
Tudo por Ela - Amor e Vingança
Capítulo 2
Marie (narrando)
Lucca sempre quis ter um filho homem e não perdia a oportunidade de jogar na minha cara que eu perdi o nosso filho. Naquela noite, nós discutimos porque eu estava cansada demais para fazer tudo o que ele desejava entre quatro paredes. Depois de me chamar de frígida e dizer que eu era uma péssima esposa, ele se vestiu, pegou o casaco e saiu. Eu estava com quase cinco meses quando acordei pela madrugada, estava com dores e uma forte hemorragia. Liguei para ele diversas vezes, mas infelizmente, Lucca não atendeu. Foi o meu sogro quem me socorreu e me levou ao hospital.
— Você não me serve para nada! — Segurou em meu braço e me arrastou para perto do guarda-roupa. — Vai embora! — Ele me expulsou na frente da mulher que se dizia minha amiga.
Peguei a minha bolsa depois de me vestir. Eu pretendia ir até uma delegacia e contar tudo só para vê-lo sofrendo atrás das grades. “Mas do que adianta?” Eu murmurava em minha mente enquanto caminhava pelas ruas sem saber o que fazer. Não tinha ninguém que me apoiasse naquele momento tão complicado da minha vida. Nem mesmo sabia onde eu poderia dormir. Sem forças ou apoio, eu desisti de ir até a polícia. Tinha receio do vexame. “Ele continuará em liberdade e vivendo com a amante”.
Olhei para o letreiro reluzente de um Pub. Arrumei os meus cabelos para esconder a minha face vermelha. Fazia tempo que não saía para beber. O local não estava muito cheio, havia um grupo de homens com cabelos estranhos e um jeito de se vestir um tanto peculiar.
Sentei-me num banco perto do balcão reto e logo fui atendida por um barman. Pedi uma dose de tequila. Tomei tudo numa golada e levei a mão à boca quando eu tossi. Aquele troço desceu queimando pela minha garganta.
Passei cinco anos ao lado daquele estúpido, egoísta. Eu me senti tão ridícula e patética por desperdiçar o meu tempo para manter aquele casamento.
“Que vergonha!” Lembrei de tudo o que planejei para comemorar o dia que eu considerava tão especial.
A única coisa boa disso tudo, foi a minha pequena Bella, que tinha acabado de completar quatro aninhos.
Solicitei outra dose de tequila ao funcionário do bar, que prontamente me serviu.
— Boa noite, gata! — O homem com um corte de cabelo estranho acomodou-se ao meu lado.
Pela forma como se vestia, ele devia estar com aquele grupo de punks.
— O que uma bela dama faz sozinha nesse bar?
— Por favor, vá embora! Não estou num dia legal.
O cara mostrou os dentes amarelos. Desviei o olhar para o homem comprido que sentou num banco depois e pediu uma dose de uísque. Abaixei a cabeça quando nossos olhos se cruzaram. As pupilas de ônix pareciam penetrar a minha alma.
— Mais uma dose de tequila para essa gata! — Pediu o cara com cabelo pintado de azul.
Assim que o Barman encheu o meu copo, outro jovem apareceu, distraindo-me.
— Está com uma amiga?
— Vou levar a princesa para casa.
— Que casa? — comecei a rir.
O meu subconsciente estava cambaleando, tropeçando nas palavras e rindo atoa. O álcool já estava afetando a minha razão.
Observei o pó boiando na minha tequila. Ergui o copo e olhei fixamente através do vidro.
— Se você não for beber, eu bebo! — O outro punk de cabelo preto me desafiou.
Quando dei por mim, havia quatro deles à minha volta. Pareciam gremlins, estavam se multiplicando.
“Deve ser a tequila”, virei o copo na minha boca. A mente estava voando. Deitei a cabeça sobre o meu braço apoiado no balcão, somente o sono aliviou a minha dor.
…
Lorenzo Gambino
Meu dia tinha sido péssimo. Passei por duas reuniões extenuantes na minha empresa e durante a noite, havia dado uma lição num babaca que entrou disfarçado na minha gangue.
Saí do meu escritório no Pub mais badalado da cidade. A noite estava agitada, a música alta e luzes iluminavam os jovens em busca de sexo, drogas e diversão. Eu só queria uma bebida e algo que me fizesse esquecer aquele dia terrível. Coloquei a camisa dentro da calça e olhei em volta para ver se alguém tinha visto a mancha do sangue em minha roupa.
Olhei para uma garota que parecia estar bebada. Ela não parecia o tipo de mulher que frequentava aquele bar.
Os meus olhos acompanharam os dela, mas a garota abaixou o rosto rapidamente, quebrando a nossa conexão.
“O que esse bando de idiotas estão fazendo?” Espremi os olhos.
Haviam quatro punks, um deles segurou na cintura, incentivando-a a se levantar.
— Deixa ela em paz! — Tomei meu whisky e bati com o copo no balcão.
— Nós a vimos primeiro, — o babaca de cabelo espetado azul se aprumou.
— Aham! — Eu me levantei e abri um pouco meu blazer, exibindo a minha pistola automática. — Mas eu vou levá-la.
O homem esmaecido já estava um pouco velho para usar aquele cabelo engraçado. Numa fração de segundos, ele veio para cima de mim.
— Argh, detesto problemas! — Desviei de um soco a tempo, segurei o braço dele e entortei para trás até ouvir o estalo do osso se quebrando.
Não demorou até que mais um avançou, com apenas um gancho no queixo, eu desloquei o maxilar e coloquei aquele babaca para dormir.
Os outros dois vieram juntos, um deles tinha uma faca. Respirei profundamente, peguei a minha pistola e acertei a testa do punk de cabelo amarelo, os miolos se espalharam pelo balcão e o piso. Apontei o cano para o mais jovem.
— Quer tentar?
— Não, senhor, — levantou as mãos, se rendendo.
— Vem cá! — Segurei no cabelo moicano vermelho. — Peça desculpas à dama!
— Desculpe! — pediu com a voz trêmula, — posso ir?
— Claro! — Lancei a fuça do estúpido contra o balcão. — Depois que acordar! — Joguei ele no chão, acho que vai precisar de cirurgia no nariz.
Não estava com paciência nos últimos dias, principalmente com mulheres bêbadas como aquela que estava com a cabeça apoiada sobre o balcão cheio de miolos e sangue de um dos punks.
— Acorda! — Mexi nas costas da bela adormecida.
Ela nem levantou a cabeça, mal tinha forças para falar onde morava. Olhei para o restante da bebida no copo dela. Tinha alguma substância esbranquiçada.
— Como pode ser tão boba?
Pegando a mulher desmaiada no colo, eu a levei para o meu automóvel. Pensei seriamente em colocá-la no porta-malas ou largá-la em alguma calçada, mas fiquei totalmente preso naquele rosto oval com traços delicados.
— Foi você! — Deitei a mulher desacordada no banco traseiro do meu carro.
Não poderia abandoná-la. Anos atrás, essa mesma mulher me salvou. Sou capaz de fazer tudo por ela!
Você pode gostar





