Capa do romance Tarde Demais Para Sua Proposta

Tarde Demais Para Sua Proposta

8.6 / 10.0
Caio ignorou o ultimato de sua namorada para viajar com Bruna, uma amiga manipuladora. Enquanto ele se divertia e curtia fotos que zombavam dela, a protagonista sofria uma hemorragia estomacal por estresse. No hospital, ao ver o desprezo dele, seu amor esfriou. Quando Caio retornou com uma proposta de casamento e uma joia, encontrou apenas caixas prontas para a mudança. Ela finalmente escolheu o fim, provando que o pedido dele chegou tarde demais.

Tarde Demais Para Sua Proposta Capítulo 1

Meu namorado, o Caio, escolheu ir esquiar com sua "melhor amiga" manipuladora, a Bruna, depois que eu dei um ultimato. "Se você for, a gente termina", eu avisei. Ele apenas riu e me disse para não ir chorando atrás dele quando eu ficasse sozinha.

Mas enquanto ele estava fora, o estresse do seu silêncio e das postagens provocadoras da Bruna no Instagram me levaram para o hospital com uma úlcera estomacal sangrando.

Deitada em uma cama de pronto-socorro, ligada a um soro, eu o vi curtindo as postagens dela — fotos deles parecendo um casal feliz, com legendas zombando de mim. Ele não estava apenas ignorando minha dor; ele estava ativamente endossando-a.

Naquele quarto estéril, algo dentro de mim não apenas se quebrou; congelou. Os anos implorando por seu afeto, lutando por sua atenção, simplesmente evaporaram.

Então, quando ele voltou para casa esperando seu jantar favorito, eu tinha uma surpresa para ele.

"A gente terminou", eu disse, apontando para as caixas de mudança que continham cada vestígio dele.

Ele tirou uma pulseira da Vivara, alegando que ia me pedir em casamento. Mas era tarde demais. Eu já tinha chamado a transportadora.

Capítulo 1

POV Ellie:

A mensagem brilhou na minha tela, uma piada cruel embrulhada em uma caixa azul-turquesa. Era a foto da pulseira que eu sempre quis, aquela que eu apontei em todas as vitrines da Rua Oscar Freire no último ano, apenas para ser recebida com um encolher de ombros indiferente do Caio.

"Tô indo praí pra jantar. Espero que esteja pronto", dizia a mensagem, como se fosse um decreto real.

Meu coração não se apertou, não como costumava. Apenas zumbiu, um som baixo e constante.

Era quase engraçado, o descaramento dele. Ele tinha adicionado casualmente: "Ah, e a Bruna vai com a gente."

Bruna. Sempre a Bruna. Ela era a sombra que se agarrava ao nosso relacionamento, um zumbido constante e irritante no fundo que finalmente se transformou em um rugido ensurdecedor.

Então veio a próxima mensagem, uma separada, porque o Caio sempre tinha que exercer aquele pingo extra de controle. "Faz meu prato favorito, você sabe qual é. Não me decepcione."

Antes que eu pudesse processar a audácia, a ligação que sem dúvida levou a essas mensagens foi desligada. Sem um adeus. Sem uma confirmação. Apenas um clique, cortando a conexão, me deixando no vácuo.

Mas eu não estava mais no vácuo. Eu estava de pé no meio da nossa sala de estar, o cheiro de papelão novo e fita adesiva substituindo o aroma persistente de seu perfume. Seus pertences, meticulosamente separados e dobrados, enchiam meia dúzia de caixas de mudança. Cada uma estava etiquetada com o nome dele em letras grandes e pretas. Isso não era um jogo. Isso era real.

Um sorriso pequeno e amargo tocou meus lábios. "Você esqueceu?", digitei, anexando uma foto das caixas empilhadas. "A gente terminou."

Eu apertei enviar. Nenhuma resposta. Apenas o silêncio irritante e autoconfiante que eu passei a desprezar.

Continuei a embalar os últimos itens do armário do banheiro, sua escova de dentes, seu creme de barbear raramente usado, em uma caixa menor. Cada movimento era deliberado, sem pressa. Não havia tremor em minhas mãos, nem agitação no meu peito. Apenas um foco silencioso e determinado.

O sol havia se posto, pintando as janelas em tons de roxo machucado e azul profundo. Eu não me dei ao trabalho de acender as luzes. O apartamento, antes cheio do calor de risadas compartilhadas e discussões acaloradas ocasionais, parecia vasto e vazio na penumbra crescente. Era um espaço que eu estava reconquistando, uma caixa de cada vez.

Então, o tilintar familiar de chaves na fechadura. Seguido por uma explosão de conversa animada, duas vozes, uma grave e ressonante, a outra aguda e tilintante, ecoando no corredor.

A risada da Bruna soou, um pouco alta demais, um pouco perto demais. "Ah, Caio, você é um terror! Para com isso!"

Ouvi o som distinto de um empurrão brincalhão, seguido pelo gemido divertido do Caio. Era a intimidade fácil de duas pessoas que conheciam a linguagem corporal uma da outra, que haviam compartilhado inúmeras piadas internas. Fiquei parada, misturando-me às sombras, uma testemunha de uma cena que eu já havia ensaiado mentalmente mil vezes.

"Vem, bonitão, vamos entrar", Bruna ronronou, sua voz pingando uma afeição exagerada que revirou meu estômago. "Sua pobre Ellie provavelmente passou o dia todo se matando na cozinha para sua majestade real."

Um cheiro fraco de perfume barato, a marca registrada da Bruna, entrou pela fresta da porta. Eu quase podia imaginá-la, encostada nele, sua mão provavelmente descansando em seu braço, seus olhos brilhando com falsa adoração.

Caio riu, um som que costumava fazer meu coração palpitar, agora apenas uma pontada surda de reconhecimento. "É bom que tenha feito. Tô morrendo de fome."

Sua voz estava carregada de uma arrogância casual, assumindo minha obediência, minha presença inabalável. Era o mesmo tom que ele usava quando esperava suas roupas passadas, seu café feito, cada capricho seu atendido.

Respirei fundo, o ar denso de antecipação. O momento havia chegado.

"Ellie?", a voz do Caio flutuou pelo apartamento, uma pergunta tingida de impaciência. "Amor, você tá aí? Por que tá tudo escuro?"

Houve um clique, e a sala de estar foi subitamente banhada pelo brilho forte e impiedoso da luz do teto. Caio estava parado na porta, uma leve carranca no rosto, Bruna um pouco perto demais atrás dele, o braço ainda entrelaçado no dele.

Seus olhos percorreram o cômodo, saltando das caixas empilhadas para os espaços vazios onde seus pertences costumavam estar. A carranca se aprofundou, a confusão nublando suas feições.

"Que porra é essa?", ele exigiu, sua voz afiada de descrença. Ele gesticulou descontroladamente para as caixas, como se tivessem se materializado do nada. "Por que você empacotou todas as minhas coisas?"

Antes que eu pudesse responder, seu olhar pousou em mim, parada silenciosamente perto do balcão da cozinha, meu rosto desprovido de emoção. Sua confusão rapidamente se transformou em raiva.

"E cadê o jantar?", ele latiu, entrando mais no cômodo, seus olhos em chamas. "Eu te avisei que vinha, e tô morrendo de fome! Que tipo de recepção é essa?"

Ele não esperou por uma resposta, seus olhos já varrendo a cozinha. Ele abriu a porta da geladeira com um puxão, olhando para dentro com uma indignação quase teatral. A geladeira estava vazia, exceto por meus poucos itens pessoais.

"Você tá falando sério?", ele rugiu, virando-se para mim. "Não tem nada aqui! Nem uma pizza congelada?"

Bruna, sempre a oportunista, deu um passo à frente, sua mão tocando gentilmente o braço do Caio. Sua expressão era uma aula de falsa preocupação, seus olhos arregalados com uma simpatia fabricada. "Ah, Caio, amor, calma. Talvez a Ellie só teve um dia longo. Ela provavelmente esqueceu." Ela se virou para mim, sua voz doce como veneno. "Ellie, querida, tá tudo bem? Você sabe o quanto o Caio estava ansioso por isso. Ele estava até planejando uma surpresa especial, não é, docinho?"

Ela apertou o braço dele, seus olhos lançando um desafio triunfante para mim. Caio se mexeu desconfortavelmente, sua raiva momentaneamente esvaziada pela intervenção súbita da Bruna.

Meu olhar oscilou entre eles, uma clareza fria se instalando sobre mim. A performance era patética, quase risível.

Dei um passo à frente, minha voz calma, uniforme. "Não tem jantar, Caio, porque a gente terminou." Apontei para as caixas. "E essas são suas coisas. Você precisa levar."

Minha voz era monótona, desprovida da emoção que ele provavelmente esperava, das lágrimas com as quais estava acostumado. Estendi a mão, meus dedos roçando a caixa de cima, um gesto simbólico de finalidade. Era isso. O fim de um capítulo muito longo e muito doloroso.

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