Capa do romance Traída Pelo Don: Sua Fuga Definitiva

Traída Pelo Don: Sua Fuga Definitiva

9.6 / 10.0
No aniversário de casamento, a esposa de Alexandre Borges, o braço direito da máfia paulista, descobre que seu matrimônio é uma farsa cruel. Após ler mensagens humilhantes de sua amante, ela percebe que é apenas um peão para a ascensão dele. Forçada a comer comida contaminada e sofrendo abusos físicos, ela descobre um plano para assassiná-la sob o disfarce de um acidente. Determinada a sobreviver, ela forja a própria morte em um chalé isolado e foge para a liberdade.

Traída Pelo Don: Sua Fuga Definitiva Capítulo 1

No nosso aniversário, eu estava regando o assado na cozinha quando o notebook criptografado do meu marido acendeu sobre a bancada.

Alexandre Borges, o braço direito implacável da maior facção de São Paulo, nunca cometia erros. Mas naquela noite, ele deixou uma sala de bate-papo aberta.

A notificação que surgiu na tela destroçou meu mundo: "A idiota já tá comendo a ração?"

Era da amante dele, Carla.

Eles estavam apostando se eu comeria o bolo red velvet que ela tinha batizado com fezes do Rottweiler dela.

Naquele instante, eu entendi que meu casamento era uma farsa. Eu era apenas uma esposa "de fachada" para garantir a promoção dele a chefão.

Para sobreviver, eu tinha que continuar atuando.

Alex sentou na cama, me dando o bolo contaminado com um sorriso amoroso.

"Come, meu amor", ele sussurrou. "Está de morrer."

Engoli cada pedaço daquela nojeira, me forçando a não vomitar até ele sair do quarto.

A humilhação não parou por aí.

Descobri que nossa certidão de casamento era nula.

Ele me comprou publicamente um colar de vinte milhões de reais num leilão de gala, e depois me abandonou para arcar com a dívida, me forçando a entregar os brincos da minha avó como garantia.

Ele até assistiu, impassível, enquanto a família dele me espancava por causa de uma armação de Carla.

Mas o golpe final veio quando o ouvi planejando nossa "escapada romântica".

"A tempestade de neve chega na sexta", ele disse para Carla. "Vai parecer um acidente trágico. Hipotermia."

Ele achava que estava levando um cordeiro para o abate.

Mal sabia ele que eu estava contando os dias.

Quando chegamos ao chalé e ele foi preparar meu "acidente", eu não chorei.

Joguei uma das minhas botas penhasco abaixo para forjar minha morte.

Então, entrei na van preta que me esperava na neve.

Alexandre Borges achou que tinha matado a esposa.

Ele não fazia ideia de que tinha acabado de libertá-la.

Capítulo 1

Juliana Andrade P.O.V.

Eu estava diligentemente regando o assado do nosso aniversário, o cheiro de alecrim e alho perfumando o ar de uma vida perfeita, quando o notebook criptografado do meu marido rasgou essa tranquilidade doméstica.

A tela se acendeu com uma notificação que iria demolir minha existência: "A idiota já tá comendo a ração?"

A tela não deveria estar acesa.

Alexandre Borges, o braço direito da facção mais violenta de São Paulo, não cometia erros.

Ele executava homens por um olhar torto.

Arrancava línguas por uma interrupção.

Mas hoje, numa demonstração de arrogância fatal, ele tinha deixado uma fresta em sua armadura digital, bem ali, na ilha de mármore da cozinha.

Eu paralisei.

Minha mão apertou o pincel de cozinha com tanta força que a madeira marcou minha palma, me ancorando contra a vertigem súbita.

Caminhei até o balcão, atraída por uma gravidade mórbida.

A sala de bate-papo se chamava "O Circo de Juliana Andrade".

Havia cinco participantes: Alex, seus principais capangas e Carla Medeiros.

Rolei a conversa para cima, minha respiração presa numa garganta que de repente se fechou.

Carla: Eu disse a ela que vermelho era a cor dela. E não é que ela comprou aquele vestido horroroso pra hoje? Parece um tomate desesperado enrolado em seda.

Marcos: Chefe, tem certeza que aguenta jantar com ela?

Alex: Vou estar pensando em você, Carla. Assim como faço quando estou na cama com ela. É o único jeito de dar conta do recado.

Meu estômago despencou.

O chão pareceu inclinar perigosamente sob meus pés, a cozinha girando numa névoa nauseante.

Forcei-me a continuar lendo.

Carla: Vê se ela come o bolo. Coloquei um presentinho especial na massa. Uma lembrancinha do meu Rottweiler.

Alex: Boa menina. Ela vai comer até a última migalha se eu mandar. É desesperada pela minha aprovação.

Carla: E o colar? A Estrela dos Borges?

Alex: Eleonora vai te entregar hoje à noite, Carla. Você é a Rainha. A Juliana é só a esposa de fachada até a votação do Conselho.

Encarei as palavras, deixando que elas queimassem minhas retinas.

Esposa de fachada.

A reconciliação. Os meses agonizantes dele me reconquistando depois da nossa separação. As flores, as promessas sussurradas de que ele tinha mudado, de que a brutalidade do mundo dele não me tocaria de novo.

Tudo mentira.

Era um jogo.

Uma farsa elaborada para garantir seu lugar como o próximo chefão, o que exigia uma esposa "respeitável" em seu braço para manter as aparências durante a transição.

Carla era o prêmio.

Eu era apenas o entretenimento.

Eu não chorei.

Lágrimas são para quem ainda tem esperança.

Em vez disso, senti um gelo cortante se formar no centro do meu peito, no lugar do coração partido.

Era a raiva fria. O instinto de sobrevivência que Alex achava que tinha arrancado de mim anos atrás.

Fechei o notebook com cuidado, garantindo que a tampa não fizesse barulho.

Fui até a despensa e, no fundo da prateleira, peguei um celular descartável que eu havia escondido dentro de uma caixa de absorventes três meses antes.

Disquei o número da Agência Oráculo.

Eles eram um mito. Um sussurro aterrorizado entre as esposas dos homens da máfia.

"Preciso de uma saída", sussurrei no aparelho.

"Código?", perguntou uma voz metálica e distorcida.

"Canário", eu disse.

"Prazo?"

"Setenta e dois dias", respondi, meus olhos vagando para o calendário. "Na noite da tempestade de neve."

A fechadura eletrônica da porta da frente apitou, sinalizando o fim da minha privacidade.

Enfiei o celular de volta na caixa e a deslizei para a prateleira no exato momento em que a pesada porta de carvalho se abriu.

Alex entrou.

Ele parecia um deus da guerra vestido num terno Ricardo Almeida — alto, com ombros largos que carregavam o peso de mil pecados.

Seus olhos eram como gelo, mas seu sorriso era quente. Foi o sorriso que me enganou duas vezes.

"Feliz aniversário, meu bem", ele disse, a voz carregada de um falso afeto, enquanto me estendia um buquê enorme de rosas vermelho-sangue.

Ele me beijou.

Senti o gosto da mentira em seus lábios, amargo sob o sabor de menta.

"Feliz aniversário, Alex", eu disse, com a voz firme.

Ele olhou para o calendário na parede, onde eu havia circulado uma data com caneta vermelha.

"O que é isso?", ele perguntou, apontando para a data dali a setenta e dois dias.

"Uma surpresa", eu disse.

E, pela primeira vez naquela noite, eu não estava mentindo.

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