Capa do romance TRILOGIA HOMENS PODEROSOS

TRILOGIA HOMENS PODEROSOS

8.4 / 10.0
Em TRILOGIA HOMENS PODEROSOS, Gideon, Zayn e Simba dominam o mundo dos negócios, mas enfrentam traumas profundos. Este romance billionaire explora como Amália, Liliene e Mandisa desafiam esses líderes. Leia este modern novel e descubra segredos em uma das melhores romance stories online.
Resumo de TRILOGIA HOMENS PODEROSOS
Gideon, o Lobo Negro, é um homem amargurado que reencontra a luz ao conhecer Amália, sua nova cozinheira. Paralelamente, o poderoso Zayn Al Nasir vê sua vida mudar ao se obcecar pela destemida repórter Liliene. Por fim, o Rei Simba, traído no passado, busca uma nova presa, sem saber que Mandisa, protegida por suas amigas, carrega a dor de um encontro fugaz. Três homens marcados pelo poder cruzam caminhos com mulheres que desafiam seus destinos e traumas.
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TRILOGIA HOMENS PODEROSOS Capítulo 1

— Ás coisas só acontecem quando precisam acontecer.

Era o discurso da diretora do Orfanato Jóia de Cristo, pela quarta vez naquele mês, para a menina negra, dos cabelos lisos.

Provavelmente puxou o pai ou a mãe. Afinal negros não têm cabelos lisos.

Foi o pensamento da velha senhora.

Claro que a mesma entende que sua concepção é inadequada, mas nada lhe deixara imperturbada a ponto de parar, e não pensar sobre o fato. Afinal são os seus pensamentos, ninguém poderia acusar-lhe de preconceito ou algo do tipo.

— Senhora, eu sou uma boa menina, muito inteligente e me comporto bem. Então por quê? Por favor, me diz por que eles não me querem?

Olhos negros e chorosos ansiavam por uma resposta da mulher que deveria zelar por ela.

A diretora deu um sorriso, de escárnio, antes de respondê-la:

— Amália você pode ser tudo isso, no entanto, não possui o essencial.

A menina de apenas dez anos, olhava curiosa para a mulher, que está à frente, do orfanato há muito tempo,e perguntou-lhe aflita:

— O que pode ser mais importante do que ser inteligente? — Perguntou inocentemente, aproximando sua face, um tanto lastimosa.

Pensando, que talvez o que saísse da boca daquela terrível mulher-feita fosse realmente importante.

— A beleza minha querida, você não é bonita e não possui atrativos. — Zombou passando as mão sem seus cabelos presos, em um coque rígido.

Amália ficou chocada com o que escutou. Ela sabia que não tinha tanta beleza, mas ouvir de outra pessoa doeu mais do que gostaria.

Pequena para sua idade, cabelos acastanhados e lisos naturalmente, um pouco sem vida. Olhos de uma coloração escura, grandes e opacos. Um rosto oval e muito magro. Sua face não era tão agradável, de se observar, como o das outras meninas.

Não só as garotas brancas, mas também as crianças negras que moram no orfanato possuem suas belezas próprias, apenas a menina Amália, não atrai um pai e uma mãe para si.

Mesmo jovem, a menina possui discernimentos das coisas. Ela entende que o que os genitores querem é filhos lindos e de boa aparência. Muitos vão dizer que não, mas é de se concordar que o ser humano observa primeiro a aparência e depois analisam o que realmente importa.

— Eu...

Ela não sabia o que dizer, só sentia vontade de sair correndo e chorar em sua pequena cama.

Amália juntou a pouca dignidade,que lhe restara e olhou para a senhora.

— Não se atormente querida, alguém vai lhe querer um dia e não vai se importa com a sua fealdade.

A diretora falava sem se importar com a mágoa estampada nos olhos da menina:

— Entendo. Posso me retirar agora senhora? Mesmo zangada com a senhora, a criança se controlou. Ela a perdoou pelas palavras ofensivas.

Ela não merece a minha raiva... Repetiu para si mesmo em pensamento, antes de ouvir a resposta:

— Claro!

A menina chegou a seu quarto e se jogou na cama se preparando para chorar o seu sofrimento. O quarto estava vazio. O ambiente comporta sete crianças, porém das sete que tinham, hoje sobrou apenas três. Já passaram tantas por ali que ela já perdeu as contas.

Amália não teve tempo para chorar, um furacão entrou correndo no quarto, cabisbaixa.

Agora não Malu… Amália implorou, antes de olhar para a pequena com um sorriso ensaiado.

— O que está fazendo Mali? — A menininha de cabelos longos e loiros perguntou chorosa

— Eu vou estudar pequena! — Amália mentiu, mas para sustentar sua mentira, a mesma pegou seus livros.

Aprender é um dos seus, melhores passatempo. As coisas entravam com facilidade em sua mente.

Era como respirar. Não há dúvidas, que o seu intelecto é impressionante!

Amália ler muito rápido e grava tudo, sem esquecer de nada. Ninguém sabe o porquê, no orfanato, e tão pouco se importam em descobrir.

Mais uma de suas metas é saber o porquê isso acontece e quando sair daquele lugar será sua primeira tarefa.

— Ah não, vamos brincar Mali!

A pequena Malu de apenas cinco anos pediu dengosa.

Isso acontece todas às vezes, que a menina não é escolhida para adoção. Não é à toa a tristeza que Amália ver nos olhos da pequenina.

Maria Luiza é muito pequena para sua idade, no entanto, é muito inteligente e esperta para a mesma.

Ela só precisa de uma oportunidade meu Deus.

Era quase como uma oração silenciosa, de Amália. Não para ela, mas sim para Malu.

— Do que quer brincar?

A jovem perguntou, com seu melhor sorriso, disfarçando a sua própria melancolia:

— De princesa. — Malu gritou com sua inocência, arrancando um sorriso dos lábios de Amália, que, por um instante, esqueceu suas próprias desilusões.

As duas brincaram a tarde toda e na hora do jantar ela ajudou as moças, que trabalham no orfanato, a dar de comer aos mais novos, depois fez o mesmo.

— Vamos deitar meninas está na hora de dormir! — Amália disse, com sua autoridade de irmã mais velha postiça, para Malu e Catarina. As duas pequenas que a mesma pediu que deixassem dividir o quarto com ela.

Claro que o correto seria que viesse a dividir com meninas de sua idade. Porém, não era o que a menina queria, já que as crianças maiores zombavam dela e quando tinham oportunidade se juntavam para lhe bater. Das adolescentes, a garota inteligente é a menor de todas, por isso não tinha como se defender, ainda mais se estavam em bando.

As crianças a apelidavam de coisas ofensivas como negra feia, anão de jardim e preta. Tirando as palavras “feia” e “anão de jardim”, Amália não se ofende com as outras expressões. Elas poderiam lhe chamar negra ou de preta em tom ofensivo, mas ela só pensava no quanto era abençoada pela cor que Deus lhe deu.

Conhecimento é poder…

Todas as vezes que lia algo,ela tem essa mesma conclusão.

A menina devora um livro, em apenas um dia. E foi em uma dessas leituras que descobriu que a sua cor descende de reis e rainhas.

E foi isso que ela falou para as outras meninas, brancas e negras, que a ofendiam.

“Se vocês acham que me chamar de negra ou preta me ofende estão muito enganadas.” — Amália não sabia onde havia tirado tanta coragem. — “Essas palavras, estão longe de me ofender.”

— “É mesmo negrinha?” — Uma das garotas perguntou debochada.

Pensando que de alguma forma, atingiria a garota.

— “Tenham certeza que sim. Queridas, eu descendo de reis e rainhas africanas.” — Ela disse, afinal, não há do que se envergonhar nisso. — “Reis e rainhas que fizeram história.”

Amália parou de falar esperando elas dizerem alguma coisa, mas como não tomaram iniciativa, ela continuou.

—“Rainha guerreira Amina da Nigéria, a rainha Makeda, também conhecida como Rainha de Sabá, a mulher do rei Salomão. Lembram?”

— “Claro!” — Uma delas respondeu, querendo mostrar que sabe de alguma coisa.

O ruim é que até as meninas negras se juntavam e a agrediam, verbalmente e fisicamente. Saibam que o preconceito não está apenas com brancos, mas com negros também.

— “Sou descendente da rainha Cleópatra. Da rainha Califa”. — Amália continuou com sua aula de história — “Vocês sabiam que a cidade da Califórnia foi nomeada em homenagem a ela?”

Provavelmente as meninas, não fazem idéia do que ela está falando. Uma pessoa que possui conhecimento, jamais ofenderia uma outra,por causa de sua cor e aparência.

Amália expressava-se com deboche, o par perfeito, com o sorriso de vitória, que carrega nos lábios.

— “Eu poderia ficar aqui a tarde toda, meninas, dando uma aula de história a todas vocês. No entanto, perderia o meu precioso tempo com meninas racistas e preconceituosas, que se dizem as Bam, bam, mas não passam de garotas obtusas e sem o senso do ridículo.”

Nesse dia Amália apanhou feio, mas a sensação boa que sentiu ao ter falado às verdades que as meninas precisavam ouvir, ainda permanecia com ela.

— Oh, conta uma historinha antes Mali!

Catarina pediu animada, juntando as pequenas mãozinhas implorando.

— Que história? — Amália perguntou retribuindo o sorriso da menina.

— As que você gosta de inventar.

As duas garotinhas falaram juntas, animadas.

— Tá bom, porém depois dormir. Combinado?

— Sim, sim.

— O nome da história é "A menina encantada".

— Parece o máximo.— Malu falou batendo palmas.— Conta, conta.

— Shiuuu! As duas façam silêncio ou não contarei mais.

Fizeram silêncio de imediato e Amália começou a narrar a pequena história, que fluía em sua mente.

O engraçado é que as meninas nem imaginavam que a jovem contava sobre si mesma.

Seu amor à leitura, o abandono, a falta de beleza.

As crianças são muito pequenas, então não ligaram as informações que são passadas pelos lábios da pequena jovem obstinada.

Quando terminou a história as crianças já estavam em um sono profundo.

Sorrindo docemente, Amália cobriu as duas, e fez o mesmo que as meninas, ela se deitou e se aconchegou nos lençóis velhos, mas diferentes das pequenas, a garota inteligente, chorou, derramando todas as lágrimas que se acumularam no decorrer do dia.

Toda a sua inteligência, não era o suficiente, para tirar a frieza que acumulará em seu peito fazendo-a sufocar

A determinada moça só pensava que o seu sonho de uma família, para chamar de sua, está muito longe de acontecer e talvez, nunca aconteça.

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