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Capa do romance Tarde Demais Para Implorar: Meu Ex-Marido Frio

Tarde Demais Para Implorar: Meu Ex-Marido Frio

No nono aniversário de casamento, o mafioso Domênico Rezende humilhou Anaís publicamente ao priorizar a amante grávida. Mesmo ciente da condição cardíaca grave da esposa, ele a forçou a uma transfusão de sangue fatal para salvar Jéssica. Abandonada para morrer enquanto o marido consolava a outra, Anaís sobreviveu e decidiu se vingar. Após incendiar a cobertura e fugir para Lisboa, ela deixou provas da crueldade dele, iniciando uma guerra implacável.
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Capítulo 3

Ponto de Vista de Anaís

Acordei com o cheiro enjoativo de lírios.

Eu os detestava. Para mim, eles cheiravam a funerais.

Forçando minhas pálpebras pesadas a se abrirem, percebi que estava deitada em uma suíte de recuperação particular. Meu braço estava enfaixado com uma bandagem grossa, e meu peito doía com uma dor surda e persistente que irradiava pelas minhas costelas.

Domênico estava sentado na poltrona ao lado da cama, navegando distraidamente em seu celular. Ele parecia impecável — recém-saído do banho, cabelo perfeitamente penteado e vestido com um terno novo de carvão.

"Você acordou", disse ele, sem se dar ao trabalho de olhar para cima.

Tentei me levantar, mas o quarto balançou violentamente. Caí de volta nos travesseiros, ofegante.

"O acordo", grasnei, minha garganta parecendo uma lixa. "Você disse... se eu doasse o sangue..."

Domênico finalmente levantou o olhar. Ele se levantou, caminhou até a mesa de cabeceira e ajustou meticulosamente uma pétala no vaso de lírios brancos.

"Eu disse que discutiríamos umas férias, Anaís. Nunca disse que lhe concederia o divórcio", ele respondeu suavemente. "Você é minha esposa. Seu lugar é na cobertura."

Ele colocou o vaso de volta com um clique deliberado.

"Além disso", acrescentou ele, verificando seu relógio Patek Philippe, "você precisa se recuperar. Você está com uma aparência terrível."

Ele caminhou até a porta, a mão na maçaneta.

"Tenho um baile de caridade esta noite. Jéssica está se sentindo muito melhor, graças a você. Ela me acompanhará."

Ele abriu a porta.

"Descanse um pouco. O motorista virá buscá-la pela manhã."

E então ele se foi.

Fiquei ali no silêncio, encarando o teto branco e estéril. Ele havia me drenado para salvá-la, e agora a exibia pela cidade enquanto eu apodrecia em uma cama de hospital.

Estendi a mão para a mesa de cabeceira. Meu celular havia sumido. Domênico devia tê-lo confiscado.

Desesperada, encontrei o telefone do quarto e disquei um número que havia memorizado anos atrás.

Heitor atendeu no primeiro toque.

"Anaís?" Sua voz estava carregada de pânico. "Estou no saguão. A segurança não me deixa subir. Disseram que você estava em estado crítico."

"Estou viva", sussurrei. "Mas preciso sair daqui."

"Estou subindo", disse ele, sua voz endurecendo.

"Não", eu disse rapidamente. "Espere. Preciso voltar para a cobertura uma última vez."

"Por quê?"

"Meu passaporte", eu disse, minha mente acelerada. "E os arquivos. Se eu sair agora, ele vai me caçar. Preciso da vantagem. Preciso dos documentos do cofre."

"Anaís, isso é suicídio."

"Eu tenho que ir, Heitor. Apenas espere pelo meu sinal."

Na manhã seguinte, minha alta foi processada com uma rapidez suspeita. Eu me sentia esvaziada, frágil como vidro soprado.

Domênico estava esperando na entrada do hospital. Mas ele não estava sozinho.

Jéssica estava sentada no banco do passageiro da frente da limusine. Ela estava radiante, sua pele corada de saúde. Ela acenou para mim alegremente pela janela.

Domênico estava ao lado da porta traseira aberta, a impaciência gravada em seu rosto.

"Entre", ele ordenou.

Olhei para o banco da frente, depois de volta para ele.

"Ela enjoa no banco de trás", disse Domênico, dispensando meu olhar com um aceno de mão.

Entrei no banco de trás. Minha bagagem estava empilhada no banco de couro ao meu lado, me deixando espremida no canto como um pensamento tardio.

Enquanto dirigíamos pela cidade, Jéssica pousou a mão na coxa de Domênico. Ele imediatamente cobriu a mão dela com a sua.

"Oh, Dom, olhe", ela cantou, mostrando o celular. "A imprensa amou meu vestido ontem à noite. Estão nos chamando de 'Casal Poderoso do Ano'."

Domênico sorriu para ela — um sorriso genuíno e caloroso. Um que eu não via dirigido a mim há anos.

Silenciosamente, peguei o celular pré-pago que havia escondido no meu sutiã — a única coisa que Domênico não encontrou porque ele nunca mais me tocou.

Abri o Instagram.

Lá estava. Uma foto de Domênico e Jéssica no tapete vermelho. Seu braço estava possessivamente em volta da cintura dela. A legenda dizia: Construindo um legado.

Encarei a tela, minha visão embaçando.

Cinco anos atrás, eu perdi nosso filho com quatro meses de gestação. Liguei para Domênico do hospital, sangrando e apavorada. Ele não atendeu. Estava em uma reunião. Quando finalmente chegou em casa, me disse para parar de chorar, que sempre poderíamos "fazer outro".

Ele nunca postou uma foto nossa. Ele nunca nos chamou de um legado.

Olhei para a nuca dele.

Com os dedos trêmulos, digitei um comentário na postagem sob uma conta falsa.

Que você receba exatamente o que merece.

Bloqueei o celular e o escondi novamente.

Chegamos à cobertura.

"Lar, doce lar", Jéssica cantou.

Olhei para o prédio imponente perfurando o céu. Não era um lar. Era um crematório. E eu estava prestes a acender o fósforo.

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