
Sua Rainha da Máfia, Meu Coração Substituto
Capítulo 3
Ponto de Vista: Isabella
Dante estava bêbado. Não desleixado, mas suas arestas estavam suavizadas, sua máscara de controle escorregando. Ele ergueu seu copo de uísque, o líquido âmbar capturando a luz do lustre.
"A Valentina", disse ele, sua voz ecoando pela mesa de jantar silenciosa. Seus olhos estavam fixos nela, ardendo com uma adoração crua e desprotegida que silenciou a sala. "A mulher mais brilhante e cativante que já conheci. A família tem sorte de tê-la. Eu tenho sorte de tê-la."
As palavras me atingiram com a força de um golpe físico. Uma dor quente e aguda irradiou do meu peito, tão intensa que me fez ofegar. Ele não estava apenas brindando à sua prima, sua Consigliere. Ele estava fazendo uma declaração. Uma humilhação pública.
Naquele momento, sob o peso de uma dúzia de pares de olhos, eu soube. Não era apenas que ele não me amava. Ele nem sequer me via. Eu era um fantasma em sua mesa.
Eu me desculpei discretamente, meus movimentos rígidos e robóticos. Caminhei até o lavabo, o som do meu próprio sangue rugindo em meus ouvidos. Encarei meu reflexo no espelho ornamentado. A mulher que me olhava de volta era uma estranha — pálida, com olhos assombrados e uma expressão sombria na boca. Era isso que o amor dele havia feito de mim.
Eu estava prestes a me virar quando ouvi suas vozes do corredor, baixas e urgentes. Dante e Valentina.
"Você não pode dizer coisas assim na frente dela, Dante", Valentina sibilou. "Na frente de todo mundo. É cruel."
"É a verdade", ele arrastou as palavras ligeiramente. "Você sabe por que eu me casei com ela, Lena. Eu te disse."
Minha respiração ficou presa na garganta. Pressionei meu ouvido contra a madeira fria da porta.
"Você disse que a achava interessante. Não disse que a estava usando como minha substituta", ela retrucou, sua voz carregada de nojo. "Isso não é apenas cruel, é... doentio. É uma violação da honra da família."
"Era a única maneira de te manter por perto!" Sua voz era um apelo cru. "Depois que você escolheu os negócios em vez de nós... vê-la, alguém que se parecia tanto com você naquela época... era uma maneira de ter um pedaço de você. E ela é fraca. Ela me adora. Ela nunca iria embora, especialmente agora que está grávida."
Meu estômago revirou violentamente.
"E o bebê?", Valentina perguntou, sua voz mal um sussurro.
"O bebê será perfeito", disse Dante, e a convicção arrepiante em seu tom me deixou enjoada. "Uma menina. Vamos chamá-la de Elena. Ela terá o rosto de Isabella, mas será a minha Elena. Meu legado. Uma mistura perfeita de você e de mim."
Cambaleei para longe da porta, um som estrangulado escapando dos meus lábios. A bile subiu pela minha garganta, e mal consegui chegar ao vaso sanitário antes de vomitar, meu corpo convulsionando com a rejeição violenta de seu veneno. Ele não queria um filho. Ele queria um projeto de criação. Ele queria criar uma boneca viva do meu corpo e dar a ela o nome de sua obsessão.
Dei descarga, o som anormalmente alto na casa silenciosa. Enxaguei a boca, encarando meu reflexo de olhos fundos. A dor se foi. O choque se foi. Em seu lugar havia um voto, silencioso e absoluto, que ecoava nos espaços vazios da minha alma.
Eu vou queimar seu mundo inteiro até o chão, Dante Moretti.
Sua arrogância, sua confiança suprema de que eu era uma tola fraca e adoradora — essa era a minha chave. Essa era a minha rota de fuga. Ele nunca me veria chegando.
Voltei para a sala de jantar, minha compostura uma máscara perfeita e gelada. Sentei-me e tomei um gole de água, ignorando o olhar preocupado que Valentina me lançou.
Mais tarde naquela noite, de volta à nossa cobertura silenciosa, sentei-me em frente ao meu laptop. Com mãos firmes, comprei uma passagem só de ida para Porto Alegre, com partida em três semanas. Pesquisei apartamentos em um lugar chamado Vale dos Vinhedos. Parecia verde e tranquilo. Parecia um lugar onde um fantasma poderia desaparecer.
Meu telefone tocou. Era Valentina.
"Bella? Você está bem? Eu queria falar sobre..."
"Estou bem", eu a interrompi, minha voz fria. "Só cansada."
"Vou passar na casa do seu pai amanhã para prestar minhas condolências antes de ir para Londres. Gostaria de te ver", disse ela suavemente.
Uma parte de mim queria gritar com ela, culpá-la. Mas ela não era a arquiteta dessa dor. Ela era apenas a musa. "Tudo bem. Amanhã."
Dante entrou no quarto. "Quem era?"
"Valentina. Ela quer se encontrar na casa do meu pai amanhã."
Seus olhos se iluminaram com aquela fome possessiva familiar. "Eu vou com você", disse ele imediatamente. Não era um pedido. Era uma ordem. Outra oportunidade para ele estar perto dela.
"Ok", eu disse, minha voz não traindo nada.
Ele era um peão no meu jogo agora. E ele estava inteiramente, felizmente inconsciente de que eu sequer estava jogando. Cada movimento dele para se aproximar dela era um passo que me empurrava para mais perto da minha liberdade. Ele não era mais meu marido. Ele era apenas um obstáculo.
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