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Capa do romance Treze Anos de Suas Mentiras

Treze Anos de Suas Mentiras

Alina esperou treze anos por Bruno, acreditando que a família dele impedia o casamento. Após noventa e nove rejeições forjadas, ela descobre que o noivo sabotava a união para favorecer Carla, sua irmã adotiva. Ao flagrar a traição, Alina é agredida e abandonada ferida enquanto Bruno protege a amante. Cansada de ser enganada por um homem fraco, ela decide romper com o passado e aceita se casar com o maior rival dele para buscar sua redenção.
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Capítulo 3

Bruno ficou ali, congelado, a boca aberta. As palavras pairavam no ar entre nós, pesadas e finais. Ele não parecia tê-las registrado completamente, sua mente ainda se recuperando dos eventos dos últimos minutos. Antes que ele pudesse responder, um grito estridente perfurou o ar viciado do galpão.

"Bruno! Não! Fique longe dela!" Era a voz de Carla, afiada com uma mistura de terror e ciúme.

Então, o som de pneus cantando, um baque doentio e uma série de gritos abafados do lado de fora.

Bruno, sem um segundo olhar para mim, correu para a porta, sua preocupação inteiramente focada em Carla. Ele se foi, abandonando-me na poeira e nas sombras do galpão, assim como havia abandonado nosso relacionamento por anos.

Enquanto o som de seus passos se afastava, meu celular vibrou na minha mão. Uma mensagem de um número desconhecido. Meus dedos tremeram enquanto eu a abria. Era Carla.

A mensagem era uma foto. Uma foto borrada e de perto dela e de Bruno, trancados naquele beijo apaixonado momentos antes. Abaixo, uma legenda: "Ele é meu, Alina. Sempre foi. Sempre será. Ele nunca vai te escolher. Ele sempre vai me escolher. Especialmente quando eu estiver em 'apuros'."

Uma risada amarga e autodepreciativa borbulhou da minha garganta. Era tudo um jogo para ela. Um jogo cruel e distorcido, e eu tinha sido um peão. A foto, uma facada final e definitiva no coração. Confirmava o que eu acabara de testemunhar, o que ele acabara de negar. Ele a havia escolhido. De novo. Sem hesitação.

Olhei para a porta vazia por onde ele havia desaparecido. Minha visão estava embaçada, mas eu não estava chorando. Não havia mais lágrimas para derramar. Apenas um vazio profundo e doloroso. Eu era apenas uma vítima em sua dança tóxica, um sacrifício no altar de sua lealdade mal colocada.

Virei-me e voltei para o carro, meus movimentos lentos e deliberados. Enquanto me afastava do galpão desolado, vi Bruno agachado sobre Carla na calçada, os paramédicos já chegando. Ele nem sequer olhou para cima quando passei. Ele estava inteiramente consumido por ela, como sempre esteve.

Quando cheguei em casa, o apartamento parecia frio e inóspito. Ainda estava cheio de memórias, com os fantasmas de um amor que nunca foi verdadeiramente real. Comecei a fazer as malas sistematicamente. Não apenas minhas roupas, mas minha vida, meus sonhos, minha própria identidade. Cada item que eu colocava na mala era um passo para cortar os laços que me prendiam a Bruno e sua família sufocante. Deixei para trás tudo o que tinha um peso emocional significativo do nosso passado compartilhado, escolhendo levar apenas o essencial, as manifestações físicas do meu eu independente.

Bruno não ligou naquela noite. Ele estava, sem dúvida, no hospital com Carla, bancando o irmão dedicado, o cuidador preocupado. Na manhã seguinte, recebi uma mensagem dele: "A Carla está bem. Só uma torção no tornozelo. Preciso falar com você, Alina. Por favor. Explicar tudo."

Eu não respondi. Não havia mais nada a explicar. E eu estava cansada de ouvir suas explicações, suas desculpas. Meu silêncio era um muro, impenetrável e final.

Horas depois, uma batida frenética na minha porta quebrou a frágil paz da minha arrumação. Bruno. Abri, meu rosto impassível. Ele estava ali, desgrenhado, seus olhos vermelhos e injetados. Seu braço ainda estava enfaixado, um lembrete sombrio de seu sacrifício autoinfligido.

"Por que você não atendeu minhas ligações?" ele exigiu, sua voz rouca de exaustão e frustração. "Minhas mensagens? O que está acontecendo?"

"Estive ocupada", respondi, minha voz plana. "Fazendo as malas."

Seus olhos passaram por mim, examinando o apartamento meio vazio, as malas abertas. Um lampejo de alarme acendeu em seus olhos. "Fazendo as malas? Para quê? Para onde você vai?"

"Para uma nova vida", eu disse, observando seu rosto, desprovida de emoção. "Uma nova cidade. Um novo marido."

Seu queixo caiu. "Marido? Do que você está falando? Alina, isso não tem graça." Ele tentou rir, um som forçado e oco. "Você está chateada com a Carla? Eu te disse, ela está bem. Só um pequeno acidente. Vou garantir que ela fique longe. Vou mandá-la para reabilitação, eu juro! Só... não seja assim."

Ele não estava entendendo. Ele realmente acreditava que esta era mais uma das minhas "birras", algo que ele poderia resolver com promessas vazias e palavras apaziguadoras. Sua incapacidade de compreender a finalidade da minha decisão era surpreendente, quase cômica em sua trágica absurdidade.

"Meu voo sai hoje à noite", afirmei, ignorando seus apelos. "Vou me casar em breve."

Seus olhos, arregalados de incredulidade, fixaram-se em mim. "Hoje à noite? Você vai embora hoje à noite? Alina, o que você está dizendo? Você não pode simplesmente... ir embora. Nós vamos nos casar! Lembra? A centésima votação passou! Eu te disse que ia resolver as coisas com a Carla!"

Ele soava como um disco quebrado, repetindo as mesmas falas, as mesmas promessas vazias.

"Alina, por favor", ele implorou, dando um passo em minha direção. "Não faça isso. Eu vou te compensar. Vou te dar a festa de noivado mais luxuosa que você já viu esta noite. Uma de verdade desta vez. Você vai ver. Você será minha esposa. Seremos felizes."

Balancei a cabeça lentamente, um sorriso triste tocando meus lábios. "Não haverá festa de noivado, Bruno. Haverá uma festa de despedida."

Ele franziu a testa, confuso. "Uma festa de despedida? O que você quer dizer?"

"Apenas venha", eu disse, as palavras um convite final e amargo. "Pelos velhos tempos. Diga adeus aos nossos amigos."

Ele hesitou, depois assentiu, um lampejo de esperança em seus olhos. Ele ainda não entendia. Ele pensava que esta era alguma maneira complicada de eu perdoá-lo, de voltar para ele. Ele estava tão completa e desesperadamente errado. Minha aceitação não era um adiamento. Era uma despedida final e cerimonial.

Mais tarde naquela noite, enquanto eu estava do lado de fora do restaurante familiar, uma pontada de algo parecido com tristeza se agitou dentro de mim. Este era nosso antigo ponto de encontro da faculdade, um lugar cheio de risadas e sonhos de juventude. Esta noite, seria o cemitério desses sonhos.

O carro de Bruno parou. Carla estava no banco do passageiro novamente, seu tornozelo agora fortemente enfaixado, uma muleta encostada no painel. Ela me ofereceu um sorriso triunfante e piedoso. A ironia era sufocante.

"Carla? De novo?" perguntei, minha voz calma, quase distante.

Bruno fez uma careta, passando a mão pelo cabelo. "Ela... ela insistiu em vir. Disse que precisava me apoiar. Você sabe como ela fica." Ele conseguiu um sorriso fraco. "Mas não se preocupe, Alina. Eu disse a ela para se comportar."

Eu simplesmente assenti, meu olhar varrendo seu tornozelo enfaixado. "Entendo. Uma torção, você disse?" Minha voz estava perturbadoramente calma, um contraste gritante com a tempestade que se formava dentro de mim.

Bruno estremeceu sob meu olhar firme. Ele parecia quase surpreso com minha falta de reação, meu comportamento distante. Ele esperava lágrimas, raiva, uma briga. Mas não havia nada. Apenas uma indiferença silenciosa e arrepiante.

Entramos no restaurante, uma onda de barulho e rostos familiares nos envolvendo. Nossos amigos da faculdade, um grupo unido, nos saudaram com vivas barulhentas.

"Bruno! Alina! Finalmente!" um amigo gritou, erguendo um copo. "Já era hora de vocês dois se casarem oficialmente!"

Outro interveio: "Vocês são a definição do amor verdadeiro! Treze anos! Inacreditável!"

Suas palavras eram uma zombaria cruel, destacando o abismo entre a percepção deles e minha realidade sombria. Bruno forçou um sorriso, seu braço apertando minha cintura. Carla, no entanto, interveio rapidamente, sua voz sacarina e doce.

"Ah, eles ainda não estão casados, bobinho!" ela riu, apoiando-se pesadamente na muleta. "Ainda esperando aquele anúncio oficial do conselho da família Monteiro, não é, Bruno?" Ela lançou um olhar venenoso para mim.

O rosto de Bruno escureceu. Ele apertou minha cintura, um apelo silencioso para que eu entrasse no jogo. "Em breve, Carlinha. Muito em breve. Nós vamos nos casar. Eu prometo." Seus olhos, no entanto, estavam fixos nos meus, procurando uma reação. Eu não lhe dei nenhuma.

Depois do jantar, um jogo tradicional começou. Cada um de nós pegou uma pequena caixa selada que havíamos enterrado em nossos dias de faculdade, contendo nossos desejos mais profundos para o futuro.

Minha amiga, Maíra, pegou sua caixa primeiro. Ela leu seu desejo em voz alta, um sonho de se tornar uma artista de sucesso, o que ela agora era. Depois veio Marcos, que desejou uma família, agora cercado por sua esposa e dois filhos.

Em seguida, foi a vez de Bruno. Ele abriu sua caixa com um floreio. Seu desejo, escrito em sua caligrafia juvenil, dizia: "Casar com Alina Bastos e construir um império juntos."

Um "aww" coletivo percorreu o grupo. Bruno sorriu, apertando minha mão. Parecia uma mentira.

Então foi a minha vez. Meu coração doeu quando abri a pequena caixa de lata manchada. Meu desejo, escrito com a ingenuidade esperançosa de uma garota apaixonada: "Casar com Bruno Monteiro e ter uma vida feliz e simples."

Um silêncio comovente caiu sobre a mesa. A simplicidade do meu desejo, agora tão longe do meu alcance, ressoou com um eco agridoce.

Finalmente, Carla, inclinando-se para a frente com um brilho ansioso nos olhos, abriu sua caixa. Seu desejo, rabiscado em uma caligrafia excessivamente dramática, dizia: "Ser a única de Bruno. Ter seu amor e atenção exclusivos."

Um suspiro percorreu o grupo. A possessividade flagrante, o ciúme mal disfarçado, pairava pesado no ar. Carla, no entanto, permaneceu impassível.

"Bem", ela anunciou, um sorriso triunfante no rosto, "Parece que meu desejo já se tornou realidade, não é?" Ela olhou diretamente para mim, seus olhos desafiadores.

Uma onda de murmúrios, depois sussurros abertos, se espalhou entre nossos amigos. Seus rostos registravam nojo, constrangimento e uma crescente compreensão. Carla, no entanto, parecia se deleitar com a atenção, alimentada pela desaprovação deles.

De repente, um amigo de faculdade visivelmente embriagado, Lucas, tropeçou em direção a Carla, seu rosto corado de álcool e indignação. "Sabe de uma coisa, Carla? Você é uma pessoa terrível! Sempre aprontando com a Alina e o Bruno! Você é só uma pirralha mimada!" Ele se lançou em direção a ela, sua mão se estendendo.

Bruno, sem um momento de hesitação, entrou em ação. Ele empurrou Lucas para trás, protegendo Carla com seu corpo. "Fique longe dela, Lucas!" ele rugiu, sua voz cheia de fúria protetora.

Ele se virou para a multidão atônita, seu braço firmemente enrolado na cintura de Carla, puxando-a para perto. Seus olhos, ardendo com uma proteção quase selvagem, varreram-nos.

"Ela é minha irmã!" ele declarou, sua voz ressoando com uma possessividade que me gelou até os ossos. "E ela é minha responsabilidade! Vocês vão respeitá-la! Ela é minha mulher!"

As palavras me atingiram como um golpe físico. *Minha mulher.* Não eu. Nunca eu. Meu coração, já estilhaçado, se partiu em um milhão de pedaços irreparáveis.

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