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Capa do romance Tarde Demais Para Sua Proposta

Tarde Demais Para Sua Proposta

Caio ignorou o ultimato de sua namorada para viajar com Bruna, uma amiga manipuladora. Enquanto ele se divertia e curtia fotos que zombavam dela, a protagonista sofria uma hemorragia estomacal por estresse. No hospital, ao ver o desprezo dele, seu amor esfriou. Quando Caio retornou com uma proposta de casamento e uma joia, encontrou apenas caixas prontas para a mudança. Ela finalmente escolheu o fim, provando que o pedido dele chegou tarde demais.
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Capítulo 2

POV Ellie:

"A gente terminou", repeti, minha voz firme, as palavras ecoando no apartamento subitamente silencioso. Caio piscou, o queixo caído. O sorriso triunfante da Bruna vacilou, substituído por um lampejo de irritação. Eles não esperavam por isso. Eles esperavam lágrimas, discussões, um apelo desesperado por reconciliação. Eles esperavam a antiga Ellie.

"Você esqueceu o que eu te disse?", continuei, saindo das sombras, minha presença agora inegável. "Se você fosse naquela viagem de esqui com a Bruna neste fim de semana, a gente terminava. Essas foram minhas palavras exatas."

Os olhos do Caio dispararam pelo cômodo, evitando meu olhar, um sinal revelador de seu desconforto. Ele sabia. Ele sabia perfeitamente. Ele só nunca pensou que eu cumpriria.

"Não venha chorando pra mim quando estiver sozinha", imitei suas palavras exatas, aquelas que ele gritou para mim, o rosto contorcido de raiva, pouco antes de sair pela porta para sua "viagem de caras". Minha voz era leve, um contraste gritante com o veneno por trás da memória.

De repente, Caio soltou um rugido primitivo, seu punho batendo na pequena mesa lateral ao lado dele. O folheado barato se estilhaçou, e uma pequena luminária de cerâmica tombou, caindo no chão em uma chuva de cacos de porcelana.

Bruna gritou, um som agudo e penetrante que cortou a tensão. "Caio! Sua mão!" Ela correu para o lado dele, cuidando de seus nós dos dedos, que já estavam ficando vermelhos. "Meu Deus, olha o que você fez, Ellie! Ele tá machucado!"

Ela me fuzilou com o olhar, seus olhos estreitos e acusadores. "Sua vadia egoísta! Como você pôde fazer isso com ele? Depois de tudo que ele planejou? Ele ia te pedir em casamento, sua vaca ingrata!"

Minha respiração falhou. Um pedido de casamento? As palavras pairaram no ar, pesadas e absurdas.

Caio, ainda segurando a mão, olhou para Bruna, sua raiva momentaneamente subjugada por sua demonstração de preocupação. "Bruna, não, não-"

"Não, Caio, ela precisa saber!", Bruna o interrompeu, sua voz subindo em um crescendo teatral. "Ele comprou aquela pulseira da Vivara que você estava babando! Ele ia te pedir em casamento hoje à noite! E você simplesmente... você simplesmente empacotou as caixas dele e o expulsou? Como você pôde ser tão cruel?"

Ela apontou um dedo dramático para a luminária quebrada. "Olha! Ele está de coração partido! Ele te ama, Ellie! Ele ia te fazer sua esposa!"

Os olhos do Caio, agora inchados com o que parecia suspeitosamente com autopiedade, encontraram os meus. "Ela tá certa, Ellie", ele murmurou, a voz rouca. Ele enfiou a mão no bolso, tirando a pequena caixa de veludo da Vivara. Ele a abriu, revelando a delicada pulseira de prata aninhada lá dentro. "Isso era pra você. Eu ia te pedir hoje à noite."

Ele deu um passo em minha direção, a caixa estendida. "Ellie, por favor. Não vamos fazer isso. Você tá chateada, eu entendo. Mas a gente pode consertar isso. Você sabe que eu te amo. Deixa eu colocar isso em você." Ele tentou pegar meu pulso.

Recuei como se estivesse queimada. A pulseira, antes um símbolo dos meus desejos mais profundos, agora parecia uma algema.

Bruna zombou, um som baixo e gutural. "Patético. Mesmo depois de tudo isso, você ainda o quer?" Seus olhos brilharam com malícia. "Algumas mulheres simplesmente não sabem reconhecer uma coisa boa quando a têm."

A súbita declaração de um pedido de casamento, o brilho da pulseira, era tudo demais. Minha mente girou, me puxando de volta para aquela discussão final e fatídica. Não foi há uma semana, não realmente. Parecia uma vida inteira.

Flashback:

"Caio, me escuta", eu tinha implorado, parada no corredor apertado, bloqueando sua saída. "Eu não aguento mais isso. Essa 'amizade' com a Bruna? Não é uma amizade. É uma invasão constante. Ela está sempre lá, sempre nos minando sutilmente, sempre fazendo piadas às minhas custas que você simplesmente ignora."

Ele estava vestindo sua jaqueta de esqui, de costas para mim. "Ellie, você tá sendo ridícula. A Bruna é minha amiga. A gente se conhece desde a faculdade. Você só tá com ciúmes."

"Ciúmes?", minha voz tinha falhado, a dor queimando em meu peito. "É ciúme quando sua namorada te pede para estabelecer limites com uma mulher que flerta constantemente com você, que posta fotos sugestivas com você, que claramente quer mais?"

Ele finalmente se virou, o rosto tenso de aborrecimento. "Ela não quer! Você tá imaginando coisas! E mesmo que quisesse, qual o problema? Eu tô com você!" Ele não parecia convencido.

"Então prove", eu disse, minha voz perigosamente baixa. Era isso. A linha na areia. "Aquela viagem de esqui neste fim de semana. Com a Bruna. Com ela e os amigos dela que acham tudo isso hilário. Se você for nessa viagem, Caio, a gente termina. É sério desta vez. Isso não é uma ameaça. É um ultimato."

Ele me encarou, seus olhos frios. Um compasso de silêncio se estendeu entre nós, denso de palavras não ditas, de anos de ressentimento não dito. Eu prendi a respiração, implorando com os olhos para que ele me escolhesse. Para que ele finalmente nos escolhesse.

Seu celular vibrou na mão, uma mensagem de texto da Bruna, sem dúvida o incentivando, dizendo para ele não ser "mandado". Eu quase podia ouvir a voz dela, um sussurro minúsculo e insidioso em seu ouvido.

Ele soltou uma risada curta e amarga. "Tá bom!", ele gritou, as palavras rasgando o fio frágil do nosso relacionamento. "Vai em frente! Não venha chorando pra mim quando estiver sozinha!"

E então ele saiu, batendo a porta atrás de si, me deixando sozinha no silêncio súbito e ecoante.

Fim do Flashback.

De volta ao presente, Caio ainda segurava a caixa da Vivara, seus olhos suplicantes, sua voz grossa com um remorso falso. "Ellie, por favor. Eu errei. Eu sei que errei. Mas a gente pode consertar isso. Apenas pegue a pulseira. Deixa eu colocar em você. A gente pode esquecer tudo isso, ok?"

Ele se aproximou, tentando enfiar a pulseira no meu pulso. Eu puxei meu braço, batendo em uma de suas caixas embaladas. A caixa se moveu, revelando um vislumbre de seu moletom surrado da faculdade, uma relíquia de um passado que nunca revisitaríamos. Era um lembrete tangível de tudo que eu estava finalmente deixando para trás.

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