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Capa do romance Trabalho em dupla- tensão sexual

Trabalho em dupla- tensão sexual

Após um trágico acidente de moto que tirou a vida de seu irmão, John, um jovem vive assombrado pelo remorso. Naquela noite escura, John percebeu que o veículo estava sem freios e sacrificou a própria segurança, entregando seu único capacete para salvar o irmão mais novo. Agora, em meio a destroços emocionais e feridas que não cicatrizam, ele precisa enfrentar o peso de ter sobrevivido. Uma história intensa sobre perda, culpa profunda e a busca por um recomeço impossível.
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Capítulo 2

— Por que você não estuda no mesmo prédio que eu? — pergunto

para Taylor, enquanto penteio o cabelo.

— Porque somos de áreas completamente diferentes — ela responde

e logo toma um gole do seu café. — Essa máquina caiu do céu — se refere a

máquina de café que a minha mãe comprou.

— Até parece que você não está acostumada a beber qualquer tipo

de café.

— De manhã cedinho, não — ela retruca. — Geralmente, eu vou para

aula sem tomar ou beber nada e no intervalo como algo.

— Eu acredito que passaria mal no meio do primeiro período —

faço drama e ela ri, fazendo um gesto de negação com a cabeça.

— Vai demorar aí, branca de neve?

— Se eu sou a branca de neve, você é o quê? Cinderela?

— Pode ser — dá de ombros —, só falta o meu príncipe com cavalo

branco aparecer.

Passo um gloss nos lábios, ficando satisfeita com o resultado.

Cabelos soltos, um pouco de rímel incolor e brilho labial, meus

companheiros de sempre.

— Menina, você é naturalmente linda. — Taylor me analisa. — Se

não fossemos amigas, te pegava fácil.

— Você... — deixo no ar, sem saber como terminar a pergunta.

— Sou uma pessoa que gosta de pessoas. Gosto de meninos, mas já

fiquei com meninas. É isso.

— Tipo, bissexual? — pergunto, pegando minha bolsa.

Ela também pega a dela e abre a porta do nosso quarto. Saio e logo

ela fecha, enganchando no meu braço enquanto caminhamos no corredor em

direção à escada.

— Não sei. Sinceramente? Eu sei que existe esse lance de

representatividade, por isso é importante dar nome. Em contrapartida, no

meu caso, não acho que eu precise de um rótulo. Nem sei se estou pronta

para ter um.

— Entendi — respondo, refletindo sobre o que falei. — Como é?

— Como é o quê? — ela pergunta.

— Beijar outra mulher, transar com outra mulher...

— É uma boca como qualquer outra. As meninas que eu beijei foram

lances casuais. Foi bom. — dá de ombros. Já notei que esse gesto é uma

mania dela. — Uma… mais que bom. Sobre sexo, não sei responder. Já

rolou uns amassos, mas nunca o ato.

— Mas você prefere homem ou mulher?

Ela gargalha alto, jogando a cabeça para trás, até atrai uns olhares

para nós.

— Em geral, me sinto atraída por homens, com as meninas, sei lá.

Acontece. Como disse antes, não sei explicar.

— Eu sou curiosa mesmo, foi mal — acompanho-a nas risadas. —

Meus pais dizem que eu sou tipo criança, querendo saber o porquê de tudo.

— Tudo bem, amiga. — Ela solta o meu braço quando paramos em

frente ao prédio de música, que é bem perto do nosso dormitório. — Não me

importo. Você fica aqui — aponta para a construção de tijolos a vista. — Eu

já vou, porque ainda tenho uns dez minutos de caminhada. Almoçamos juntas

no refeitório?

— Claro. Quando eu estiver livre, te mando mensagem — ela apenas

acena, me dá um beijo no rosto e sai.

Sozinha, olho para a construção em minha frente.

É real, Priscila, você está mesmo aqui.

Respiro fundo e entro no prédio. Alguns alunos seguram instrumentos

musicais, perdidos em seus próprios mundos. Paro em frente a um mural,

procurando minha sala, até que encontro depois de um bom tempo. Subo até

o terceiro andar. Chego ofegante e quando dou um passo para dentro, sorrio

feito boba.

Sinto como se estivesse em um filme americano. A lousa do

professor vai de uma lateral até a outra. Sua mesa fica posicionada em um

canto estratégico, que da visão de toda a sala. E então as cadeiras dos alunos

são posicionadas como em um cinema, ficando um lance por fileira. Todas

as vezes em que estive no cinema do shopping da minha cidade, peguei um

assento nas cadeiras do meio da sala, faço o mesmo hoje.

Subo até chegar na fileira, que a meu ver, é a do meio. Me sento,

respirando fundo e passando meu olhar sobre os alunos. Nossa! É tudo tão

surreal, que mal posso acreditar que estou aqui! Caramba, eu estou mesmo

aqui!

Olho ao redor, vendo alguns universitários sentados, outros chegando

e, de repente, me sinto nervosa, sozinha.

Fecho os olhos em uma prece silenciosa, em agradecimento por ter

me livrado da vida que eu tinha. Estou aqui por mim, para mim, é o meu

sonho. Respiro fundo, como dona Marisa me ensinou, focalizando em um

sentimento de gratidão por estar à frente das decisões da minha própria vida.

Eu tomo as minhas iniciativas, não preciso dele. Não preciso

depender de ninguém.

Discretamente, começo o exercício de respiração. Solto todo o ar

que estava preso e eu nem percebi. Depois, inspiro pelo nariz e conto até

quatro. Volto a segurar completamente a respiração e conto até sete, em

seguida, solto novamente todo o ar, enquanto conto até oito. Repito todo o

processo novamente. O certo seria repetir três vezes, mas paro no início da

terceira, quando um rapaz se senta ao meu lado.

— Oi — ele cumprimenta —, estou tão nervoso! Julgo que posso

desmaiar a qualquer momento. — Puxa a gola da camisa, como se estivesse

abafado. — A propósito, sou Andrew. — Ele estende a mão, mas não tenho

tempo de apertar, pois ele puxa e a seca em sua calça. — Estou suando feito

um porco. Esqueça o aperto de mão.

Seguro uma risada.

— Sou Priscila, e se serve de consolo, também estou nervosa.

— Você tem um sotaque diferente — ele me analisa.

— Sou brasileira — sorrio e então, sem pudor algum, ele me olha

dos pés à cabeça. E ainda que eu esteja sentada, vejo que olha para o meu

quadril.

Pigarreio.

— Foi mal — ele fala e ri —, foi uma inspeção sem maldade, bebê.

Sou gay. — Ele pisca.

Meu sorriso aumenta e agora, em vez de me sentir em um filme

americano, sinto-me como se estivesse em um livro, onde tenho a melhor

colega de quarto e um amigo gay para chamar de meu best.

— Qual seu curso? — pergunto.

— Produção fonográfica.

— O meu também — respondo e vejo seus olhos brilharem da

mesma forma que os meus devem estar.

— Então estaremos juntos em todas as matérias! — Ele olha para o

teto — obrigado senhor, por lembrar do seu filho, amém.

Não contenho uma risada, ele é muito engraçado.

— Para ficar perfeito — ele continua —, só falta entrar por aquela

porta um professor gostosão, estiloso e cheio de tatuagens, estilo bad boy!

— ele suspira.

Não é o que acontece.

Com um timing perfeito, entra um professor na sala. Ele deve ter a

minha altura, tem um corpo normal e usa roupas formais. O que me chama

atenção é o colete xadrez por cima da camisa social branca. O cabelo está

perfeitamente alinhado com a ajuda de gel. Como a camisa, as calças e

sapatos também são sociais. Ele segura uma maleta marrom e usa óculos

com armação arredondada.

— É a fanfic da minha vida — Andrew murmura ao meu lado,

chamando minha atenção para si.

Ele tem um braço apoiado sobre o encosto da cadeira e dos seus

olhos só faltam sair aqueles coraçõezinhos, como nos desenhos animados.

— Apaixonou? — brinco.

— Ele é o meu número — declara.

— Ele é seu professor, menino — falo, rindo baixinho com sua

expressão fascinada.

— Também é o meu novo crush e futuro amor da minha vida — fala

de uma forma dramática, fazendo nós dois rirmos.

— Bom dia, alunos! Sejam bem-vindos à nossa universidade.

Aproveitem cada minuto do tempo que vão passar aqui, pois eles serão

lembrados por vocês pelo resto de suas vidas.

— Que voz é essa? Puta merda, acho que gozei nas calças —

Andrew murmura e eu ponho a mão na boca, abafando um riso.

— Como todos sabem, essa é a disciplina de comunicação. Nosso

objetivo é; capacitar o aluno para interpretação, leitura e escrita de textos

verbais e não-verbais, através do domínio de conceitos relativos à

comunicação. Abram na página doze de suas apostilas, vamos começar com

a introdução a comunicação e seus vários meios e formas.

A aula foi demais! Tá! Ok. Talvez, não tenha sido tão legal como as

demais disciplinas serão. Porém, estou tão empolgada com tudo, que achei a

coisa mais interessante do mundo ver o professor falar, sem parar, por horas

a fio. Assim que saí da sala com Andrew ao meu lado, mandei mensagem

para Taylor, que ficou de nos encontrar no refeitório. De início, quando me

viu acompanhada, ficou receosa. Mas bastou meu novo amigo abrir a boca

para ela sorrir e gargalhar com as pérolas dele.

— Existem algumas lanchonetes espalhadas pelo campus, mas

almoço mesmo só aqui. Esse restaurante não é terceirizado, é da

universidade, então acredito que é tipo uma regra sabe? Dessa forma, a

maioria come por aqui.

— Então, você já está aqui há algum tempo?

— Sim, não sou caloura — ela diz e toma um gole do seu suco, limpa

a boca com o guardanapo. — Sei das fofocas, quem anda com quem. Mas

não se empolguem, eu não sou da elite.

— Seremos a resistência! — Andrew diz e nós duas rimos.

— Não que eu precise falar para vocês quem é quem — ela continua

—, uma olhada em volta e saberão.

— Vamos lá — ele responde —, vou tentar adivinhar. Nerds —

aponta para uma mesa e então vai nomeando os vários “grupos” espalhados

pelo Refeitório.

Sim. O nome do restaurante da universidade é Refeitório, muito

criativo.

— Só não consegui distinguir aquele grupo ali. — Ele faz um gesto

discreto com a cabeça.

— Qual? — Taylor pergunta, se virando. — Ah..., eles são a elite.

— Como assim? — Sou eu quem pergunta agora.

— Ali temos alguns do time de futebol americano, líderes de torcida

e o pessoal da banda. — Estreita os olhos. — Faltam dois ainda.

— E por que elite? — Andrew se manifesta.

— São os populares. Integrantes das duas fraternidades mais

famosinhas, promovem as melhores festas. — Dá de ombros.

— Quem é aquele todo de preto? — meu amigo pergunta.

— O Kane. Vocalista da Radioactive. Os caras são bons, acho que

tem futuro.

Olho para o tal Kane, o cara é lindo. Tem um estilo desleixado sexy,

bem aquele tipo que diz “sou lindo e foda-se o resto”. Agora, depois da

Taylor falar por alto quem são, consigo distinguir quem faz parte do time de

futebol americano, quem são os outros meninos da banda e as meninas que

são todas, obviamente, líderes de torcida.

— Quem são os dois que faltam?

— São dois primos. Um deles teve uma overdose no início do ano

letivo passado e ficou afastado durante o resto do ano. O primo dele fez

apenas parte das disciplinas para poder apoiar o outro na clínica de

reabilitação.

— Caramba, que lindo isso — elogio e ela bufa.

— Vai por mim, Brandon é um babaca egocêntrico. Kane vive com

eles também, os três são bem próximos.

— Eles devem ser ainda mais gatos que o tal Kane. Gente bonita

atrai gente bonita.

— Eles são. É engraçado ver os três juntos, porque ao mesmo tempo

que são parecidos, são visivelmente tão diferentes.

— Não entendi nada — Andrew conclui rindo.

— Nem eu — concordo, também rindo.

— É, isso foi complexo — Taylor admite, olhando a tela do seu

celular. — Preciso ir para a cafeteria. Pri, o que acha de o Andrew ir ao

alojamento ver um filme conosco hoje?

— Por mim, tudo bem — concordo, feliz por ver que os dois já se

tornaram amigos.

— Aí gente, que demais! No primeiro dia de aula já arrumei duas

amigas e vou dormir na casa delas!

— Dormir? — pergunto.

Taylor e eu nos olhamos e, como sempre, ela dá de ombros.

— Então, tá! — digo, por fim, e ele bate palminhas, animado.

Senhor, onde esse menino vai dormir?

Balanço a cabeça, ignorando isso. Daríamos um jeito. Taylor se

despede e sai apressada, para não chegar atrasada no trabalho. Ela me

contou que a cafeteria em que trabalha fica a uns quinze minutos da

universidade e funciona o ano inteiro. Meio que entrelinhas, me disse que foi

apenas uma vez para sua casa em uma de suas férias. Minha amiga aluga a

casa que era dos pais, mas mantém um sobrado vazio para caso precisar

voltar.

Nem posso imaginar o quão difícil deve ser perder os pais tão cedo.

Se, ainda assim, ela tivesse uma família, mas ela não tem. Bom, a partir de

agora ela tem a mim. Farei de tudo para sermos boas amigas e para que a

nossa convivência seja a melhor possível. Eu também nunca tive amigos.

Quer dizer, tive “amigos” através dele, eu era uma sombra dele.

— Ei, bebê. — Olho para Andrew. — Você estava longe.

— Estava... no Brasil, procurando as curvas latinas que você disse

que eu não tenho — ele ri.

— Menina, brasileiras tem fama de ter tudo ão.

— Pois, eu tenho inho. Esqueci de passar na fila da bunda e dos

peitos — brinco.

— Você está ótima assim! Eu, mais do que ninguém, não deveria

imaginar um biotipo apenas por conta da sua nacionalidade. Foi bem

imprudente da minha parte.

— Relaxa. — Me levanto. — Vamos? — Ele ajeita a mochila em um

ombro e também se levanta.

— Quero estudar um pouco o início da apostila da disciplina de

amanhã por... — Sinto meu corpo colidir com algo e logo o líquido gelado

escorre pelo meu braço e parte das costas.

— Você está cega, garota? — a menina grita comigo e quando

levanto os olhos, vejo uma das garotas da elite.

— Desculpa, eu estava de costas, não vi...

— Pretendia andar de costas? Você é caranguejo agora?

— Caramba, Já pedi desculpas! — falo mais alto. — Eu me molhei

bem mais que você — falo, vendo apenas seu antebraço manchado pelo

líquido. — Essas coisas acontecem.

— Saia do meu caminho! — ela grita como se fosse a abelha rainha e

eu uma súdita.

— Amber — olho para o cara que a chama. É o tal Kane, que parece

ainda mais bonito de perto. — Acidentes acontecem, deixe a menina em paz.

Ela me encara, em seguida olha para ele e acena em positivo,

fazendo seu caminho porta afora. Suas duas amigas a seguem.

— Desculpe por isso — Ele diz e eu volto a olhar para ele —, ela é

exagerada na maioria das vezes. Sou Kane — ele se apresenta de uma forma

direta.

— Sou Priscila.

— Sotaque diferente — não é uma pergunta, mesmo assim, respondo.

— Brasileira.

— Legal. A gente se vê. — E então, da mesma forma inusitada que

chegou, ele se vai.

— Esse garoto é sexy! — Andrew não tarda em dizer.

— Se apaixonou também? — brinco.

— Não, minha paixão e meu amor são apenas do nosso professor.

Com o Kane é só fogo no rabo mesmo.

Gargalho alto. Me sentindo à vontade em sua presença, faço como

Taylor fez comigo mais cedo e engancho em seu ombro, enquanto saímos do

refeitório.

Me diga uma coisa, garota

Você está feliz neste mundo moderno?

Ou você precisa de mais?

Existe algo mais que você está buscando?

Shallow — Bradley Cooper, Lady Gaga.

Já estou acordada e o despertador ainda nem tocou, estive esperando

a semana toda para que o hoje chegasse. De todas as disciplinas do primeiro

semestre, essa é a mais aguardada, pelo menos para mim.

Mixagem e edição musical.

Cresci indo para o estúdio com meus pais. Ficava fascinada com a

forma que as músicas ganhavam vida e eram modificadas. As gravações

eram feitas e refeitas até que o som ficasse perfeito. A paixão que os artistas

pareciam ter ao expor sua arte, a entrega, o amor. Tudo bem, sou suspeita a

falar, já que toda forma de arte me encanta. Mas a música... é quase

inexplicável.

Em meu ponto de vista, é uma das formas mais expressivas. As

pessoas geralmente usam a música como auto terapia. É um ato inconsciente,

mas quando não estamos bem procuramos músicas tristes, quando acordamos

bem, queremos ouvir algo animado. Os mais reflexivos tendem a procurar

melodias com letras que trazem sentido ao momento, a vida.

Eu amo todo tipo de música. Porém, tenho um fraco, ok, um guindaste

pela música eletrônica.

Não existe forma de definir a música eletrônica. Ela vem evoluindo

desde que alguém começou a brincar com os sons, isso há décadas. Um

pouco de jazz aqui, uma batida mais acelerada ali, bases graves, repetições,

vocais, samplers e temos infinitos resultados. Techno, house, trance, psy,

minimal, progressivo, drum´n´bass os mais crus e, em simultâneo, os mais

misturáveis estilos da cultura club. O experimentalismo cresce e a rotulação

dos deejays por estilo começa a ficar cada vez mais complicada e

dispensável de se fazer. Perceber os elementos característicos de cada

vertente é essencial para identificá-las.

O despertador toca e eu pego o celular, o desligando. Suspiro e

sorrio por estar acordada antes do horário. Hoje é quinta-feira, estou há

quase uma semana aqui em Boston e ainda parece mentira. É como se isso

fosse um sonho, ou uma realidade paralela, e que a qualquer momento eu vou

acordar e me transportar para a minha antiga vida em São Paulo. É só

lembrar da minha vida dos últimos anos para voltar a fechar os olhos e

suspirar novamente, mas dessa vez de frustração.

Como eu pude me sujeitar a tudo que eu vivi?

Como pude simplesmente viver uma vida que eu nitidamente não

estava feliz só para agradar um homem? Melhor, um moleque.

Balanço a cabeça, afastando esses pensamentos assim que ouço o

despertador da Taylor tocando. Como sempre, ela demora alguns segundos,

resmunga algo e então o desliga.

— Pri — murmura quando se senta na cama e passa as mãos no rosto

—, bom dia.

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