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Capa do romance Tarde Demais para o Arrependimento do Meu CEO

Tarde Demais para o Arrependimento do Meu CEO

Pontes Vasconcelos, meu ex-namorado bilionário, agora é o CEO implacável da empresa onde trabalho. Ele acredita que o abandonei por luxo, mas sou uma mãe solo lutando pela saúde da minha filha. Após ser acusada injustamente de sabotar dados financeiros, recebo um ultimato cruel que ameaça meu sustento. Ele ignora que sou a artista Zephyr, que ele tanto deseja contratar. Sem implorar, usarei minhas habilidades para provar minha inocência e virar o jogo contra ele.
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Capítulo 3

Na manhã seguinte, o escritório parecia diferente. O ar estava mais rarefeito, carregado com a estática da sobrevivência. As pessoas que não foram demitidas andavam de cabeça baixa, culpadas e aliviadas.

Bridger estava sentado em seu escritório, com a porta fechada. Sobre sua mesa, havia uma única pasta manila.

Arquivo Pessoal: Gracia Maxwell.

Ele a abriu. Seus olhos passaram por cima da formação dela — ele sabia que ela era brilhante — e pousaram na seção de dados pessoais.

Estado Civil: Casada.

A palavra estava digitada na fonte Arial padrão, mas parecia uma cicatriz irregular.

Casada.

Bridger sentiu um gosto amargo na boca. Ele percorreu o arquivo com os olhos até o contato de emergência.

Contato de Emergência: Martha Maxwell (Mãe).

Ele franziu a testa. Por que não o marido?

Ele olhou o histórico salarial dela. Era patético. Ela ganhava pouco mais que um salário de iniciante, apesar de estar aqui há três anos.

"Era isso que você queria, Gracia?", ele sussurrou para a sala vazia. "Você me deixou por isso?"

Ele havia imaginado que ela o deixara por alguém com mais liberdade, alguém que não fosse sobrecarregado por um legado. Ele havia imaginado uma vida boêmia, pintando em Paris.

Em vez disso, ela estava ralando com dados em um cubículo, casada com um fantasma que nem sequer estava listado como seu contato de emergência.

Bridger apertou o botão do interfone. "Passe para o RH."

Cinco minutos depois, o Diretor de RH estava na linha, parecendo apavorado.

"A verificação de antecedentes da Maxwell", disse Bridger, indo direto ao ponto. "Algo incomum?"

"Não, Sr. Jennings. Ficha limpa. Ela pediu um adiantamento de salário há seis meses. Solicitação por dificuldade. Negado conforme a política."

Bridger desligou.

Dificuldade.

Ela estava passando por dificuldades. O marido era um inútil.

Ele se levantou e abotoou o paletó. Precisava ver. Precisava ver a realidade da vida dela de perto, para matar a fantasia persistente da garota na biblioteca.

Ele saiu de seu escritório, ignorando a tentativa de Sloane de lhe entregar uma agenda. Ele pegou o elevador até o 12º andar.

O andar de marketing estava silencioso. Bridger caminhou pelas fileiras de cubículos. Cabeças se viraram bruscamente. Olhos se arregalaram. Ele ignorou a todos.

Ele encontrou a copa.

Gracia estava lá. De pé, ao lado do dispenser de água quente, mergulhando um saquinho de chá em uma caneca que tinha uma lasca na borda.

Ela parecia cansada. Havia olheiras sob seus olhos que a maquiagem não conseguia esconder. Seu blazer era um número maior, os punhos desfiados.

Ela estava ouvindo a fofoca de outras duas mulheres.

"Você viu ele?", uma mulher sussurrou. "Meu Deus, ele é lindo. Eu deixaria ele me demitir se fizesse isso pessoalmente."

Gracia encarou seu chá. "Não consegui ver direito", ela murmurou.

Bridger apareceu na entrada.

"Talvez você precise de óculos", disse ele.

O ambiente congelou. As duas mulheres fofoqueiras ficaram pálidas e praticamente se fundiram aos armários.

As costas de Gracia enrijeceram. Ela se virou lentamente, agarrando a caneca com as duas mãos.

"Sr. Jennings", disse ela. Sua voz estava firme, mas ele viu o pulso saltar em sua garganta.

Bridger passou por ela e foi até a máquina de café. Era uma máquina de expresso de alta qualidade, reservada para a gerência, mas ninguém iria impedi-lo. Ele selecionou uma torra escura. A máquina zuniu, moendo os grãos.

O cheiro de café fresco preencheu o espaço, sobrepondo-se ao aroma do chá barato de Gracia.

Ele se encostou no balcão, cruzando os tornozelos. Ele a mediu de cima a baixo, demorando o olhar em seus sapatos arranhados.

"O café deste andar é péssimo", disse ele.

"É de graça", respondeu Gracia, erguendo levemente o queixo.

"Você recebe pelo que paga", disse Bridger. Ele pegou sua xícara. Deu um passo em direção a ela, invadindo seu espaço pessoal. Ele podia sentir o cheiro dela — baunilha e chuva. Era o mesmo aroma. Isso o fez querer gritar.

Ele se inclinou, baixando a voz para que apenas ela pudesse ouvir.

"Seus padrões caíram muito, Gracia. Em todos os aspectos."

Ele viu o estremecimento. Foi pequeno, um apertar de olhos, mas estava lá.

"Meus padrões estão ótimos", ela sussurrou de volta.

"Estão mesmo?" Ele olhou para o dedo anelar dela. Ela não usava aliança. "Onde está o marido feliz? Não dá para comprar uma aliança com salário de escriturária?"

Gracia ficou pálida. "Isso não é da sua conta."

"Tudo neste prédio é da minha conta."

Ele se endireitou, tomando um gole de seu café. Olhou para as outras mulheres, que o encaravam em choque.

"Voltem ao trabalho", ele ordenou.

Elas saíram às pressas.

Bridger olhou para Gracia uma última vez. "Você também, Sra. Maxwell."

Ele enfatizou o "Sra." como um insulto.

Ele saiu, deixando-a parada ali com seu chá ralo. Sentiu uma sensação perversa de satisfação, seguida imediatamente por uma onda de ódio por si mesmo.

Ele quis magoá-la. E conseguiu. Então, por que sentia como se fosse ele quem estivesse sangrando?

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