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Capa do romance Tarde Demais para o Arrependimento do Meu CEO

Tarde Demais para o Arrependimento do Meu CEO

Pontes Vasconcelos, meu ex-namorado bilionário, agora é o CEO implacável da empresa onde trabalho. Ele acredita que o abandonei por luxo, mas sou uma mãe solo lutando pela saúde da minha filha. Após ser acusada injustamente de sabotar dados financeiros, recebo um ultimato cruel que ameaça meu sustento. Ele ignora que sou a artista Zephyr, que ele tanto deseja contratar. Sem implorar, usarei minhas habilidades para provar minha inocência e virar o jogo contra ele.
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Capítulo 2

Gracia conseguiu voltar para seu cubículo, mas suas mãos tremiam tanto que ela derrubou sua caneca de café.

O líquido escuro se espalhou pela sua mesa, encharcando o canto de um relatório trimestral.

"Droga", ela sibilou, pegando um punhado de toalhas de papel ásperas e marrons do dispensador. Ela limpava a bagunça freneticamente. O cheiro de café barato e queimado preencheu o pequeno espaço, deixando-a enjoada.

"Hipoglicemia?", Tess perguntou, inclinando-se sobre a divisória com um pacote de lenços umedecidos.

"Algo assim", Gracia mentiu. Ela pegou os lenços, seus dedos roçando a mão quente de Tess. "Obrigada."

Ela esfregou a mesa, tentando apagar a imagem dos olhos frios de Bridger. Era impossível.

A tela do seu computador piscou. Uma notificação apareceu no canto.

De: Gabinete do CEO.

Assunto: Atualização sobre a Reestruturação.

Gracia encarou o nome do remetente. Bridger Jennings. As letras pareciam queimar os pixels.

Sua mente voltou no tempo. Cinco anos atrás.

As folhas caíam nas margens do Charles River. O ar estava fresco, com cheiro de fumaça de lenha e livros antigos. Bridger a abraçava, puxando-a para dentro de seu casaco.

"Eles podem me cortar da herança", ele havia dito, com a voz intensa. "Eu não me importo com o fundo fiduciário, Gracia. Eu me importo com você. Nós vamos dar um jeito."

Ela havia acreditado nele. Ela era jovem e estúpida, e tão apaixonada que parecia estar se afogando.

Então veio a chuva. A discussão final. As palavras cruéis que ele atirou nela como pedras, palavras que ecoaram em sua mente por anos. "Talvez você não valha a pena a luta, Gracia. Talvez você seja apenas uma bolsista, no final das contas." A lembrança era uma ferida recente, aguda e sangrando.

Gracia bateu a tampa do laptop com força. O som ecoou no escritório silencioso.

Ela pressionou a base das mãos contra os olhos até ver estrelas. Aquele garoto estava morto. O homem no andar de cima era um estranho que via as pessoas como itens em uma planilha.

"Maxwell!"

A voz ríspida de sua gerente, Brenda, a trouxe de volta à realidade. Brenda largou uma pilha de arquivos na mesa molhada de Gracia.

"Entrada de dados. Os arquivos da fusão. Preciso deles digitalizados até amanhã de manhã."

Gracia olhou para a pilha. Eram horas de trabalho. Um trabalho entorpecente e repetitivo.

"Brenda, eu tenho que buscar minha filha às seis", disse Gracia, com a voz tensa.

"E todos nós temos que fazer sacrifícios para manter nossos empregos neste clima", disse Brenda, sem nem mesmo olhar para ela. "Faça, ou eu encontrarei alguém que faça."

Gracia engoliu o protesto. Ela pensou nas contas médicas. Ela puxou a pilha para mais perto.

Trinta e dois andares acima, o ar era filtrado e perfumado com sândalo.

Bridger Jennings estava parado na janela, olhando para as formigas que rastejavam pela calçada. Ele segurava um copo de cristal com água, seu aperto forte o suficiente para ameaçar o vidro.

"A lista do Marketing", disse ele, sem se virar.

Sloane, sua assistente executiva, tocou em seu tablet. "Está pronta, senhor. Identificamos os dez por cento com o desempenho mais baixo com base nas métricas de performance."

"Gracia Maxwell está nela?"

Sloane fez uma pausa. Ela deslizou um dedo pela tela. "Sim. Ela está listada para demissão. Sua frequência é irregular, e ela se recusa a fazer horas extras devido a restrições com os cuidados da filha."

Bridger tomou um gole de água. Estava gelada, mas não esfriou o fogo em seu peito.

Restrições com os cuidados da filha.

Então o boato era verdade. Ela tinha uma filha. Ela tinha uma família. A ideia dela com outra pessoa, construindo uma vida, era como uma estaca de gelo em seu estômago. A traição, que havia se transformado em uma dor surda ao longo dos anos, agora parecia recente e viva.

Ele se virou, caminhando até sua enorme mesa de mogno. Ele encarou a superfície lisa e polida, sua mente uma tempestade de ressentimento. Ele se lembrava do silêncio. Das chamadas bloqueadas. Do jeito que ela desapareceu sem dizer uma palavra, apenas para ele ouvir que ela havia se casado com um zé-ninguém dois meses depois.

Ele bateu a palma da mão na mesa, o som um baque surdo no escritório silencioso.

"Tire-a da lista", disse Bridger.

Sloane piscou, sua máscara profissional escorregando por um segundo. "Senhor?"

"Você me ouviu. Mantenha-a."

"Mas as métricas dela..."

"Eu não me importo com as métricas dela", disse Bridger, sua voz baixando para uma oitava perigosa. "Eu tenho um uso para ela."

Ele a queria aqui. Ele a queria perto o suficiente para ver o erro que ela cometeu. Ele queria ver o arrependimento em seus olhos quando ela percebesse o que havia abandonado.

"E Sloane", Bridger acrescentou enquanto sua assistente se virava para sair. "Certifique-se de que ela saiba que sobreviveu. Eu a quero grata."

Lá embaixo no cubículo, o telefone de Gracia vibrou.

Birdie: Mamãe, a vovó disse que os comprimidos azuis estão quase acabando.

Gracia checou o aplicativo do seu banco. O saldo era de três dígitos. Três dígitos baixos.

Ela olhou para a pilha de arquivos que Brenda havia deixado. Hora extra significava pagamento de cinquenta por cento a mais. Significava dinheiro para o jantar. Significava comprimidos.

Ela abriu o laptop novamente. A luz da tela era a única coisa que iluminava seu rosto enquanto o resto do escritório escurecia.

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