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Capa do romance Tudo por Ela - Amor e Vingança

Tudo por Ela - Amor e Vingança

Lorenzo Gambino é um CEO bilionário e sottocapo da máfia que nunca esqueceu a jovem que salvou sua vida. Anos depois, o destino a traz inconsciente até sua cama em Milão. Sem memórias dele, Marie acorda confusa e atraída pelo perigoso homem. Presa a um casamento infeliz, ela enfrenta a possessividade de Lorenzo enquanto segredos do passado ressurgem. Marie deve escolher entre fugir ou se entregar a esse amor intenso que promete libertação ou sua ruína total.
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Capítulo 3

Marie (narrando)

A minha cabeça estava latejando, eu massageei as têmporas enquanto forçava para abrir as minhas pálpebras. Pela maciez do colchão, e o lençol sedoso que me envolvia, eu sabia que não tinha dormido no meio da rua.

Forcei para abrir os meus olhos o máximo que podia. Virei minha cabeça levemente para o lado, minha visão estava embaçada, forcei a vista para enxergar o homem sentado na poltrona ao meu lado. No susto, ergui o meu torso e puxei o lençol para cobrir os seios.

“Por que estou nua?” Pensei.

Engoli em seco antes de fitar novamente o homem com uma postura arrogante. Para o meu desespero, ele estava usando apenas uma cueca!

“Merda, merda! O que foi que fiz?” Forcei o meu subconsciente a despertar da ressaca.

Ele uniu as mãos e continuou me observando com uma expressão fria, não havia nenhum vestígio de emoção no belo rosto com queixo marcado.

Não fazia ideia do que tinha acontecido naquele bar depois que bebi a última dose.

Levando as mãos às têmporas, continuei massageando diante do silêncio do homem ao meu lado. Só conseguia me lembrar do estado deplorável daqueles punks.

O grandalhão se levantou e veio na minha direção, exibindo o peitoral nu que se alargava pelos ombros largos. Seu cheiro era delicioso e o rosto perfeito. Ele esbanjava sexy appeal, eu não tinha medo de se exibir.

— Como eu vim parar aqui?

— Eu te trouxe, — respondeu num barítono aveludado.

Puxei mais ainda o lençol de cetim azul. Os batimentos ficaram bem mais rápidos à medida que ele se aproximava. Estava com medo do que aquele brutamontes poderia fazer.

Olhei para todos os lados, tinha que achar um meio de fugir dali. Eu tentei sair da cama para procurar as minhas roupas, mas ele avançou bruscamente.

As mãos compridas seguraram o lençol e começaram a puxar, segurei o tecido de cetim com firmeza.

— É assim que você vai me recompensar? — Sua voz rouca era tão sensual.

Vencendo a distância, o belo homem manteve os olhos concentrados nos meus enquanto apoiava as suas mãos compridas no colchão ao lado do meu rosto. Aquele cheiro com nuances amadeiradas misturada a loção pós-barba era provocante. O desejo refletido naqueles olhos negros me enfeitiçavam. A atmosfera romântica, repleta de sedução, estava me sufocando… não posso, não posso! Repetia esse mantra em minha cabeça.

Eu poderia dar o troco no Lucca e tirar o meu atraso com esse desconhecido. Ainda estava com muita raiva, mas em meu íntimo, eu acreditava que aquilo era errado.

— Não posso, — plantei a mão em seu peitoral e o afastei.

— Claro que pode, — tocou o meu lábio inferior com indicador e puxou levemente.

— Não, eu sou casada e tenho uma filhinha.

A carranca sombria era tão assustadora que cheguei a pensar que aquele homem me possuiria a força. Fechei os olhos e abri em seguida. Respirei aliviada quando ele pulou da cama e foi até uma cômoda do outro lado, me dando uma perfeita visão de suas costas largas. Pelo desprezo, ele tinha perdido o interesse na minha pessoa.

Após mexer numa gaveta, ele voltou e estendeu a mão para entregar o papel e me mostrar a conta.

— O que é isso?

— São as contas das despesas médicas.

— Não precisava!

— Você foi dopada e pela quantidade da substância que os malditos punks colocaram na sua bebida, você ia morrer.

Olhei para o valor e quase tive um treco. Fiquei refletindo de onde eu tiraria uma quantia exorbitante.

— Não tenho!

— Isso não é problema meu, quero o meu dinheiro.

— Posso pagar depois? — Arrumei o lençol em volta do meu corpo e me arrastei até sair da cama.

— Some da minha frente! — Ele gritou tão alto que fez o meu coração disparar.

— Onde estão as minhas roupas?

— Vista-se e suma daqui! — ordenou entres os dentes e seguiu para o lado oposto, parou em frente a uma porta. — Não quero te ver mais aqui quando sair do lavabo, — esbravejou e após entrar, bateu a porta com força.

Peguei o casaco sobretudo preto que estava pendurado num gancho ao lado da porta. Passei pelos meus braços rapidamente, fechei os botões e o laço. Por sorte, o sobretudo do grandalhão batia no meu joelho.

Olhei para o cartão de acesso em cima da mesa, usei para abrir as portas e fugir daquela suíte. Sem olhar para trás, eu saí às pressas antes que o brutamontes voltasse.

A porta do elevador estava fechando, mas eu corri e cheguei a tempo. Senti algo pesando no bolso, mas não me atrevi a mexer.

Tinha um casal de idosos e uma mulher com um bebê no colo, e eu estava envergonhada por estar sem nenhuma roupa embaixo daquele sobretudo. Olhei para a mãe que brincava com o filho e imediatamente pensei na minha filha. A campainha tocou tirando-me das divagações. Saí no momento em que as portas abriram no andar térreo.

Atravessei o saguão vazio do hotel e fui em direção à saída. Fiz sinal para um táxi e entrei. Assim que chegasse na casa do meu sogro, pediria para ele pagar a corrida.

O trânsito estava bom naquele dia. No momento que o veículo parou na frente da modesta casa, vi o meu sogro molhando o jardim com uma mangueira.

Meio sem graça, pedi que ele me emprestasse cinquenta euros para pagar a corrida. Com o cenho franzido, tirou a carteira do bolso e me deu o valor.

— É para devolver!

— Eu sei, depois eu te pago.

Que ótimo! Já estava devendo quinhentos euros para o deus grego. Não tinha ideia de como eu ia pagar. Entreguei o valor ao motorista e voltei para pegar a minha filha.

— Onde está a Bella? — Caminhei pela estradinha até a varanda.

Eu só precisava da minha filha, mais nada. Queria dar entrada na papelada do divórcio quanto antes.

— Ela ainda está dormindo?

— O Lucca pegou ela mais cedo.

— Quando?

— Ele saiu daqui há quase uma hora.

Corri o mais rápido que podia pelos quarteirões, aquele treco no bolso do casaco parecia pesar mais enquanto eu corria. Pisei no gramado e adentrei a casa feito uma louca desvairada.

— Mamãe!

— Oi, anjinho, — Afastei os cachinhos castanhos, dei vários beijinhos em seu rostinho. — Abracei-a com força.

Lucca apareceu, sorrindo. Era como se nada tivesse acontecido.

— Eu posso saber onde passou a noite? — indagou, curioso. — De quem é esse casaco?

Não dei atenção para ele, abaixei e coloquei a minha filha no chão.

— Meu amor, vá no seu quarto e coloque algumas roupas na sua mochila.

— Vamos passear? — Os olhinhos de azeitonas da minha filha cintilavam.

— Sim!

Bella saiu correndo e desapareceu pelos corredores, me deixando sozinha com Lucca.

— De quem esse casaco? — Questionou novamente.

Desta vez, o sorriso já havia sumido de seu rosto.

— Não te interessa, Lucca!

Tentei passar por ele, mas ele puxou a gola do casaco arrebentando o botão. Me jogou no sofá.

— Onde estão as suas roupas? — Ele percebeu que eu estava sem o sutiã.

— Você não tem o direito de me cobrar nada, muito menos fidelidade, — retruquei. — Quer saber de uma coisa, — tomei coragem, — eu quero o divórcio! — Projetei o meu queixo, sustentando o olhar de Lucca.

— Não! — negou firmemente, — Não vou te dar o divórcio. Você é minha esposa e ainda me deve satisfações.

— Eu não sou sua mulher!

O punho cerrado de Lucca esmurrou o meu rosto. Minha cabeça tombou para o lado, eu caí no chão. Ele agarrou meus cabelos, puxando-me, forçando-me a sentar no sofá. Deu um tapa em minha boca. Algo quente escorreu pelos meus lábios, senti o gosto do meu próprio sangue.

— Onde você passou a noite, vagabunda? — Bateu com a palma aberta, acertando a minha boca novamente. — Vadia, sem vergonha!

Agarrei os braços deles, lutando para me soltar. Lucca desferiu outro murro e me jogou no sofá.

— Solta minha mãe! — Bella gritou e veio correndo.

— Essa vagabunda não é sua mãe, — ele me humilhou na frente da minha filha. — Ela passou a noite com outro homem ao invés de cuidar de você. — Bateu com o punho fechado na minha têmpora, me deixando tonta.

Abaixei meu rosto e olhei para o cano do metal no meu bolso. Lucca ainda berrando, me xingando e dizendo coisas absurdas que não fiz. Meti a mão no bolso quando ele me deu outro tapa.

Vi quando minha filha avançou na perna dele e mordeu com força. Aos gritos, ele pegou minha menina pelos braços.

— Vou te dar uma lição! — Ele jogou a Bella no sofá ao meu lado. — Nunca mais você vai atacar o seu pai — ameaçou.

Enquanto ele tirava o cinto, puxei a minha filha, ela se encolheu no meu colo. Não deixaria que aquele monstro a machucasse de novo. Saquei a pistola e apontei para o homem que dobrava o cinto de couro em duas partes.

Chocado, ele largou o cinto. Não esperava que eu reagisse daquela forma. 

— Pare com isso, Marie, — a voz suavizou de repente.

— Saí da minha frente, Lucca!

Eu não sabia como usar aquela arma, nem mesmo tinha ideia se estava carregada. Mantive o cano apontado para ele.

— Você não tem coragem! — Ele chacoalhou as mãos no ar desdenhando de mim — É fraca demais e nem sabe usar isso.

— Quer pagar para ver? — Meu sangue estava fervendo depois que ele ameaçou bater na Bella.

Houve um longo minuto de silêncio. Lucca estava mais concentrado na pistola do que em meu rosto inchado por levar tantas pancadas.

— Vou te dar o divórcio, — andou lentamente.

Num movimento ligeiro, ele tentou agarrar a pistola. Segurei o metal, lutando para defender a mim e a minha pequena.

Assustada, a Bella correu para trás do sofá enquanto eu brigava com o pai dela. De repente o som do disparo encerrou a disputa. Eu pisquei algumas vezes, olhando para o homem que se afastava. Lucca segurava o braço ensanguentado.

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