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Capa do romance Traída, Destruída, Ressurgi

Traída, Destruída, Ressurgi

No aniversário de casamento, Sofia planejava revelar sua gravidez a Pedro, mas recebeu provas da traição dele com Clara. Drogada pelo marido, ela perdeu o bebê e viu sua família ser destruída. Pedro a humilhou no tribunal e a forçou a cuidar da amante grávida. Movida por uma fúria implacável após perder tudo, Sofia decide que não será mais uma vítima. Ela declara guerra contra o ex-marido, jurando fazê-lo pagar por cada traição e dor causada.
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Capítulo 3

Eu lidei com tudo sozinha. O funeral do meu pai, a transferência da minha mãe para uma clínica de cuidados paliativos perto da cidade. Vendi algumas cabeças de gado para cobrir as despesas iniciais. A fazenda, antes um lugar de alegria, agora era um mausoléu silencioso, pesado com memórias dolorosas.

Quando finalmente voltei para o apartamento, a casa que um dia chamei de lar, o cheiro de comida estragada e poeira me atingiu em cheio. O jantar de aniversário ainda estava sobre a mesa, intocado, apodrecendo. As velas haviam derretido sobre a toalha de mesa.

Estava tudo escuro. Eu não me dei ao trabalho de acender as luzes. A escuridão lá fora combinava com a que estava dentro de mim.

Joguei minha bolsa no sofá e me sentei no chão frio, abraçando os joelhos. O apartamento estava silencioso, mas minha mente era um turbilhão de gritos.

Eu fiquei ali por horas, perdida no tempo, até ouvir o som da chave na porta.

Pedro entrou.

Ele acendeu a luz e fez uma careta ao ver o estado da sala.

"Nossa, que bagunça é essa? E que cheiro horrível. Você não limpou nada?"

Ele nem me viu sentada no chão. Passou direto por mim, jogou a pasta no sofá e foi para a cozinha. Abriu a geladeira.

"Não tem nada para comer? Eu estou morrendo de fome."

Sua voz era casual, como se nada tivesse acontecido. Como se ele estivesse voltando de um dia normal de trabalho.

Eu continuei em silêncio, apenas observando-o.

Ele finalmente me notou, ali no escuro.

"Sofia? O que você está fazendo aí no chão? Levanta, vai tomar um banho. Você está com uma aparência péssima."

Ele veio até mim e tentou me puxar pelo braço. Eu me encolhi, afastando-me do seu toque como se ele fosse veneno.

"Não me toca" , minha voz saiu rouca.

Ele suspirou, impaciente.

"Qual é o seu problema agora? Já não conversamos sobre isso? Eu sei que é difícil, mas você precisa ser forte. Pelo nosso futuro."

Eu levantei a cabeça e olhei para ele. Um homem que eu amei com toda a minha alma. Agora, eu só sentia nojo.

"Nosso futuro?" , repeti, a ironia pesando em cada sílaba. "Você quer dizer o seu futuro com a Clara?"

Ele revirou os olhos.

"Ah, não vamos começar com esse drama de novo. Eu já te expliquei. A Clara precisa de mim. Ela está sozinha, grávida. É uma situação delicada. Eu estou fazendo isso por nós, para garantir que nosso nome, nossa linhagem, continue."

A calma com que ele falava, a lógica distorcida que ele usava para justificar suas atrocidades, era de enlouquecer.

"Você está se ouvindo, Pedro? Você matou nosso filho! Meu pai morreu! Minha mãe está em estado vegetativo por sua causa! E você vem me falar de 'linhagem' ?"

Minha voz começou a tremer, mas eu me forcei a continuar.

"Você estava com ela no dia do enterro do meu pai. Eu vi a foto. Sorrindo. Feliz."

Ele teve a audácia de parecer ofendido.

"Eu precisava apoiá-la! Ela estava passando mal, o médico recomendou repouso e bons pensamentos. Eu não podia deixá-la sozinha. Você precisa entender o sacrifício que eu estou fazendo."

Sacrifício. A palavra me atingiu como um soco.

Eu comecei a rir. Uma risada seca, sem humor, que vinha do fundo da minha alma destruída.

"Sacrifício? Você é inacreditável. Você é um monstro."

Ele franziu a testa, irritado por eu não estar me comportando como a esposa compreensiva que ele esperava.

"Chega, Sofia. Eu não vou discutir com você nesse estado. Você perdeu um bebê, é normal ficar emotiva. Mas não se preocupe."

Ele se agachou na minha frente, tentando parecer solidário.

"Nós podemos tentar de novo. Assim que você estiver melhor, a gente faz outro filho. Um não, vários. Quantos você quiser."

Ele disse aquilo com a mesma leveza com que se oferece um copo d' água. Como se um filho fosse um objeto que pudesse ser substituído.

Eu parei de rir.

O silêncio tomou conta do ambiente.

Eu o encarei, vendo não o homem que eu amava, mas um estranho, um ser desprezível que não entendia a profundidade da dor que havia causado.

Ele não entendia que não era sobre "fazer outro filho" . Era sobre o filho que perdemos. O nosso filho. A vida que ele tirou de mim.

Naquele momento, eu soube. O amor não havia apenas morrido. Ele havia se transformado em cinzas. E dessas cinzas, nascia um único desejo.

Vingança.

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