desde então somos eu, e a papagaia.

- Mari posso te pedir um favor? - José Carlos tirou o celular do bolso.

- Já sei, eu não vou jogar esses joguinhos bestas, mas vocês podem conversar lá fora, não gosto que falem de mim enquanto eu observo de longe. Ainda não morri.

Mari voltou a mexer no celular, Júnior saiu do quarto, seguido pela irmã mais velha, a levou para o mesmo infeliz lugar que Ana tinha sido informada sobre a morte iminente do filho.

- Ela sabe o que está acontecendo? - Ele cruzou os braços frente ao corpo.

- Sabe, preferi ser sincera desde o início. Marion sabe que está piorando, e que pode morrer. Se perguntar, ela mesma diz que tem Leucemia Moelóide aguda, conta como descobriu, e o tratamento feito até agora.

- Quanto tempo está em tratamento?

- Minha mãe morreu na semana que descobrimos essa doença, já faz dois anos. Acabei vendendo tudo e viemos para cá logo em seguida. A Mari adora a natureza e.. - Lillian emudeceu, a expressão ficou dura de repente. Não iria chorar na frente de um estranho. - Ela me pediu para ter um cavalo, queria montar em um antes de morrer. Ainda estamos vendo isso.

- Eu sinto muito, sei que foram transferidas para cá, e vamos fazer o possível para tratá-la. É um tratamento agressivo, mas ela tem chance de viver. Recebi a ficha dela antes de vir para cá. A oncologista pediu transferência para a Alemanha, mas deixou tudo organizado.

- A Doutora era ótima com a Mari. – Lillian o respondeu. - Obrigada Doutor.

Lillian tinha um olhar duro, era como se quisesse descobrir todos os pecados dele olhando-o dentro dos olhos, sem desviar, ou corar. Ela não parecia ter emoções, nem se abalou como algumas mulheres costumavam.

- Vou fazer visitas regulares a ela. Quero que esteja presente, sua irmã é de menor e se a assistente social ficar sabendo, pode complicar a situação de vocês duas. Pelo que a conheço, aquela mulher é um porre.

- Não vai acontecer, Doutor. Não durante o dia.

Lillian se levantou, os ombros curvados de cansaço, deixou o médico sentado, petrificado no corpo torneado e postura dela. Voltou a quarto destruída, lembrou-se do pedido da mãe, enquanto o sangue esvaía de seu corpo, respirou fundo e entrou no quarto,

- Demorei? - Mari deu de ombros, concentrada no celular. - Presta atenção em mim, é falta de educação dar de ombros, sabia? - Tomou o celular das mãos da menina.

- Não Li, não demorou, até achei que daria uns pegas no médico. - Mari deu uma olhada para a porta e voltou a encarar a irmã. - Sabia que ele é solteiro? Dei uma procurada no Instagram dele, tem umas três fotos, é um pedaço de..

- Chega Mari! - Lillian abriu o zíper da bolsa. - Trouxe o chocolate que me pediu, aqueles livros idiotas da garota princesa.

- Seleção, e não é idiota.

- Que seja bom mesmo, o box me custou os olhos da cara. - Lillian estendeu a mão com os livros e o chocolate em cima. - Coma com moderação. Se vomitar, vou dizer que roubou de mim, e lhe dar uns tapas na cara.

- Quanto tempo eu tenho?

- Todo o tempo do mundo Mari, agora leia, tem atividade da escola também. - Lillian notou o olhar afiado da irmã. - Ele não te deu prazo, falou apenas que o tratamento vai ser agressivo, e que vão fazer de tudo.

- Estou ficando com o saco cheio disso, sabia? Meu corpo todo dói, cansei de ser furada todos os dias, dos vômitos, cansei.

- Lembra o que a mãe disse na volta para casa? - Lillian encarou a irmã. - Você não vai ser enterrada antes dos oitenta anos. Nasceu na linhagem das Nascimento, vai lutar como uma.

- Isso é porque vocês são Maria Machão, eu não. - A menina deu de ombros.

Lillian acomodou-se na poltrona, estava cansada pela noite em claro e as horas de rondas constantes, os ombros doíam e os pés pesavam uma tonelada cada. Mas valia a pena, todo o treinamento ali, as horas em claro, tudo. Enquanto estivesse Marion, tudo valeria a pena. O pior para ela já tinha acabado. Pelo menos em sua carreira.

(***)

Era noite quando Júnior passou pelo portão da casa, parou o carro e viu que a luz da sala estava acesa. Entrou em casa sem fazer barulho, a mãe, Dona Flor, dormia como um anjo no sofá enorme.

- Mãe. - Ele sacudiu a mãe com delicadeza. - Mãe, cheguei.

- Júnior? - Ela abriu os olhos assustados. - Que horas são?

- Dez horas da noite, vá para a cama, vou tomar um banho e me deitar também.

Dona Flor subiu cambaleante, enquanto Júnior a seguia, pronto, caso ela caísse para trás. A deixou na porta do quarto, pediu a benção, como em todas as noites e rumou para o quarto.

Precisou de um bom banho para conseguir relaxar, deitou-se na cama e repassou tudo. Desde Ben até a garota e a irmã mais velha. Algo nele, naquele momento o deixava inquieto. Talvez pela forma fria como Lillian o olhava, os olhos perdidos, lindos aliás, o fizeram querer impressioná-la. Ela era linda e forte. Se soubesse o poder da beleza que tinha, não seria tão mal humorada assim.

Ele pegou no sono, tão logo mergulhou acordou, o celular despertando as seis horas da manhã. E como sempre, tomou um banho frio, arrumou-se com aquela vontade idiota de impressionar a garota estranha e obscura, passou no quarto da mãe e lhe desejou um bom dia.

O trajeto para o hospital fora rápido, chegou cedo e logo recebeu o bom dia seco da secretária. As sete, começou as visitas.

- Bom dia. - Entrou no quarto de Marion, de novo estava sozinha. - Onde está a sua irmã?

- Daqui a pouco ela chega. - A menina deu de ombros. - Minha irmã é muito ocupada, sabe.

- O que faz aí? - Ele apontou para o caderno.

- Escrevendo algumas coisas. - Mari o encarou. - Quer ver?

Ela estendeu o caderno e ele viu que era uma lista com coisas a fazer durante o dia. Anotações com recados para a irmã mais velha.

- Meu amigo criou uma lista de desejos quando ficou doente. - Ele devolveu o caderno a menina. - Esperou ficar adulto para realizar todos eles.

- Eram legais?

- Para ele, sim. - Júnior deu de ombros. - Quem te ensinou esse tipo de lista?

- Lillian. Quando nossa mãe morreu e ela precisou voltar para a academia de polícia e os treinamentos, era assim que organizávamos nosso dia. Ela me deixava recado, deixava os horários dos remédios e com a ajuda da tia Viviane, eu cumpria a todos. De noite, deixava recados para ela.

Então Lillian era policial. Fazia sentido toda aquela postura dela, a negação em chorar na frente dele, e a forma como se arrumava. Como um homem.

- Sua irmã é, policial?

- Não diz que eu contei, é perigoso espalhar essa informação, sabe. A li estava terminando a academia quando a mãe morreu, eu fui a formatura. - Mari respirou fundo. - Posso te pedir um favor?

- Claro. - José Carlos concordou com um movimento.

- Agora não posso te falar porque ela deve estar chegando, antes de ir embora você pode vir aqui? Quero te pedir um favor.

- Pedir o quê? - Lillian entrou no quarto, deixou a bolsa de lado. - Bom dia, Doutor José Carlos.

- Bom dia. - Ele piscou para a menina. - Parece que a sua irmã quer tomar um sorvete mais tarde, e me pediu.

- Que coisa feia Marion! - A irmã ralhou com ela.

- Eu disse que faria, não briga com ela.

Lillian, envergonhada fingiu procurar algo na bolsa, Mari piscou de volta e balbuciou um "Obrigada".

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