
Traição, Queda e A Ascensão
Capítulo 2
Quando a faca do agressor me apunhalou, meu marido estava ajudando sua jovem aprendiz a procurar um cachorro.
Essa frase resume a ironia e a dor da minha vida passada.
Meu nome é Sofia Mendes. Eu era uma arquiteta renomada, casada com Ricardo Almeida, um chef de cozinha famoso e carismático. Nossa vida parecia perfeita, um conto de fadas moderno para as revistas de celebridades. Mas por trás das portas fechadas, a perfeição desmoronava.
Eu descobri que Ricardo estava me traindo com Clara Lima, sua aprendiz. Ela era jovem, ambiciosa e, como vim a descobrir tarde demais, perigosamente ingênua.
O clímax da minha primeira vida aconteceu durante a apresentação de um projeto crucial. Um cliente, Mário Costa, ficou insatisfeito com meu design. Ele ficou furioso, começou a gritar e, em um surto de violência, me atacou. Ele me apunhalou.
Naquele momento, eu precisava do meu marido. Mas Ricardo não estava lá. Ele estava com Clara, em algum parque, procurando o cachorrinho de estimação dela que havia se perdido.
Mesmo ferida, consegui manter a calma. Consegui acalmar a situação e evitar que minha carreira fosse destruída junto com meu corpo. Salvei o projeto e a reputação da empresa.
Mas o destino tem um humor cruel. Naquela mesma noite, Clara, sozinha depois que Ricardo a deixou, foi assaltada. Os ladrões a agrediram e, na confusão, ela sofreu um acidente. Ela morreu.
A morte de Clara destruiu Ricardo. Ele mergulhou em uma depressão profunda, alimentada por culpa e autopiedade. E ele me culpou.
Para minha surpresa, em meio a todo esse caos, fui promovida. A empresa valorizou minha coragem e profissionalismo durante o ataque. Tornei-me diretora de projetos. Uma vitória amarga, conquistada com meu próprio sangue.
A empresa organizou uma festa para comemorar minha promoção. Ricardo apareceu, bêbado e transtornado. Seus olhos queimavam de ódio. Ele havia planejado tudo.
Ele orquestrou um falso assalto. Seus comparsas me seguraram, me agrediram, enquanto Ricardo, meu marido, filmava tudo com o celular, o rosto distorcido em um sorriso demente.
"Se não fosse por você, Clara ainda estaria aqui!", ele gritou, a voz rouca de álcool e fúria.
Ele me arrastou até a beirada do terraço. O vento frio da noite batia no meu rosto, misturando-se com as lágrimas e o sangue.
"Você tirou tudo de mim, Sofia. Agora vou tirar tudo de você."
Com um último grito de ódio, ele me empurrou.
Eu caí. A cidade abaixo de mim era um borrão de luzes e escuridão. A dor foi a última coisa que senti.
Mas eu não morri.
Acordei em um quarto de hospital, o corpo quebrado, mas a mente surpreendentemente lúcida. A primeira notícia que recebi foi que o cliente que me atacou, Mário Costa, estava causando problemas novamente, exigindo que o projeto fosse refeito.
Naquele momento, deitada na cama do hospital, com o corpo doendo e o coração em pedaços, uma nova certeza nasceu dentro de mim. Uma certeza fria e dura como aço.
A vingança.
Jurei a mim mesma que Ricardo Almeida sentiria a mesma dor. Ele sentiria a dor da humilhação. Ele sentiria a dor da ruína total. Eu o destruiria, e faria isso usando a inteligência e a força que ele tanto desprezou.
Esta era a minha promessa. E desta vez, eu não iria falhar.
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