
TE PROMETO...
Capítulo 3
Apenas observo a mulher que amo indo em direção à porta, me deixando.
- Eu te peço só mais uma chance! Lute comigo pelo nosso amor. Imploro com um nó em minha garganta.
- Perdi as forças para lutar pelo nosso casamento. Perdi a vontade de me manter ao seu lado, mesmo ainda o amando. Não suporto mais viver assim... Desisto de nós! Desisto de você!
Abre a porta e sai, me deixando de verdade, acabando com tudo que temos.
- Elisa!
Corro até a porta e a vejo seguir sem olhar para trás. Como pude deixar tudo ruir assim? Como pude perder a coisa mais importante da minha vida, a mulher que amo, por causa de uma ambição?
- Eu te amo! Por favor!
Ela se quer vira para mim e entra no elevador, indo embora da minha vida. A vontade de chorar me sufoca. Não! Meu casamento não acabou! Ela disse que ainda me amava e a isso que vou me segurar para trazê-la de volta pra minha vida. Preciso arrumar a merda toda que fiz. Meu celular começa a tocar e corro para atender. Pode ser ela!
- Elisa!
Atendo sem ver quem é!
- Sr. Bacchi!
- Sim!
Respondo me acalmando, pois não sei quem é.
- O Sr. Pontes gostaria de vê-lo ainda hoje, se possível essa manhã.
É a secretária do sócio majoritário da empresa. O homem que segura em suas mãos o poder de me tornar um dos sócios minoritários. Mas eu realmente não estou me importando com isso agora. Elisa é minha prioridade.
- Infelizmente hoje estou com problemas pessoais para resolver. Estava me preparando para avisar minha secretária que hoje não irei trabalhar.
A secretária fica em silêncio e não tenho tempo a perder. Ando em direção ao quarto para me arrumar. Elisa só pode ir para um lugar, a casa da irmã dela.
- O Sr. Pontes deseja vê-lo hoje!
A secretária informa com um tom de voz mais firme.
- Aguardamos o senhor ás 9h, tenha um bom dia!
Desliga sem me deixar responder e sei que seria um grande erro contra os meus planos, deixar de comparecer neste chamado. O Sr. Pontes nunca convoca uma reunião, se o motivo não for realmente de suma importância. Pode ser que eu tenha conseguido me tornar sócio minoritário e isso resolveria metade dos meus problemas.
Isso significaria que toda a correria acabou e que Elisa pode contar comigo agora, com a minha atenção. Corro para o banho e decido ir a reunião com o Sr. Pontes. Saio de lá sendo sócio e corro para a minha Elisa. Ela vai ficar feliz por mim, por nós e entender que tudo que fiz foi pelo nosso futuro. Vai aceitar voltar pra mim e lhe direi que nunca mais, nada ficará a frente dela na minha vida.
********
Chego na empresa e antes de subir para o andar da Presidência, ligo para Elisa. Talvez um jantar a dois seja necessário para ao menos conversarmos sobre isso tudo. O telefone chama sem parar, mas ninguém atende.
- Oi, é a Elisa! Deixe seu recado.
Desligo e tento novamente. Impaciente, olho o relógio e já são quase 9h. Nada dela atender e cai a ligação na caixa de mensagem. Depois da reunião tento novamente. Corro para o elevador e antes que se fechem as portas, entro nele.
- Vitor!
- Aline!
Cumprimento sem muita empolgação a filha do Sr. Pontes. Vejo que ela vai para o andar da Presidência. Trabalha na empresa, mas nunca aparece a não ser para pedir dinheiro ao pai. Mais dinheiro, já que recebe um salário muito alto.
- Você parece triste!
Comenta se aproximando.
- Dia difícil.
Evito olha-la e mantenho meus olhos na tela do elevador que mostra os números dos andares.
- Quer conversar? Tomar um café comigo!
Olho para a bela loira ao meu lado. Aline é alta, tem um belo corpo, olhos incrivelmente verdes, parece uma boneca Barbie.
- Não tenho tempo para conversar! Vou falar com seu pai e ir ver minha mulher.
- Ah!
Sorri sem graça e sei que possui segundas intenções. A verdade é que ela sempre tenta seduzir funcionários em foco de ascensão na empresa. Como se me deitar com ela me rendesse a certeza de promoção. No meu caso virar sócio minoritário. Só que eu amo demais a minha Elisa para fazer isso. Nunca faria isso com nosso amor, com a mulher da minha vida. Ninguém nunca a substituirá. Serei fiel até o ultimo dia da minha vida. Chegamos no andar da Presidência e dou espaço para que saia primeiro do elevador.
- Obrigada!
Anda em direção a recepção.
- Srta. Pontes!
- Kelly, gostaria de ver meu pai.
- Só um instante!
A secretária liga para a sala do Sr. Pontes, enquanto espero no canto.
- Srta. Pontes deseja vê-lo!
Aline sorri para mim, enquanto espera resposta da secretária.
- Sim, senhor!
Kelly desliga e sorri de forma gentil para Aline.
- Quer que a acompanhe?
- Não será preciso! Obrigada!
Aline segue rumo a sala do Sr. Pontes e Kelly me olha sem a mesma educação que antes habitava em seu corpo.
- O Sr. Pontes lhe atenderá em seguida!
- Obrigado!
Sorri sem vontade para mim e volta seus olhos para seu computador. Ando em direção as poltronas e sento em uma. Decido ligar novamente para Elisa. Disco e fecho meus olhos, esperando que ela me atenda. Novamente caixa postal. Começo a temer que ela não esteja bem. Será que foi mesmo para a casa da irmã dela? Olho meu relógio e já são 9:15h. Aline não deve ser rápida nessa visita. Vou ligar para a casa da irmã de Elisa. Procuro o número na agenda do celular e assim que encontro, ligo e espero. Chama uma, duas, três vezes e meu coração parece que vai sair pela boca.
- Alô!
- Deise?
- O que você quer?
A voz brava da irmã de Elisa me diz que sabe o que aconteceu.
- Preciso falar com a minha mulher.
- Ex-mulher! Que eu saiba, minha irmã te deixou.
- Eu sei que ela está na sua casa, me deixe falar com a Elisa.
- Ela não quer falar com você. A verdade é que Elisa não quer nunca mais te ver.
Posso escutar um choro de fundo e sei que é da minha mulher.
- Pela felicidade da sua irmã, por amor que tem a ela. Me deixe conversar com a Elisa e resolver nossas vidas. Ela me ama e eu a amo mais que tudo. Seremos infelizes separados.
- Ela sabe como é viver sem você. Faz tempo que deixou de viver com a minha irmã. Elisa só concretizou o que já acontecia. Ela sem você no mundo.
- Por favor!
Peço quase implorando.
- Me deixa falar com ele.
Escuto Elisa dizer e suspiro aliviado.
- Tem certeza?
- Não, mas sei que é preciso!
A escuto fungar e respirar fundo.
- O que você quer, Vitor?
- Quero você de volta!
Fica em silêncio e isso me parte o coração.
- Te quero de novo na minha vida, porque de nada adianta estar nesse mundo sem você.
Elisa solta um soluço de dor e volta a chorar.
- Janta comigo hoje?
Novamente fica em silêncio.
- Sr. Bacchi!
Kelly me chama e olho pra ela.
- Sr. Pontes o aguarda na sala.
- Só um minuto!
- Ele não vai esperar um minuto!
Fecho meus olhos e tento não surtar com toda a pressão que está acontecendo agora.
- Elisa, preciso entrar em uma reunião urgente. Assim que terminar, te ligo e combinamos nosso jantar pra hoje.
- Eu sempre serei a segunda opção. Adeus, Vitor!
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