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Capa do romance Um amor de ceo

Um amor de ceo

Nina Kovac, uma mulher de temperamento forte sob um rosto angelical, abandona tudo aos 25 anos em busca de um recomeço na Vila Madalena. Sua nova rotina vira um caos ao cruzar o caminho de Theo Callas, um CEO atraente, porém arrogante e impulsivo. Entre farpas e uma primeira impressão desastrosa, esses dois cabeças duras se veem ligados pelo destino. Uma comédia romântica picante e envolvente sobre mundos opostos que, entre intrigas e paixão, acabam se completando.
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Capítulo 2

Eita, caramba! Todo mundo resolveu tomar café aqui? Apresso-me e começo a dividir o atendimento das mesas com Jasmim. Anoto os pedidos com um sorrisão estampado no rosto. Estou adorando a agitação e amando mais ainda, que estejam elogiando meus crepes e bolinhos. Opa! Quase provoco um desastre ao esbarrar em uma mesinha. Peço desculpas e me concentro em não derrubar nada. Ai, Jesus! Estabanada e desastrada poderiam ser meus nomes do meio. Olho no relógio e está quase na hora de eu ir. Se não estivesse tão preocupada com o péssimo estado de conservação dos jardins da Callas, até poderia ajudá-la mais... Sorte que as coisas parecem ter acalmado, Jasmim possui um dom para lidar com os clientes e organizar o caos de pedidos. Volto para trás do balcão, Jasmim me estende uma xícara de café e um misto quente. — Aposto que passou outra noite sem jantar. — olha feio e apenas concordo. — Até quando vai ficar vivendo nesta pindaíba [6] ? Pelo menos, comer, você tem que fazer direito. Dou uma mordida no sanduiche e fecho os olhos em êxtase. Nem eu sabia que estava faminta. — Só mais este mês, juro. Já não devo mais nada para os advogados do divórcio, mas até o próximo salário chegar, a coisa está apertada. Não quero mexer nas poucas economias que me restam, mas não exagere, não tenho passado fome. — minto. — Ontem foi exceção, tive uma reunião última hora. Acho que, finalmente, a intragável da minha chefe vai me dar um projeto grande. Fiquei estudando as plantas baixas [7] e acabei chegando super tarde. Capotei sem janta e banho. — Percebi. — repreende enquanto termino de devorar o lanche. — O Daniel foi te chamar umas duàs vezes e nada. Precisa de diversão, Polaca. Não pode ficar só do trabalho para casa. Isso não é vida. Sinto-me envergonha, tenho dado furo atrás de furo. Quero me divertir, adoraria fazer novos amigos e confesso que ouvi as batidas do namorado dela na minha porta, contudo estava tão exausta, que virei para o lado e apaguei. — Eu sei disso. Juro que hoje, eu apareço por aqui mais tarde. — junto e beijo os dedos em sinal de promessa. O assunto é interrompido por um ronco de motocicleta e uma discussão, que começa lá fora, chamando a nossa atenção. Ambas levantamos a cabeça, na mesma hora, para espiar. Curiosidade é uma merda! Diacho! Parece que o casal, que dá um pequeno show em frente ao café, não está em seus melhores dias. Uma morena, escandalosamente bonita, gesticula e fala sem parar, enquanto um homem permanece apoiado na moto, ainda de capacete. O moço não diz uma só palavra e isto me intriga. Há algo nele que prende minha atenção logo de cara e me faz observá-lo de novo. O homem é bem construído e grande, mas não do tipo bombado. Apenas do tipo 0% de gordura e na medida certa. Como um desses atletas sarados. Um gostoso. As coxas grossas, apertadas em um jeans desgastado, balançam impacientes e despertam mais o meu interesse. Fico em alerta... Os gritos da mulher aumentam... e flashes de cenas de brigas, que eu protagonizei na minha antiga vida, passam diante dos meus olhos fazendo a pele do meu pescoço formigar. Porém, em minhas memórias, quem gritava era o homem. Á essa altura, o café inteiro assiste ao espetáculo da morena. Ela chora, faz beicinho e bate os saltos altíssimos na calçada. Sua calça é tão justa que nem sei como consegue respirar. Um “Ohhh” coletivo surge quando o homem ameaça dar a partida na moto e a morena agarra-se a ele, impedindo que saia. Sinto-me mal por ela... Que papelão! A moça segura nos braços do cara como se sua vida dependesse disto. Um outro “Ohhhh” invade o café, exclusivo da ala feminina, quando o cara faz um gesto, a briguenta se afasta e lá se vão o capacete e a jaqueta. Pelos Deuses do Olimpo e adjacências! Suspiro. O céu estava em festa quando projetaram esse aí. Até eu me sinto em festa! Ohhh. Suspiro novamente . Ele é tão... Bonito. Parabéns pelo seu rosto, senhor! Reparo nos bíceps, que a mulher não larga nem por decreto, e tenho um mini frenesi. Aliás, parabéns pelo corpo todo, amigão! Entendo-a completamente, também quero me agarrar nesses brações. Seu rosto é feito de ângulos retos, maçãs destacadas, queixo quadrado, um nariz simétrico, tudo isso emoldurado em uma barba malfeita . Destas que dá vontade de tocar. Espetáculo de homem! Minha vontade é ir até ele, segurar em seu rosto estupendo e dizer obrigada por existir, e despertar pensamentos adormecidos em mim. Provavelmente, seria espancada pela morena ou presa pela polícia. Mas, que culpa tenho eu, se está escrito: feito para o seu prazer, na testa dele? Fico hipnotizada, só admirando... Tudo. Caramba ! Ele é atraente. Muito... Mesmo... De cegar meus olhos. Diferente, eu diria. Dono de uma morenice instigante que faria sucesso no Sul... É tão quente. Eu me animo mais e reparo mais... Gosto do seu cabelo escuro, curto e despenteado, e do jeito que cai um pouco para esquerda. Não consigo ver a cor dos olhos, mas aposto que vou gostar. Porém, o que mais me encanta, é que em momento algum, ele levanta a voz. Um Lord inglês! Argumenta tão baixo com a mulher histérica, que não consigo ouvi-lo. O que é uma pena e me deixa quase triste. O silêncio reina absoluto, todo mundo atento, nem um mísero barulhimo de louça batendo ou conversa... A platéia inteira focada, só esperando um desfecho para o drama que continua. Ele está aborrecido e seus lábios carnudos contraídos em uma linha fina. Hummm... Como será a sensação de ter essa boca grudada na minha? Balanço a cabeça para afastar o pensamento fora de hora... Estou com um pouco de pena dele, a mulher continua a chorar, gritar e fazer beicinho. Tudo ao mesmo tempo e não necessariamente nessa ordem. Um outro “Ooooooh” feminino eclode no momento em que ele a abraça. Consigo ouvir um... — Menos Andreza, bem menos. Meus pelos arrepiam e não tinha arrepios assim desde... Hum? Bom... Nunca . Daqui, sua voz soa como imaginei que seria. Não esperava nada menos que esse tom rouco e aveludado vindo de um ser como ele. Agora, já sinto até um pouco de inveja... Que mulher sortuda! Queria eu, ser apertada nesses brações e imprensada em seu peito largo. Eu sei... Eu sei... Cobiçar o homem alheio é feio. Pecado, diria a minha mãe. Mas, em minha defesa, alego que o homem foi feito para ser cobiçado. É até judiação comigo! É corpo que não acaba mais. Devem ter quase dois metros de pura virilidade, ali. E... É com certa nostalgia antecipada, que eu e todas as mulheres boquiabertas no recinto, observamos o casal subir na moto e sair das nossas vistas ao virar a esquina. — Ai, ai... Juro que amo o Dani, mas se um destes me chamasse para uma rapidinha ali no cantinho, iria sem pensar duàs vezes. — Jasmim suspira com os olhos vidrados na esquina. Dou risada quando ela abana-se, teatralmente, com a bandeja. — E quem recusaria? — brinco concordando com ela. — O homem é um dez mais para ninguém botar defeito. Lindo e ainda um cavalheiro! Nossa mãe! Viu que ele não levantou a voz nem por um minuto sequer? — imito seu gesto e também me abano com o avental. — Ôh se vi! Dez é pouco! Nota mil para ele! — assovia e alguns clientes olham com curiosidade. Jasmim desculpa-se, afunda atrás do balcão e senta-se no chão gargalhando. — Hum... Agora não te entendi, Polaca. Pensei que não estivesse à procura de diversão. Tiro o avental preparando-me para partir, mas antes, sento ao seu lado no chão. — Não estou à procura. — cutuco seu ombro com o meu. — Deus me livre de encrenca, mas não estou morta e nem louca. — brinco. — Também tenho minhas necessidades, poxa. — Tem? — parece surpresa. — Jurava que depois da separação você nunca mais...

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