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Capa do romance Traída, Destruída, Ressurgi

Traída, Destruída, Ressurgi

No aniversário de casamento, Sofia planejava revelar sua gravidez a Pedro, mas recebeu provas da traição dele com Clara. Drogada pelo marido, ela perdeu o bebê e viu sua família ser destruída. Pedro a humilhou no tribunal e a forçou a cuidar da amante grávida. Movida por uma fúria implacável após perder tudo, Sofia decide que não será mais uma vítima. Ela declara guerra contra o ex-marido, jurando fazê-lo pagar por cada traição e dor causada.
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Capítulo 2

Hoje era nosso aniversário de casamento. Três anos.

Eu passei o dia todo preparando o jantar, o prato preferido de Pedro.

A casa estava impecável, com velas acesas e uma música suave tocando ao fundo. Eu usava o vestido que ele me deu no nosso primeiro encontro.

Eu estava grávida de três meses.

Era o nosso segredo, a cereja no topo do bolo da nossa vida perfeita.

Eu mal podia esperar para contar a novidade para os nossos pais. Meu pai, um fazendeiro de coração enorme, já sonhava com o neto correndo pela fazenda. Minha mãe, uma costureira de mãos delicadas, já estava separando os tecidos mais macios para fazer o enxoval.

A vida parecia um sonho.

Quando Pedro chegou, ele sorriu. Mas o sorriso não alcançou seus olhos. Havia algo estranho, uma distância que eu não conseguia entender.

"Feliz aniversário, meu amor" , eu disse, abraçando-o.

Ele me abraçou de volta, mas seu corpo estava tenso.

"Feliz aniversário, Sofia. Eu também tenho uma surpresa para você."

Ele me entregou um envelope pardo. Meu coração acelerou de expectativa. Talvez uma viagem? Ou os papéis da casa nova que estávamos planejando comprar?

Eu abri o envelope com as mãos trêmulas.

Dentro, não havia passagens de avião nem contratos. Havia o resultado de um exame de ultrassom.

Mas não era o meu.

A data era recente, mas o nome da paciente não era Sofia. Era Clara.

Clara.

O nome ecoou na minha cabeça como um trovão. Clara, o amor de juventude de Pedro, a mulher que ele dizia ter esquecido, a razão pela qual ele sempre parecia um pouco triste quando olhava para o horizonte.

"O que é isso, Pedro?" , minha voz saiu como um sussurro.

Ele me olhou, e pela primeira vez, não vi amor em seus olhos. Vi uma frieza calculada.

"É o nosso futuro, Sofia. Clara está grávida. De um menino."

Eu senti o chão desaparecer sob meus pés. O ar me faltou.

"Nosso... futuro? Pedro, eu estou grávida."

Ele balançou a cabeça, como se estivesse explicando algo óbvio para uma criança.

"Eu sei. Mas o filho de Clara... é diferente. É a garantia de uma linhagem pura. A família dela, a nossa história... você entende."

Eu não entendia. Como ele podia dizer aquilo? Linhagem pura? O que isso significava?

E então, as peças começaram a se encaixar. As últimas semanas. O cansaço extremo que eu sentia, os chás "relaxantes" que ele insistia para eu tomar todas as noites, a forma como ele me olhava com uma espécie de pena.

"O chá..." , eu murmurei, o horror subindo pela minha garganta. "O que você colocou no meu chá, Pedro?"

Ele não respondeu. Apenas desviou o olhar.

Naquele momento, a dor veio. Uma pontada aguda no meu ventre, uma cólica tão forte que me fez dobrar ao meio.

Eu olhei para baixo e vi o sangue manchando meu vestido.

Nosso bebê. Meu bebê.

"Pedro..." , eu chorei, estendendo a mão para ele. "Me ajuda."

Ele ficou parado, olhando para mim com aqueles olhos frios e distantes.

"É para o nosso bem, Sofia. Você vai superar."

Eu apaguei.

Quando acordei, estava em uma cama de hospital. A primeira coisa que senti foi o vazio. O vazio no meu ventre e o vazio na minha alma.

O médico me disse que eu tive um aborto espontâneo. Ele falou sobre estresse, sobre fatalidades. Mas eu sabia a verdade. Não foi uma fatalidade. Foi um assassinato. E o assassino era o homem com quem eu havia me casado.

Eu peguei o telefone para ligar para os meus pais. Precisava da minha mãe, precisava do abraço do meu pai.

Foi a enfermeira que me deu a notícia.

Meu pai, ao saber o que tinha acontecido, sofreu um ataque cardíaco fulminante. Ele não resistiu. Morreu de tristeza, de desgosto por ver a filha que ele tanto amava ser destruída.

Minha mãe... minha doce e dedicada mãe, não suportou. A dor dupla, de perder o neto e o marido no mesmo dia, foi demais para ela. Ela enlouqueceu. Em um surto de desespero, ela se jogou da varanda da nossa casa na fazenda.

Ela não morreu. Os médicos disseram que seria melhor se tivesse morrido. Ela sobreviveu, mas se tornou uma casca vazia. Uma pessoa em estado vegetativo, presa em um corpo que não respondia mais, com os olhos abertos para um mundo que ela não via.

Eu perdi tudo. Meu filho, meu pai, minha mãe. Tudo em um único dia.

E Pedro? Onde ele estava em meio a toda essa tragédia?

Ele estava com Clara.

No dia do enterro do meu pai, enquanto eu olhava para o caixão descendo à terra, com o coração partido em mil pedaços, recebi uma notificação no meu celular.

Era uma foto.

Pedro e Clara, sorrindo, em um restaurante caro. A mão dele repousava protetoramente sobre a barriga dela. A legenda dizia: "Celebrando o nosso futuro. #família #amorverdadeiro #linhagempura" .

A raiva que senti foi tão intensa que me deixou sem ar. Uma fúria fria e clara tomou conta da minha dor. Ele não tinha o direito de ser feliz. Não depois do que fez.

Eu olhei para o céu cinzento, sentindo as gotas de chuva fria no meu rosto.

Com os dedos tremendo, digitei um comentário na foto dele. Uma única frase.

"Aproveite bem, Pedro. O inferno está esperando por vocês."

Eu não chorei mais. Naquele momento, no cemitério, diante do túmulo do meu pai e com a imagem da minha mãe em um leito de hospital, eu prometi a mim mesma.

Eu buscaria justiça. Custe o que custar.

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