Capa do romance Tentação

Tentação

8.8 / 10.0
Em Tentação, o arrogante CEO Aíslan tenta fugir do passado em Natal, mas encontra a curiosa escritora Catléia. Entre o luto e a convivência forçada, este romance billionaire explora um difícil acordo de paz. Leia livros online grátis e descubra se o desejo supera a teimosia nesta modern novel.
Resumo de Tentação
Aíslan é um CEO arrogante de 38 anos que vive amargurado desde que ficou viúvo. Para ajudá-lo, seu amigo Henrique o envia para passar férias em Natal. Lá, ele conhece Catléia, uma escritora atraente que lida com o luto após perder o namorado em um incêndio. O encontro desses vizinhos transforma o verão em um turbilhão de conflitos intensos. Embora precisem de trégua, a teimosia mútua impede a paz, despertando sentimentos que nenhum dos dois esperava sentir.
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Tentação Capítulo 1

Céu nublado e garoa fina. Dezenove graus no verão de Campos do Jordão,

São Paulo, Brasil. A baixa temporada na cidade turística é o pior período

para a economia local e isso Aislan Albuquerque sente na pele. Dono de

uma das mais populares redes de hotelaria, Aislan com os seus 38 anos,

tendo 15 deles dedicado a presidência do Hotel Camp Jordan, se vê perdido

diante aos tantos percalços financeiros, sociais e pessoais...

— Senhor Aislan! Júlio Alcântara está na linha — fala a secretária já

entrando.

— Carla! Primeiramente bata na porta antes de entrar e segundo... Eu já

exigi que marque horários para eu atender ligações seja de quem for.

— Inclusive da mãe dele. —

completa Henrique.

Henrique Ferraz, com os seus 37 anos é sócio e melhor amigo de Aislan.

Amizade essa que vem da infância. Após terminarem a faculdade e estando

ambos sem rumo, eles decidiram apostar no ramo de hotelaria e com poucos

anos trabalhando na gerência da rede mais popular da cidade na época, eles

conseguiram construir o primeiro hotel Camp Jordan. Hoje, quinze anos

depois, está sendo construída a segunda pousada no litoral catarinense que

levam o mesmo nome. As pousadas são gerenciadas por Henrique, homem

aventureiro e que, ao contrário de Aislan, adora praia e calor. Por assim ser,

Aislan gerencia o hotel em Campos do Jordão e sabendo que nessa época o

amigo falta enlouquecer e também endoidar os funcionários, Henrique todos

os anos volta à cidade para ajudar o sócio e garantir que ele não demita a

metade deles... Como Ana, por exemplo.

— Primeiramente o meu nome é Ana, senhor e segundo que é a sétima vez

que o senhor Alcântara tenta lhe contatar, — insiste ela tentando explicar.

— Inventa uma desculpa e diga que eu retornarei a ligação assim que

possível.

— Ele está aguardando esse retorno há cinco dias, senhor.

Ana, a secretária. Trinta e três anos de pura bondade, sabedoria e paciência.

Bom! A sua paciência está sendo aos poucos abalada, coitada. Há cerca de

oito anos Ana passa por maus bocados na mão do chefe metido a magnata e

ela só suporta as humilhações por extrema necessidade. Recém-casada, ela

precisa ajudar o marido a quitar a casa própria e os gastos com a reforma e

as mobílias da casa nova. Isso até o marido ser promovido a gerente do hotel

concorrente e ela poder pedir demissão. A melhor época do ano para ela é

no verão, quando, como agora, Henrique toma as rédeas do hotel e ameniza a

pressão.

— Diga que em cinco minutos eu retornarei a ligação, Ana. Pode se

retirar e obrigado.

— Sim, senhor Henrique! Eu quem agradeço. Com licença!

Assim que Ana fecha a porta, Aislan fecha a pasta ao qual fingia analisar e

relaxa o corpo na luxuosa ⁹cadeira presidencial.

— Deus! Eu vou enlouquecer!

— Você clamando por Deus, Aislan?

— Força do hábito! Cara, tá foda!

— Como todos os outros verões. Relaxa sócio e meu amigo. Sempre

sobrevivemos às baixas temporadas e esse ano não será diferente.

— Eu sei, eu sei, mas o problema é que esse ano não é apenas a baixa

temporada que me preocupa. A Bruna vai se casar e a dona Rute resolveu

que vai aproveitar o embalo e vai se casar novamente. De novo cara, de

novo.

— Deixa a sua mãe ser feliz. O último casamento lhe causou muito

sofrimento e creio eu que até mais do que com o seu pai. Ela está

tentando... Você deveria tentar também.

— Eu? Euzinho me casar? Deus me livre! Dispenso o teu conselho.

— Clamou a Deus de novo.

— Dane-se! Já falei que é força do hábito. Preciso desenhar?

— Ok! Ok! Tá certo! Não está mais aqui quem falou.

— Obrigado!

— Relaxa parceiro. Toma aqui!

Henrique retira um carnê do bolso de dentro do paletó e oferece a Aislan

que toma o segundo gole do uísque importado antes de tomar o carnê em

mãos.

— O que é isso? A quebra do contrato?

— Você só pode estar enlouquecendo mesmo.

— Não! Isso é uma passagem de ida e volta para Natal, Rio Grande do

Norte!

— Presente antecipado de casamento para a minha irmã?

— Não! Presente de férias para você!

— Querido Henrique. Pelo fato de nos conhecermos desde crianças, de

termos estudado e crescermos juntos, termos criado uma rede de hotelaria

e de nos falarmos todo santo dia, eu creio que você saiba que eu odeio

praia e principalmente... Calor.

— Querido Aislan. Pelo fato de nos conhecermos desde crianças, de

termos estudado e crescermos juntos, termos criado uma rede de hotelaria

e de nos falarmos todo santo dia, eu tenho a absoluta certeza de que você

precisa viver coisas novas, sair desse mundinho e experimentar novos

horizontes.

— Bobagem!

— Bobagem é você ficar aqui nesse escritório trancado assinando cartas

de demissões. Bora! Levanta a bunda daí e vá para casa arrumar as malas.

Seu voo está marcado para amanhã às nove.

— Filho da…

— Ei! Me respeita e respeita a minha mãe. Você vai ficar na casa da

Manu. Ela já providenciou a limpeza da casa, as compras e tudo o que

você vai precisar para essa semana. A passagem de volta está marcada

para segunda-feira às vinte e duas horas.

— Por falar nisso, como ela está? Como vocês estão?

— Bem! Estamos bem! Ela está super empolgada com o término da

faculdade e ainda mais com o desafio de cuidar “sozinha” das pousadas.

Eu confio na competência e habilidade dela. Ela vai se dar bem.

— Eu também acredito que sim, mas vocês não vão completar quatro anos

de casados nesta semana?

— Cinco anos e sim, mas como eu disse ela está tão empolgada para

exercer o seu primeiro trabalho como dona do negócio que aceitou deixar

para comemorarmos quando eu retornar. Fizemos uma festinha para

comemorar o término da faculdade e isso já a deixou feliz.

— Eu acho isso estranho. Você poderia ter adiado essas viagens. Não será

fácil uma novata lidar com a alta temporada na pousada.

— Mulheres! Você sabe como são teimosas.

— E eu também sou. Agradeço a sua preocupação quanto a mim, mas eu

vou negar o seu presente.

— De maneira alguma. Depois de tanto trabalho? A Manu vai te odiar se

você não for.

— Que merda!

— Cara, para de reclamar! Vai curtir a vida.

— Curtir o que sozinho? É claro que eu levaria o Skoob, mas se for para

ficar trancado em casa com o meu cachorro eu fico no meu apartamento

mesmo.

— Meu! Natal! Verão! Alta temporada! Mulheres! Você só vai ficar sozinho

se quiser.

— Odeio o verão!

— E eu não sei como os seus funcionários te suportam.

— Eu não sou tão ruim assim. Até dei um presente de casamento para a

Cláudia.

Ana bate na porta e gentilmente Henrique a manda entrar.

— Senhor, só para lembrar que já se passaram os cinco minutos. E senhor

Aislan, o meu nome é Ana. Ana!

— Pode fazer a ligação... E Ana, o Aislan me contou que te deu um

presente de casamento. Posso saber que presente foi esse?

— Sim! Ele nos deu um faqueiro de 48 peças no valor de R$ 800,00, muito

chique. Quer dizer, chique demais. Eu nem sei quando vou usá-lo, talvez

no Natal, talvez. Eu não sei. A minha família é muito simples e até que eu

queria dar uma big festa lá em casa para comemorar o casamento, mas

não estamos em condições financeiras... Então eu vou deixar guardado...

Quem sabe um dia...

— Não reclama! Cavalo dado não se olha os dentes e se não tem utilidade

pode vender.

— Não senhor Aislan. Eu não vou vender. Presentes são presentes e

presentes não se vendem, nem se doam... Não se jogam fora...

— Exatamente! E presentes não podem ser negados. Levanta essa bunda

daí e aceita o meu presente. Vamos! Eu tenho negócios a tratar. Ana pode

fazer a ligação. Mais uma vez, obrigado.

— Sim senhor e disponha. Com licença.

Ana se retira. Aislan, sem saída, levanta-se dando o lugar para o seu sócio e

não encontrando mais argumentos, junta os seus pertences enquanto Henrique

atende o senhor Alcântara. Antes de sair da sala, Aislan dá um beijo na

cabeça de Henrique que pede um minuto para o senhor Alcântara e tapa a

saída de áudio do telefone.

— Vai nessa, irmão! Divirta-se! E ah... Eu deixei um presente lá pra você.

— Até imagino o que seja, mas eu vou deixar para agradecer depois que

eu voltar. Até mais, irmão e você vai me pagar por isso.

— Faço questão de pagar para ver. Boa viagem!

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