
Sofia Mendes: O Despertar de Uma Vingança Fria
Capítulo 3
Na esquadra, o ar era frio e cheirava a desinfetante.
Levaram-me para uma sala pequena. O polícia que me abordou em casa sentou-se à minha frente, com um caderno na mão.
"O seu marido confessou tudo," disse ele, sem rodeios. "Ele e a Clara planearam cortar os travões do seu carro. Sabiam que ia visitar a sua mãe hoje."
Assenti com a cabeça. A minha mãe vive numa casa de repouso nas montanhas. A estrada é sinuosa e perigosa.
Um acidente ali seria fatal.
"Ele disse que a motivação foi dinheiro. A sua família é rica, e ele queria herdar tudo."
O polícia olhou para mim, à espera de uma reação.
Eu não lhe dei nenhuma.
"Ele também disse que o vosso casamento era infeliz. Que você era fria e distante."
"Ele tem razão," respondi. "Eu era."
O polícia pareceu desconcertado com a minha honestidade.
"Senhora Mendes, compreendo que isto seja difícil..."
"Não, não é," interrompi-o. "É simples. Ele queria matar-me pelo meu dinheiro. Ele foi apanhado. Fim da história."
O meu telemóvel vibrou na minha mala. Era o meu pai.
Ignorei a chamada. Sabia o que ele ia dizer.
"Sofia, pensa bem. Um escândalo destes vai prejudicar a empresa. Pensa na nossa reputação."
O meu pai sempre se preocupou mais com a reputação do que com a minha felicidade.
O polícia suspirou.
"A sua sogra, a mãe do Pedro, está aqui. Ela quer vê-la."
"Não quero vê-la."
A minha resposta foi imediata e firme.
"Ela está a causar um escândalo lá fora. A insistir que o filho é inocente, que você o incriminou."
"Deixe-a gritar," disse eu, encolhendo os ombros. "Ela vai cansar-se."
O polícia esfregou a testa. Parecia exausto.
"O Pedro também quer vê-la. Ele diz que tem algo importante para lhe dizer."
Desta vez, hesitei.
Uma parte de mim, uma parte estúpida e masoquista, queria ouvir o que ele tinha a dizer.
Queria olhar nos olhos dele e ver se encontrava algum vestígio de remorso.
"Está bem," disse eu. "Leve-me até ele."
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