
Sozinha na Escuridão: A Busca por Lucas
Capítulo 2
O meu filho, Lucas, desapareceu no supermercado.
Eu tinha acabado de me virar por um segundo para pegar numa lata de feijão preto.
Quando me virei de volta, o carrinho de compras estava vazio.
O pânico gelou-me o sangue.
Corri pelos corredores, o meu coração a bater descontroladamente no meu peito.
"Lucas! Lucas!"
O meu grito ecoou pela loja, mas ninguém respondeu.
Liguei para o meu marido, Pedro. A chamada foi atendida quase instantaneamente.
"Inês? O que se passa? Estás a chorar?"
A sua voz soava ansiosa.
"Pedro, o Lucas... ele desapareceu. Eu estava no supermercado e ele simplesmente sumiu."
O meu corpo tremia incontrolavelmente.
Houve um momento de silêncio do outro lado da linha, seguido por um som abafado.
Depois, ouvi a voz da minha sogra, a Sofia.
"O quê? Desapareceu? Como é que pudeste ser tão descuidada? Eu não te disse para não o tirares dos teus olhos nem por um segundo? És inútil!"
A sua voz era aguda e cheia de acusação.
Depois, ouvi a voz suave e reconfortante de Pedro.
"Mãe, acalma-te. A Beatriz está a sentir-se mal, o médico disse que ela precisa de descansar. Não a perturbes."
Beatriz era a minha cunhada. Ela tinha acabado de dar à luz uma filha há uma semana.
A voz de Pedro voltou ao telefone, mas desta vez, estava fria e distante.
"Inês, para de criar problemas. A Beatriz não está bem. Não posso sair agora. Procura tu mesma. Ele é uma criança, não pode ter ido longe. Liga para a polícia se não o conseguires encontrar."
Ele desligou.
Fiquei ali, no meio do corredor do supermercado, com o telefone na mão. O som da chamada terminada ecoava nos meus ouvidos.
Ele disse para eu procurar sozinha.
Ele disse que a irmã dele não estava bem.
O nosso filho estava desaparecido, e ele estava preocupado com a irmã dele, que tinha acabado de ter um bebé e estava a ser cuidada por toda a família.
Liguei novamente.
O telefone tocou uma, duas, três vezes.
Ele não atendeu.
Liguei uma terceira vez.
A chamada foi diretamente para o correio de voz. Ele tinha-me bloqueado.
Um segurança do supermercado aproximou-se de mim.
"Senhora, está tudo bem?"
Eu não conseguia falar. As lágrimas que eu estava a segurar finalmente caíram. A minha força deixou-me e as minhas pernas cederam.
Eu caí no chão frio do supermercado, a soluçar incontrolavelmente.
O meu filho, o meu pequeno Lucas de três anos, tinha desaparecido. E o pai dele não se importava.
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