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Capa do romance Sob a luz das estrelas

Sob a luz das estrelas

Taís vive mergulhada em um vazio profundo, sentindo-se encurralada em um abismo emocional que parece não ter fim. Contudo, sob o brilho do céu noturno, o destino reserva um encontro transformador. Ela conhece alguém capaz de se tornar sua esperança e guia em meio à escuridão. É o despertar de um amor genuíno, aquele sentimento raro que resgata a alma e traz o desejo de permanecer para sempre ao lado de quem nos faz sentir completos e seguros.
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Capítulo 1

Prólogo

 Era o meu fim! Caminhando desnorteada pelas ruas dessa cidade egoísta e cruel, seguindo na estrada da vida um caminho repleto de escuridão, dor, humilhações e tristezas, por todos os lados só havia trevas que me puxavam cada vez mais e mais para um túnel negro onde não havia nenhuma luz. Nenhuma luz! O fundo do poço! Eu estava no fundo do poço e não tinha a mínima ideia de como sair dali! Estava presa! Era assim que eu estava me sentindo naquele dia terrível! Eu, Taís Maia me sentia completamente presa em uma total escuridão, sem esperanças, perdida em um vazio que me consumia e me afogava, sem nenhum motivo ou vontade para continuar a caminhada porque eu estava perdida. Eu estava perdida! Até o momento em que eu me encontrei! Porque eu o encontrei! Foi ele quem eu sempre procurei mesmo quando ainda não sabia o que queria achar! Era ele! Sempre foi ele! Para sempre seria ele! João Melis, a luz que iluminou a minha vida! ................................

 Devia ser umas quatro ou cinco da tarde! Nem sei dizer! As lágrimas que escorriam em meus olhos estavam tão fortes que nem conseguia enxergar direito. Caminhei pelas ruas sem destino, sem rumo, mas não me importava! Tudo o que eu queria era me afastar o máximo possível de toda aquela merda, eu só queria respirar, pensar na minha vida, espairecer. Andei bastante até chegar em uma praça, eu precisava de um banco para me sentar. Não sabia dizer por quanto tempo havia caminhado, mas sabia que meus pés estavam cansados. Olhei para todos os bancos e percebi que estavam todos ocupados, então deixei escapar um suspiro de frustração. Caminhei mais um pouco me perguntando como uma praça que havia tantos bancos não havia nenhum em que estivesse vazio. Foi então que eu o vi! Assim que olhei pra ele foi mágico, foi como se todas as trevas que me rondavam tivessem sumido! Naquele instante ele foi a luz que iluminou toda a escuridão da minha alma! Ele estava sentado no último banco que ficava embaixo de uma árvore, estava desenhando algo e olhando diretamente para o lago, seus cabelos loiros pareciam brilhar na luz do sol, ele era lindo, muito lindo. Eu estava tão encantada por ele que não conseguia parar de olhá-lo! Então depois de um tempo ele percebeu que eu estava o olhando e virou o rosto em minha direção, mas eu achei muito estranho o fato dele não me olhar diretamente nos olhos, ele parecia olhar para minha bochecha em algum ponto específico, mas nunca nos olhos. Mesmo assim eu ignorei completamente essa particularidade, porque a única coisa que eu reparava naquele momento era no seu rosto lindo, as bochechas levemente coradas, a boquinha rosada e seus olhos incrivelmente azuis, que me lembravam uma piscina, era a coisa mais linda de se ver. E como se eu estivesse sendo atraída por um imã, fui até o banco em que ele se encontrava e me sentei em um lugar vago. E foi aí que eu morri de vergonha! Porque no mesmo instante em que eu me sentei ele se arrastou e foi para a pontinha do banco me deixando totalmente sem graça. Primeiro eu abaixei meu nariz discretamente para verificar se eu não estava cheirando mal, mas até onde eu conseguia sentir estava tudo bem. Quando eu olhei novamente pra ele me dei conta que ele estava ficando vermelho e um pouco nervoso, como se estivesse com medo de mim, então me preparei para me levantar, pois não queria assustar o garoto. Foi aí que do nada escutei um sussurro muito baixo, era tão baixo que naquele momento eu pensei ser apenas fruto da minha imaginação, olhei novamente para o garoto e percebi que o mesmo olhava em um ponto fixo no lago. Eu realmente não queria assustar ele então me levantei de uma vez, e foi aí que novamente eu escutei o sussurro.

 – Não vá! Eu não estou com medo de você! Estou apenas nervoso! - Ouvi sua voz baixa e rouca me chamando. Ele falava muito baixo, eu tive que me esforçar bastante para conseguir ouvir o que ele dizia!

 – Porque você está nervoso? - Perguntei tentando puxar assunto com ele, não sabia o porquê, mas o fato dele ter me pedido pra não ir embora havia me deixado muito animada e me causado um calafrio gostoso no estômago. – Uma garota tão linda como você, nunca havia chegado tão perto de mim como você está fazendo agora! Eu só estou surpreso e um pouco assustado! - O loiro me confidenciou sem parar de olhar para o ponto fixo no lago, suas mãos mexiam sem parar ao lado de sua pernas, denunciando claramente o seu nervosismo, então eu virei meu rosto e dirigi meu olhar para o lado, ao mesmo tempo em que concentrava minha atenção ao garoto intrigante sentado na outra ponta do banco. Após um tempo ele aparentou ficar mais calmo, trocou de folha e voltou a desenhar. Olhar para o lago pelo ponto de vista dele era um pouco diferente, era como visualizar um lugar quando na verdade se observa outro era como se fosse uma fuga, e eu estava vivenciado aquela experiência e achando muito divertido.

 – Me acha bonita? - Perguntei baixinho assim, como ele havia feito. Estava com medo de assustá-lo, mas eu queria conversar com ele, precisava saber mais dele, eu sempre fui muito curiosa, e devo confessar que aquele garoto estava despertando muito o meu interesse.

 – Linda! - Ele disse e eu percebi um sorriso tímido se formar em seus lábios, na verdade o lindo ali era ele, eu só não estava entendendo porque ele não se dava conta disso. Eu também sorri com os lábios e continuei focando o olhar em um ponto fixo no lago.

 – Com certeza você está me achando estranho, mas eu não sou estranho! Sou apenas um ser humano especial! - continuou, olhando para o lago. Meu coração batia acelerado, eu não sei porque, mas saber que ele estava conversando tanto comigo fazia eu me sentir alguém especial, de uma maneira que há muito tempo eu não me sentia. – Como assim especial? - Perguntei sorrindo, eu sabia que ele era especial, aquela beleza dele não tinha nada de normal, mas claro que eu não iria falar isso pra ele, então apenas fiquei observando com o rabo de olho, quando ele tirou sua atenção do lago e focou no céu azul acima de nós, que estava naquele momento tão azuis quanto seus olhos. – Eu sou Autista! - disse – É como se eu fosse uma pessoa comum, mas na verdade eu tenho super poderes! E são esses super poderes, que me tornam diferente de um jeito especial! Você não acha que eu seria chato, se por acaso eu fosse igual a todo mundo? Eu fico completamente sem palavras com tudo o que ele estava me dizendo, eu já tinha ouvido falar sobre pessoas autistas, mas eu não conhecia nada sobre o assunto, e muito menos tinha conversado com alguém assim. – Nunca seja igual a todo mundo, por favor! Continue sendo assim do jeito que você é! Com seus super poderes! - Respondi um pouco triste para o garoto. Eu já tinha conhecido muito das pessoas ditas normais e iguais, para saber que ser alguém como ele era realmente muito especial! Ele parecia viver em seu próprio mundo, sem se importar com a podridão mundana ao seu redor. – Acha que eu estou brincando quando falo dos meus poderes? - Ele pergunta sorrindo e já parece se sentir confortável o suficiente para virar o rosto para mim, mas não olhar nos meus olhos, ele concentrava o olhar em meu pescoço. – Não! Eu não duvido! - Respondi sorrindo levemente. Ele realmente usou o seu super poder para tirar todo o foco da minha ansiedade e a angústia que havia dentro mim! Ele me fez sorrir depois de muito tempo! E isso era mesmo muito mágico! – Você está sofrendo? - Ouvi perguntando. – Como você sabe? - Olhei para ele aturdida. – Eu sinto a sua tristeza! É como se você estivesse presa e gritando por ajuda! - Afirmou com toda a convicção que pude sentir. Eu mudei meu semblante de boba para embasbacada, mesmo sem olhar para os meus olhos, era como se ele estivesse olhando dentro da minha alma, eu ficava me perguntando se alguém tão sensível assim poderia mesmo existir. – Eu estou presa… - disse sem nenhuma emoção. – Então lute pela sua liberdade! Ninguém merece viver preso dentro de si. Muito menos uma garota tão linda e especial como você! - exprimiu com toda emoção em sua voz. Tudo o que ele disse me fez derramar lágrimas dos olhos! Mas não eram lágrimas de tristeza! Eram lágrimas de gratidão porque ele tinha acabado de abrir a porta para a minha liberdade. Eu estava tão absorta em minhas consternações internas, que nem percebi o momento em que ele se levantou e caminhou até a minha ponta do banco e me entregou uma folha. Eu fiquei pasma com o tamanho dele! Deveria ter pelo menos 1,90 de altura com certeza, e ele era forte, muito forte. – A gente se vê por aí! - disse olhando pro meu colo, por um momento eu pensei que seu olhar era direcionado para os meus seios, mas alguém tão puro quanto ele não me olharia assim. – Não vá! - tentei fazê-lo mudar de idéia, suplicando desesperada. – Eu preciso seguir o meu caminho, mas espero que ele se cruze com o seu algum dia novamente! - respondeu então indo embora, eu fiquei observando ele se afastar, era como se toda a luz que tinha me iluminado, estivesse indo embora junto com ele e lá estava eu novamente mergulhada na escuridão. Enquanto ele caminhava em direção ao carro que o esperava no estacionamento, eu notei o quanto ele chamava atenção das mulheres a sua volta, isso ocorria devido ao fato dele ser realmente muito lindo. Uma lágrima solitária escorreu pela minha bochecha quando vi ele entrar no banco carona do carro e partir. Fiquei triste quando me toquei que não sabia nada dele, nem ao menos o seu nome. Olhei para o papel em minhas mãos e meu queixo caiu quando vi o desenho exato e perfeito do meu rosto olhando para o lago, enfim minha teoria estava certa, ele estava me observando assim como eu estava observando ele! Dei um largo sorriso olhando novamente para o papel. Parecia que eu estava me vendo em um espelho! Aquele garoto autista realmente tinha super poderes. E ele tinha acabado de deixar um lampejo de luz bem nas minhas mãos! Daquele dia em diante eu decidi que iria lutar pela minha liberdade.

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