Capa do romance O Abraço da Traição: A Vingança de uma Esposa

O Abraço da Traição: A Vingança de uma Esposa

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Após o irmão perder a perna em uma cirurgia negligente da Dra. Kátia, a blogueira investigativa decide expor a verdade. Contudo, seu marido, o bilionário Heitor Bastos, apaga as provas para proteger Kátia, sua amante. Sob chantagem e ameaças à vida de sua irmã, Íris, ela é coagida ao silêncio. A tragédia se instala quando Íris e Enzo morrem cruelmente. Agora, movida pelo luto e pela traição, ela planeja destruir o império de Heitor e obter sua vingança.

O Abraço da Traição: A Vingança de uma Esposa Capítulo 1

A ligação veio ao entardecer: meu irmão, Enzo, tinha sofrido um acidente de moto. O médico, com uma voz assustadoramente calma, disse que ele precisava de uma cirurgia imediata.

Então veio a notícia que estilhaçou meu mundo: sua perna foi amputada. A cirurgiã, Dra. Kátia Ribeiro, alegou "complicações", mas eu, uma blogueira investigativa, senti o cheiro de mentira. Não foi uma complicação; foi um procedimento malfeito.

Meu artigo expondo a negligência dela viralizou. E então, desapareceu — apagado da internet. Meu marido, Heitor Bastos, um titã da Faria Lima, de repente ficou inacessível. Minha irmã, Íris, sumiu de seu apartamento, deixando para trás apenas pegadas de lama e um cheiro de medo.

Encontrei Kátia admirando uma nova pulseira de diamantes, um sorriso presunçoso nos lábios. "Heitor cuida muito bem de mim", ela ronronou. A verdade me atingiu como um soco no estômago. Meu marido não era apenas seu protetor poderoso. Ele era seu amante.

Ele me forçou a pedir desculpas publicamente a Kátia, me fazendo assistir a um vídeo ao vivo de Íris, aterrorizada e chorando em um quarto escuro. "Ela está segura", ele prometeu, com a voz fria como gelo, "contanto que você largue isso." Eu não tive escolha.

Mas minha escolha não significou nada. Íris foi torturada pelo irmão monstruoso de Kátia, Caio, e morreu em meus braços. Dias depois, Enzo foi encontrado morto em sua cama de hospital. No silêncio desolador do meu luto, um novo e frio propósito se acendeu dentro de mim. Eles destruíram minha família. Eu iria queimar o império dele até as cinzas.

Capítulo 1

A ligação do hospital veio ao entardecer. Meu irmão, Enzo, tinha sofrido um acidente de moto. O médico ao telefone parecia calmo, calmo demais. Ele disse que Enzo precisava de uma cirurgia imediata.

Corri para o Hospital Sírio-Libanês, meu coração martelando contra minhas costelas como um pássaro enjaulado. Não me deixaram vê-lo. Fui deixada para andar de um lado para o outro na sala de espera estéril e branca por horas que se arrastaram por uma eternidade.

Finalmente, uma cirurgiã apareceu. Dra. Kátia Ribeiro. Ela tinha o rosto de um anjo, mas seu sorriso nunca alcançava seus olhos frios e calculistas.

"A cirurgia foi um sucesso", ela anunciou, sua voz monótona, desprovida de emoção. "Mas o dano na perna direita dele era muito grave. Tivemos que amputar abaixo do joelho."

As palavras sugaram o ar da sala. Amputar? Enzo era uma estrela do atletismo na USP. Tinha bolsa integral. Suas pernas não eram apenas pernas; eram sua bolsa, seu futuro, sua identidade inteira.

"O que você quer dizer com amputar?", exigi, minha voz tremendo. "Era uma fratura simples. Eu mesma vi os raios-X iniciais."

"Houve complicações", ela respondeu, seu olhar desviando do meu. "Foi necessário para salvar a vida dele."

Eu não acreditei nela por um segundo. Sou uma blogueira investigativa — minha carreira inteira é construída em instintos e em cavar a verdade. Meu instinto gritava que aquilo estava errado. Passei as quarenta e oito horas seguintes cobrando favores, puxando registros e juntando cada documento que consegui.

A verdade era uma bagunça emaranhada de relatórios falsificados e uma linha do tempo que não batia. A amputação não foi necessária. Foi um erro imprudente e arrogante cometido por uma cirurgiã excessivamente confiante. Kátia Ribeiro não tinha salvado a vida do meu irmão; ela a tinha destruído.

Eu escrevi o artigo da minha vida. Apresentei as evidências, as opiniões de especialistas que coletei, a linha do tempo condenatória da cirurgia. Postei no meu blog, "A Verdade de Letícia". Viralizou em minutos.

Então, com a mesma rapidez, sumiu. Apagado da internet como se nunca tivesse existido. Meu provedor de hospedagem enviou um aviso de rescisão seco. Minhas contas de redes sociais foram suspensas.

Um pavor gelado tomou conta de mim. Isso não era apenas um encobrimento. Isso era poder. O tipo de poder que apaga a verdade com um clique.

Tentei freneticamente ligar para meu marido, Heitor Bastos. Como um titã da Faria Lima, ele podia mover montanhas com um único telefonema. Ele saberia o que fazer. Ele me ajudaria a lutar contra isso.

O telefone dele ia direto para a caixa postal. De novo e de novo.

O pânico arranhou minha garganta. Liguei para minha irmã mais nova, Íris. Ela sofria de um transtorno de ansiedade severo e vivia em um apartamento tranquilo que eu alugava para ela, um refúgio seguro do mundo. Ela não atendeu. Liguei para o telefone fixo dela. Nada.

Dirigi até o apartamento dela, minhas mãos tremendo no volante. O lugar estava estranhamente vazio. O celular dela estava no balcão da cozinha, ao lado de um copo de água derramado. Uma única pegada de lama saía pela porta e desaparecia.

Ela tinha sumido.

Meu sangue gelou. Isso não podia ser uma coincidência.

Voltei furiosa para o hospital, marchando pelos corredores até encontrar Kátia Ribeiro em seu consultório. Ela estava admirando uma nova pulseira de diamantes que brilhava em seu pulso.

"Onde está minha irmã?", exigi.

Ela ergueu o olhar, um sorriso lento e presunçoso se espalhando por seu rosto.

"Receio não saber do que você está falando."

"Foi você", eu disse, minha voz baixando para um rosnado baixo e perigoso. "Você derrubou meu blog. Você levou minha irmã."

Kátia riu, um som agudo e cruel que ecoou no escritório silencioso.

"Você acha que pode me tocar? Você não tem ideia com quem está lidando, Letícia. Heitor cuida muito bem de mim."

O nome me atingiu como um soco no estômago. Heitor. Meu marido.

"Ele não faria isso", sussurrei, as palavras presas na minha garganta.

"Não faria?", ela ronronou, levantando-se de sua mesa e deslizando em minha direção. "Ele me comprou essa ala inteira do hospital. Ele me comprou esta pulseira. Ele vai me comprar qualquer coisa que eu quiser. E agora, o que eu quero é que você cale a boca."

A sala começou a girar. A verdade era um monstro, vasto e feio demais para compreender. Meu marido, o homem que eu amava, o homem que havia jurado proteger a mim e à minha família, estava dormindo com a cirurgiã que aleijou meu irmão. Ele não era apenas o protetor dela; ele era o amante dela.

Cambaleei para trás, minha mão voando para a boca enquanto uma onda de náusea me invadia. O mundo ficou preto.

Acordei em uma suíte privativa de luxo no hospital. As luzes estavam fracas. Heitor estava sentado em uma cadeira ao lado da cama, com a cabeça entre as mãos. Ele parecia cansado, até mesmo preocupado.

Ele ergueu o olhar quando me mexi.

"Lê", ele disse, sua voz suave, tingida com a preocupação que um dia eu apreciei. "Você desmaiou. Você me deu um susto danado."

Ele estendeu a mão para a minha, seu toque quente e tragicamente familiar. Por uma fração de segundo, permiti-me ter esperança de que o pesadelo não fosse real.

"Não me toque", eu disse, puxando minha mão.

Sua expressão endureceu.

"Letícia, me escute. Kátia é uma cirurgiã brilhante. Ela é jovem e cometeu um erro. Um erro lamentável, sim, mas não é o que você pensa."

"Um erro?", minha voz estava rouca. "Ela arrancou a perna do meu irmão, Heitor. E você a ajudou a encobrir."

"Eu protegi meu investimento", ele disse, sua voz ficando fria. "A fundação investiu milhões na carreira dela. Esse escândalo a teria destruído."

"E quanto ao meu irmão? E o Enzo?"

"Ele será compensado", Heitor disse com desdém. "Vou garantir a vida dele. Ele nunca mais precisará trabalhar."

Eu o encarei, esse estranho usando o rosto do meu marido. O homem com quem me casei acreditava em justiça. Ele havia financiado meu blog, me incentivado a expor a verdade ao poder.

"E a Íris?", perguntei, minha voz mal um sussurro. "Onde ela está?"

Ele suspirou e pegou o celular. Deslizou o dedo na tela e a virou para mim. Era um vídeo ao vivo. Íris estava em um quarto pequeno e escuro, encolhida em um canto, chorando. Ela parecia aterrorizada.

"Ela está segura", Heitor disse baixinho. "E vai continuar assim, contanto que você largue isso. Você vai apagar todos os seus arquivos. Vai emitir um pedido de desculpas público à Dra. Ribeiro pelas 'acusações infundadas'. Você vai fazer exatamente como eu digo."

Lembrei-me do dia do nosso casamento. Ele segurou minhas mãos, olhou nos meus olhos e disse: "Eu sempre vou proteger você e as pessoas que você ama, Letícia. Sempre."

A memória era veneno.

"Você é um monstro", sussurrei.

"Eu sou um homem que protege o que é seu", ele corrigiu, sua voz como aço. "E Kátia é minha. Agora, qual é a sua resposta? O bem-estar da Íris depende disso."

O vídeo mostrava Íris balançando para frente e para trás, seu corpo pequeno convulsionando em soluços. Eu vi o medo cru e primitivo em seu rosto — um medo que ele havia colocado lá.

Eu não tinha escolha. Minha família era tudo o que me restava.

"Tudo bem", engasguei, a palavra com gosto de cinzas na minha boca. "Eu faço."

Um leve sorriso triunfante tocou seus lábios.

"Boa menina. Eu sabia que você ia ser razoável."

Ele me enviou o endereço onde Íris estava sendo mantida. Não esperei por ele. Corri para fora daquele quarto, para fora do hospital, e para o ar frio da noite.

Enquanto eu acelerava em direção ao endereço, um pensamento me consumia. Isso não era apenas uma traição. Era uma declaração de guerra. Nosso casamento não estava apenas acabado. Eu ia queimá-lo, e a ele, até o chão.

Ele destruiu minha família. Eu iria destruir seu império.

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