
Todo o amor que habita em nós
Capítulo 3
Marcos.
Aline é uma menina, ainda tem 17 anos e eu estou beirando os 22, não consigo entender o que me prende tanto a uma garota que quando está comigo faz com que eu me sinta completo, mas todas as vezes que eu falo em relacionamento ela sai pela tangente e me deixa sem respostas.
É cômico eu já adulto ser enrolado por uma garota, quando o que acontece normalmente é exatamente o contrário. A minha única certeza nessa história é que quando ela diz gostar de mim ela é sincera, disso eu não tenho dúvidas. E eu, filho de mãe professora e pai coordenador, cresci extremamente observador, portanto não pude deixar de notar o medo dela quando eu falo em assumir a relação.
Porquê?
Aline planta uma interrogação bem no meio da minha testa a cada negativa, a cada palavra não dita, a cada suspiro amedrontado.
Medo.
Medo do quê?
Aqueles cabelos loiros e aqueles olhos claros ainda vão me levar à loucura! Ela é tão linda, tão angelical, e a única coisa que eu queria é que ela confiasse em mim o suficiente pra me contar do que ela tem medo e me deixar protegê-la desse medo.
— Pensando na Aline? – Júlio, meu melhor amigo fala me fazendo dar um pulo da cadeira
— Porra Júlio, vai assustar sua mãe – Falo irritado e ele gargalha
— Ela ainda tá te enrolando né? – Fala segurando a risada
— Juro que eu não entendo – Suspiro — Ela gosta de mim e isso é nítido, mas se eu falo em assumir ela trava, se eu tento ir além dos beijos ela começa a retribuir mas do nada trava também. — Esfrego as mãos no cabelo irritado
— Algum trauma talvez? – Júlio sugere e eu paro um pouco pra pensar
— Trauma eu acho que não, até porque Elis teria me avisado sobre – Ele assente — Mas tem alguma coisa e Elis sabe o que é.
— Pergunta pra ela então – Ele dá de ombros
— Você acha que Elis contaria pra Aline algum segredo meu? – Júlio nega — Então ela não contaria um da Aline pra mim.
— Faz sentido. – Ele para e me encara — Mas você não ficou com mais ninguém nesse meio tempo? Tipo, só beijinhos e mãos dadas? – Assinto — Sinto te desanimar, meu amigo, mas você tá fodido com essa garota!
— Nem me fala, nem me fala.
Fico ainda ali um tempo conversando com Júlio que no final da tarde resolve ir buscar Elis pra dormir na nossa casa, então eu resolvo mandar mensagem pra Aline enquanto aguardo os bonitos chegarem com a minha vela:
Eu: Olá meu bem, ocupada?
Meu bem: Pelo contrário, estou tão desocupada que estou entediada. (Emoji rindo)
Eu: Quer sair comigo?
Meu bem: Quero. Mas não posso. Fiz faxina em casa hoje, minha mãe viajou cedo e só volta amanhã à noite, aí ainda vou acabar a louça e depois vou descansar.
Eu: Sei guardar louça, e levo pizza se quiser (emoji de olhinhos)
Meu bem: De frango com catupiry? (Emoji de coração)
Meu bem: Se for, nem precisa me ajudar com a louça (emoji de olhinhos)
Eu: Sim, de frango com catupiry, e coca bem gelada que eu sei que você adora.
Meu bem: (Emoji apaixonado)
Eu: Chego aí em 40 minutos, deixa o portão aberto.
E lá vou eu mais uma vez mudar todo o meu planejamento pra atender as vontades da Aline, e depois voltar pra casa frustrado, e com tesão acumulado já que apesar de nitidamente sentir tanta vontade quanto eu, ela por algum maldito motivo desconhecido não me deixa passar dos beijos.
Escrevo um bilhete pedindo desculpas a Elis e ao Júlio por não ficar em casa com eles, pego minha carteira e sigo até a pizzaria favorita da Aline, peço a pizza que ela quer e aproveito pra comprar alguns chocolates e um pote de sorvete de menta, já que como boa esfomeada que ela é, a pizza não vai ser o suficiente.
Pago tudo e subo na moto em direção à casa dela que conforme o combinado está com o portão aberto. Buzino pra avisar que cheguei e coloco a moto na garagem, logo em seguida ela abre a porta sorrindo.
Esse sorriso.
Tem algo diferente nesse sorriso, ainda é ela, ainda é o meu bem, mas algo mudou, eu sei que mudou.
— Boa noite, meu bem –Cumprimento
—Boa noite – Fala beijando minha bochecha
Em seguida seus olhos descem pra sacola com o sorvete e ela sorri ainda mais:
— Não era só pizza e coca? – Ela fala com a testa franzida
— Era, mas você é esfomeada e não seria o suficiente – Ela ri
– Ainda bem que você me conhece – Fala pegando a sacola da minha mão – Entra.
— Tô me sentindo um adolescente visitando a namorada enquanto os pais viajam – Falo e ela gargalha
— Dona Marisa sabe que você está aqui – Arregalo os olhos e ela ri — Você já viu os meus vizinhos? – Ela se justifica — Ela ia saber de qualquer maneira, preferi falar primeiro.
Ajudo Aline a guardar as sacolas e em seguida arrumamos a mesa e jantamos enquanto engatamos uma conversa animada, incrivelmente Aline parece leve e feliz, mesmo estando sozinha comigo dentro da casa dela.
Enquanto jantamos, ela me fala sobre sua indecisão a respeito de fazer ou não faculdade, já que o que gostaria mesmo é de fazer doces profissionalmente, o que eu super apoio já que eles são maravilhosos.
Ela também pergunta qual a minha formação, já que ela sempre me vê com seu Zé, avô da Elis, e nesse ponto eu omito alguns detalhes da minha relação com ele, já que envolve a vida da amiga dela, e conto apenas que eu sou administrador, e me formei aos 20 graças a minha mãe que me fez entrar na faculdade aos 16. Explico que trabalho também com o avô da Elis, de onde aliás vem 90% da minha renda, mas que ajudo meus pais a administrarem a escola que eles abriram a alguns anos.
Depois do jantar, e sob protestos dela, lavo a louça enquanto ela escolhe um filme qualquer na TV do seu quarto, o que já me deixa um pouco nervoso dada a situação. Acabo de arrumar tudo, e a sigo até o quarto onde ela já colocou uma daquelas comédias românticas que ela ama, e me aguarda sorridente com o pote de sorvete e duas colheres na mão. Encosto no batente da porta e sorrio vendo a cena dela devorando o pote de sorvete antes mesmo de chegar perto:
— Deixa um pouco pra mim, esfomeada.
— Vem logo se não eu não garanto nada.
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